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‘Mãe de Todas as Bombas’: ameaça de Trump ao Irã pressiona petróleo. Barril chega a US$ 110

O petróleo Brent atingiu US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, diante da redução das perspectivas de alívio iminente na oferta. O cenário levou os operadores a ampliar as apostas em preços mais altos antes do fim de semana.

A referência global subiu 3,7%, registrando a segunda alta semanal consecutiva, à medida que o sentimento favorável à valorização do petróleo se consolidou ao longo de uma sessão marcada por notícias de continuidade dos conflitos em importantes centros de exportação.

Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, continuam a atacar a Arábia Saudita com mísseis e drones, enquanto Rússia e Ucrânia trocam ataques contra infraestruturas de energia.

A última vez que os preços chegaram a esses níveis foi há quase cinco meses, quando a paralisação dos fluxos globais de petróleo bruto e combustíveis levou a um acordo frágil e de curta duração, que reabriu temporariamente o Estreito de Ormuz.

Agora, o volume de cargas que atravessa essa importante rota marítima se aproxima dos níveis anteriores à guerra, superando 100 milhões de barris de petróleo bruto na semana passada.

Ainda assim, os preços continuam persistentemente elevados, deixando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com cada vez menos alternativas para conter os custos de energia antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Parlamentares americanos apresentaram na sexta-feira um projeto de lei para bloquear o acordo de Trump com Moscou que prevê a liberação de várias centenas de milhões de barris de diesel pela Rússia. A proposta reflete a ampla oposição a qualquer medida que permita ao governo russo reforçar os recursos monetários destinados à guerra.

“Depois de uma breve trégua, o mercado de petróleo está tendo de voltar a incorporar os riscos aos preços, especialmente com a aproximação do fim de semana”, afirmou Rebecca Babin, operadora sênior de energia do CIBC Private Wealth Group.

Os contratos futuros de diesel e gasolina também subiram. O diesel fechou a US$ 4,90 por galão em Nova York. Os contratos dos dois combustíveis estão sendo negociados nos níveis mais altos já registrados para esta época do ano.

A exclusão contínua do diesel russo dos mercados globais obriga refinarias de outros países a ampliar o processamento de petróleo para atender à demanda.

Trump reiterou que Moscou cumprirá o compromisso de liberar diesel. No entanto, ataques persistentes, como o recente bombardeio à refinaria russa de Ryazan, noticiado pela Reuters, aumentam as dúvidas sobre a capacidade de o acordo produzir os resultados prometidos.

Os analistas acompanham de perto os acontecimentos no Golfo Pérsico em busca de sinais de agravamento do conflito.

Mãe de todas as bombas

Em entrevista à Newsmax, Trump se recusou a descartar o uso contra o Irã, após as eleições de 3 de novembro, de uma arma conhecida como “Mãe de Todas as Bombas”.

A CNN informou no início desta semana que os Estados Unidos desenvolveram planos de ataque que podem incluir o uso de uma bomba de grande potência, conhecida como GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast Bomb.

“O conflito provavelmente vai se intensificar”, escreveram analistas do Eurasia Group em um relatório, elevando de 35% para 65% a probabilidade de agravamento. “A atual situação de impasse deixou de ser sustentável para os Estados Unidos.”

Os Estados Unidos também tentam conter os preços recorrendo aos estoques emergenciais de petróleo e pressionando outros países a fazerem o mesmo. Na sexta-feira, o governo americano ofereceu até 17 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo.

O petróleo acumula alta superior a 75% neste ano, com as guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia comprometendo o abastecimento. Os mercados físicos continuam sinalizando oferta restrita, enquanto os preços de derivados, como o diesel, avançaram ainda mais. Na Europa, os contratos futuros do combustível mais que dobraram de valor desde o início do ano.

A forte oscilação dos preços na sexta-feira foi a primeira desse tipo em uma semana de negociações marcada por movimentos limitados, embora as notícias apontassem para uma piora da segurança energética em diferentes partes do mundo.

A divergência entre os preços dos contratos futuros e a disparada dos preços no mercado físico deixou os operadores receosos de serem surpreendidos por mudanças bruscas. Como resultado, o número de contratos em aberto da referência global atingiu, no início deste mês, o menor nível desde março de 2025.

Outro fator técnico contribuiu para o movimento: nas últimas sessões, o Brent ficou, em geral, atrás dos ganhos da referência americana, reduzindo a diferença entre os preços dos dois petróleos. A queda nos custos de transporte de barris americanos estimulou a demanda.

Segundo dados da Baltic Exchange, o custo de transportar uma carga típica de petróleo da Costa do Golfo dos Estados Unidos até Roterdã caiu cerca de 12% na última semana.

Estratégias de negociação de commodities que seguem tendências de mercado, assim como outros fatores técnicos, também contribuíram para o desempenho relativamente mais forte do Brent.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Bloomberg

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