Mercados hoje: Trump estende pausa de ataques ao Irã, mas investidores veem copo meio vazio nas negociações
Bom dia!
A sexta-feira (27) começa com um sentimento de que as negociações do cessar-fogo entre EUA e Irã vão ser bem mais complicadas do que o esperado. E de que tudo pode acontecer. Mesmo com o presidente americano Donald Trump tendo estendido a trégua de ataques à infraestrutura energética iraniana até depois da Páscoa, ou seja, por mais 10 dias, o mercado mantém um pé atrás. Os futuros de Nova York indicam uma abertura mais para o lado do copo meio vazio. Por aqui, os investidores ainda digerem o IPCA-15 acima do esperado e as revisões altistas das casas de análise para a inflação em 2026, já colocando na conta as altas de preços de combustíveis e energia. O IBGE divulga ainda o dado de desemprego de fevereiro, que deve reforçar a visão de um mercado de trabalho em bom estado.
Enquanto você dormia…
- O pano de fundo global segue mais defensivo, com investidores reagindo à combinação de petróleo elevado e juros globais pressionados. A leitura é simples: energia cara pode atrasar o processo de queda da inflação. Ou até levar a volta da inflação:
- Os futuros das bolsas de Nova York se mantêm em queda: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha baixa de -0,15% e o Nasdaq futuro caía -0,26%.
- Na Europa, as bolsas recuam com receio de impacto inflacionário do petróleo. O Stoxx 600 tem queda de -0,96%.
- Na Ásia o desempenho foi sem direção definida, com China em leve alta e Japão em queda. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -0,43%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +0,38%.
- O índice dólar (DXY) sobe +0,10% aos 99,98 pontos. O petróleo Brent tem mais um dia de alta, de +1,80% cotado a US$ 109,95 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos estão em torno de 4,458% de novo bem perto da marca de 4,5%.
Destaques do dia
- Trégua estendida, mas sem alívio real: o presidente americano Donald Trump prorrogou a pausa nos ataques à infraestrutura energética do Irã até 6 de abril, afirmando que as negociações “avançam bem”. Ainda assim, o Irã nega diálogo direto — e o mercado está mais inclinado a confiar nos preços do petróleo do que nas declarações políticas.
- O resultado é um cenário de cautela: bolsas pressionadas, juros longos em alta e commodities energéticas sustentadas. A sensação é de que qualquer ruído pode virar gatilho para nova escalada.
- E daí? Para o Brasil, petróleo elevado mantém os investidores menos inclinados a apostas mais arriscadas o que implica em menor fluxo de recursos ao país. Mas também reforça o protagonismo do setor de óleo e gás — Petrobras, Prio e Brava seguem no radar.
Giro pelo mundo
- Megafusão em bebidas: a Pernod Ricard avalia a compra da Brown-Forman (dona do Jack Daniel’s) em um negócio que pode superar US$ 12 bilhões; o mercado acompanha se a negociação evolui para proposta formal.
- Geopolítica em suspenso: a trégua entre EUA e Irã foi estendida até 6 de abril, mas sem confirmação de negociações diretas, mantendo o risco geopolítico elevado no radar.
- Petróleo resiliente: mesmo com tentativas de alívio no discurso, o Brent segue acima de US$ 105, refletindo mais o risco de oferta do que qualquer avanço diplomático.
Giro pelo Brasil
- Mercado de trabalho: a taxa de desemprego de fevereiro sai hoje, com expectativa de 5,7%; o dado é importante para calibrar o ritmo da atividade e a trajetória de juros.
- Mais petróleo no radar: a Petrobras anunciou nova descoberta no pré-sal da Bacia de Campos, reforçando o potencial de produção futura e a discussão sobre reservas.
Giro corporativo
- H&M: vendas do primeiro trimestre vieram abaixo do esperado, mas a melhora de rentabilidade surpreendeu positivamente; o foco agora é a execução da expansão e ganho de margem.
- Henkel em modo aquisição: a companhia alemã comprou a marca Olaplex por US$ 1,4 bilhão, reforçando sua presença no segmento premium de cuidados capilares.
Agenda do dia
- 08:00: Confiança da indústria — Brasil. Termômetro de atividade e investimento.
- 08:30: Transações correntes — Brasil. Indica a saúde das contas externas. (Consenso: déficit de US$ 5,4 bi)
- 09:00: Taxa de desemprego — Brasil. Dado-chave para consumo e juros. (Consenso: 5,7%)
- 11:00: Confiança do consumidor (Michigan) — EUA. Sinaliza humor e expectativa de inflação. (Consenso: 54,0)
Ótima sexta-feira e bons negócios!
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Autor: Sérgio Tauhata