Nos juros de longo prazo, a ‘queda da Selic’ já começou. Veja como ganhar dinheiro com isso
A primeira reunião do Copom veio do jeito que todo mundo esperava: a Selic foi mantida em 15% ao ano. Mas o que era uma expectativa vai virar realidade: o corte deve ocorrer em março. Nas palavras do Comitê de Política Monetária do BC existem “poréns”. Para o mercado monetário, nem tanto – e esse é o melhor momento para ganhar com esse novo ciclo que se inicia agora.
Primeiro, os fatos. No mercado, os investidores não espera a materialização de um cenário para tomar decisões de investimento. Eles se antecipam. E é isso que vem acontecendo nas últimas semanas com os títulos públicos e com os chamados contratos de juros futuros (explicaremos mais à frente).
As taxas dos títulos prefixados, em que a remuneração é definida no momento da compra do papel, começaram a cair desde a metade de janeiro até agora. Não dá para prever o futuro, mas o movimento significa o seguinte: o mercado já estava esperando que o juro básico da economia entraria em rota de queda.
Quem compra um título prefixado, está fazendo justamente isso: “travando” uma taxa maior. Conforme os juros vão caindo, esses títulos vão ficando mais caros. Se você já tem esses títulos na carteira, você vê esse fenômeno ao observar ser saldo. Ele passa a aumentar velozmente.
E isso já vem acontecendo. Nos últimos 12 meses, o saldo de quem tem prefixado com vencimento em 2032 subiu 25% – uma alta de renda variável no mundo da renda fixa.
As taxas dos títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+, seguem a mesma lógica. O juro real – aquele que fica acima da inflação – também está em trajetória de baixa neste começo de ano, e o saldo de quem investe neles, numa de alta.
O passado tem bons exemplos. No último ciclo de queda forte da Selic alguns títulos do tipo IPCA+ propiciaram rendas fora de qualquer curva. Entre 2016 e 2019, o título com vencimento em 2035 subiu 181%. E uma parte considerável dessa alta veio antes mesmo de a Selic-pico da época (14,25%) começar a cair.
O outro lado desse copo é óbvio. O saldo de quem tem o título na carteira aumenta porque o título fica mais caro no mercado. Quem não tem, então, tem de gastar mais para entrar conforme o tempo passa. E a chande de rendimento fora do normal vai minguando.
Confluência de fatores
Em dezembro, a queda dos juros parecia mais um desejo do que uma possibilidade e havia quem apostasse que isso aconteceria mais perto do fim do primeiro semestre. Com a chegada de 2026, uma confluência de fatores já tornou isso uma realidade.
Primeiro, o básico: o comportamento do IPCA. A “inflação oficial” do país encerrou 2025 em 4,26%. Não é a meta que o BC tem que perseguir, de 3%. Mas está abaixo do teto, de 4,50%. Não é um aluno que tira a nota máxima, mas dá para passar de ano – e, no Brasil, em que “estourar” a meta era algo recorrente, isso significa alguma coisa boa.
O IPCA de janeiro ainda não foi divulgado, mas a “prévia” dele sim. O IPCA-15, que seria “a metade” do IPCA cheio, desacelerou para 0,20% em janeiro (estava em 0,25% em dezembro). É a segunda inflação para meses de janeiro desde 1994.
Em segundo lugar: a moeda americana não se ajustou para cima depois de quedas sequenciais em 2025. Pelo contrário, aprofundou o movimento: já caiu 11% em 12 meses até agora, chegando a ser negociada abaixo da marca dos R$ 5,20.
Um dólar menor é um alívio para a inflação. E a inflação é controlada justamente por meio da Selic: para segurar o consumo e diminuir os preços da economia, a taxa tem que subir. Esse é o papel do BC.
E o que tem a ver a inflação com o dólar? É só pensar: quando a moeda americana cai, produtos importados, insumos industriais, combustíveis e até alimentos ficam mais baratos em reais. Aí vem o efeito em cascata: os custos das firmas diminui e desincentiva reajustes de preços.
Depois, vêm os chamados “juros longos”. Tudo no mercado tem um preço – inclusive o futuro da Selic. São os contratos de juros futuros negociados na B3 que traduzem esse sentimento. Se eles caem, significa que os agentes do mercado já acreditam que a taxa de juros vai para baixo.
Em vários vencimentos, essas taxas estão indo escada abaixo. Parece uma numeralha, mas é importante descrever o que está acontecendo: o contrato com vencimento em janeiro de 2027, que chegou a operar próximo de 14%, passou a ser negociado em torno de 13,7%.
Nos vencimentos intermediários, aconteceu o mesmo: o contrato para janeiro de 2028 recuou de patamares acima de 13,4% para níveis próximos de 13,0% ao ano, enquanto o contrato para janeiro de 2029 caiu para cerca de 12,8%, após ter operado acima de 13,1% recentemente.
E quanto mais caem os juros futuros, mais caros ficam os prefixados e IPCA+. A possibilidade de travar juros de pai para filho por anos a fio vai diminuindo, como já dissemos. Mas ela ainda é grande: as taxas de juros reais, lá dos IPCA+, ainda estão nos maiores níveis em 10 anos, acima dos 7%. Uma ótima taxa para quem deseja entrar.
E que talvez não dure muito mais tempo.
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Autor: Juliana Machado

