Últimas Notícias

A jornada para levar a famosa manteiga francesa na bagagem de Paris para casa

Enquanto planejava uma viagem à Cidade Luz, Rachel Torres recebeu um pedido inusitado.

“Minha filha quer manteiga francesa como souvenir — de verdade!”, escreveu a gerente de um shopping da Flórida em um grupo do Facebook sobre dicas de viagem para Paris. Em seguida, foi direto ao ponto: “Como posso transportá-la em um voo de nove horas de volta para os Estados Unidos?”

A resposta, ela descobriria, envolve bolsas térmicas, placas de gelo, favores para guardar a manteiga no congelador do hotel e uma estratégia cuidadosa para acomodá-la na bagagem. Com a Europa enfrentando ondas de calor durante o verão, a distância entre um tesouro gastronômico e uma poça dourada nunca foi tão pequena.

A La Grande Épicerie vendeu mais de 700 mil tabletes de manteiga em 2025. As geladeiras destinadas às barras douradas são reabastecidas duas vezes por dia. Elena Vardon/WSJ

Barras de manteiga artesanal se tornaram um souvenir de status inesperado, substituindo os macarons da Ladurée e os produtos de cuidados com a pele de farmácia como o item que os turistas querem levar para casa de uma das cidades mais visitadas do mundo — apesar das dificuldades logísticas.

A obsessão gira principalmente em torno de um endereço: a La Grande Épicerie de Paris, o luxuoso empório gastronômico do grupo LVMH, anexo à loja de departamentos Le Bon Marché. Os turistas tratam uma visita ao corredor de laticínios com a mesma reverência que poderiam reservar ao Louvre.

Fileiras compactas de manteiga embrulhada em papel ocupam uma parede de refrigeradores no coração do empório. No centro está a crème de la crème: a Maison Bordier, pequena produtora artesanal da Bretanha cujas manteigas são as que se esgotam mais rapidamente.

Parte da atração é o preço. Um tablete de 125 gramas da manteiga clássica demi-sel custa cerca de € 6 (US$ 7). Sabores exóticos, como yuzu e algas marinhas, são um pouco mais caros, enquanto a versão com trufa negra é uma extravagância de quase € 17.

A outra parte é o sabor. A manteiga francesa, com teor de gordura mais alto do que o da maioria das similares americanas, tende a ter textura mais cremosa e sabor mais rico e complexo.

“Realmente derrete na boca”, disse Shawn Molko, cantor e criador de conteúdo de Toronto, em um vídeo de degustação de manteiga que ajudou a impulsionar a tendência. “C’est magnifique!”

Molko decidiu descobrir do que se tratava toda a fama da Bordier durante uma viagem a Paris no verão passado. Ele colocou quatro tabletes na bagagem despachada e foi consumindo-os aos poucos. “Eu colocava nos meus ovos. Colocava no pão”, disse. “Eu estava comendo como um rei.”

Os amantes da gastronomia há muito tempo colocam souvenirs culinários nas malas para saborear um pouco da viagem muito depois de voltar para casa, mas as Olimpíadas de Paris de 2024 e as redes sociais aceleraram essa tendência.

A La Grande Épicerie vendeu mais de 700 mil tabletes de manteiga em 2025 — três barras por minuto. Entre 200 opções de 30 marcas, a campeã de vendas foi a Bordier demi-sel de 125 gramas.

“Existe uma febre completamente irracional”, disse Julie Sugliani, responsável por produto e comunicação da Maison Bordier.

A produção chegou ao limite, mas a firma não pretende aumentar sua escala. “Não queremos prejudicar nosso trabalho nem comprometer a qualidade”, afirmou Sugliani.

Na La Grande Épicerie, a febre começa a incomodar os clientes habituais. “Não quero passar horas em frente à geladeira”, reclamou uma consumidora francesa em um domingo recente.

Para os turistas, a parte difícil começa quando chega a hora de levar a preciosa carga para casa.

A manteiga de creme pasteurizado pode ficar em temperatura ambiente por algum tempo graças ao seu alto teor de gordura e baixa umidade, mas isso pode ser colocado à prova em quartos de hotel, onde nem sempre há frigobar, e durante voos longos.

Tutoriais na internet recomendam embalar a manteiga a vácuo — a La Grande Épicerie oferece o serviço por € 1 adicional — e depois congelá-la durante a noite antes de colocá-la na mala entre placas de gelo e roupas.

Torres estava preparada. Ela levou de casa uma bolsa térmica e placas de gelo para as 12 barras de manteiga que comprou. Pediu ao concierge do hotel que armazenasse os pacotes embalados a vácuo e os retirou antes do voo.

Todo o esforço valeu a pena — sua filha, uma confeiteira na casa dos 30 anos, ficou encantada com o souvenir, que ainda estava ligeiramente congelado.

Susan Lazar Mussaffi, chef de Miami, foi meticulosa ao seguir as recomendações para embalar sua manteiga Bordier depois de enfrentar a multidão de Natal da La Grande Épicerie para comprá-la. “Arrisquei minha vida entrando lá.”

Ela colocou os produtos congelados na bagagem de mão, acreditando que estava dentro do limite permitido. A segurança do aeroporto achou o contrário. Confiscou as oito barras. “Fiquei muito deprimida”, disse.

O aeroporto Charles de Gaulle, que segue as regras da União Europeia para bagagem de cabine, e a Administração de Segurança dos Transportes dos EUA (TSA) tratam a manteiga como um produto “pastoso”, esteja ela completamente congelada ou não — embora, no fim das contas, a decisão caiba aos agentes de segurança.

A bagagem despachada é uma opção mais segura, sem limites para líquidos e com a maior parte das malas armazenada no compartimento refrigerado do avião, mas não há garantia. Uma usuária do TikTok mostrou como suas barras cuidadosamente embaladas chegaram derretidas, com a manteiga sabor pimenta vazando sobre as versões de morango e framboesa. “Morango com pimenta não parece bom”, escreveu ela.

O último obstáculo é a alfândega, mas não é uma barreira muito alta. A manteiga francesa comercialmente pasteurizada geralmente é permitida em quantidades de até cinco quilos (11 libras) para uso pessoal.

A influenciadora de Nova York Christine Han comprou oito barras de Bordier — além de uma bolsa térmica e uma placa de gelo — depois de provar a manteiga em um restaurante parisiense.

“Preciso levar isso de volta comigo para os Estados Unidos”, decidiu na hora.

Quando declarou a manteiga no aeroporto JFK, o agente da alfândega olhou para as barras que começavam a descongelar e brincou que ficaria com uma delas — depois liberou a passageira.

A manteiga voltou para o congelador. “Ainda consigo aproveitá-la um ano depois.”

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo