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Binance retoma saques, mas as dúvidas sobre o ataque hacker persistem

A Binance começou a liberar saques de clientes neste domingo, depois que hackers esvaziaram US$ 6,3 bilhões da plataforma no maior roubo cibernético já registrado. O setor de criptomoedas aguarda respostas sobre a invasão, atribuída à Coreia do Norte, e sobre as medidas para reforçar as defesas da corretora.

A maior plataforma de ativos digitais do mundo reabriu os saques de Bitcoin depois das 14h no horário de Singapura, mais de dois dias após suspendê-los por causa da invasão.

Ao anoitecer na Ásia, a corretora havia registrado US$ 3,6 bilhões em “saídas líquidas” – quer dizer, saques menos depósitos.

A primeira fase dos saques cobre 15 tokens, entre eles o Ether e as duas maiores stablecoins, o USDT, da Tether, e o USDC, da Circle Internet Group, informou a Binance no X. Os saques em 15 redes blockchain, incluindo Ethereum, BNB Smart Chain, XRP e Base, foram retomados por volta das 20h30 em Singapura, segundo a firma.

A Binance é muito maior que as rivais, com US$ 132 bilhões em ativos, contra cerca de US$ 29 bilhões da OKX, a segunda maior. “Estamos adotando uma abordagem em fases, priorizando os tokens com base nos dados de demanda dos usuários na última semana, para que cada par de rede e ativo seja restabelecido com cuidado, com as verificações de estabilidade e segurança concluídas antes de o acesso ser reaberto”, disse a Binance.

A SQS Trading, firma de trading quantitativo, tem cerca de um quarto de seu capital de negociação na Binance e vai reduzir esse valor em aproximadamente um terço, segundo o fundador, Eli Williams.

Ele acrescentou que a firma não vai zerar posições nem reduzir o uso da corretora como ambiente de hedge. “É difícil prever qual será o impacto líquido neste momento, mas vamos monitorar as saídas de capital e o impacto no volume em relação às outras grandes plataformas”, disse Williams.

Outros preferem não mudar nada. Justin d’Anethan, chefe de pesquisa da Arctic Digital, consultoria de mercados privados, disse que o ataque não o abalou. “Quando algo parece suspeito, é bom agir rápido; mas, quando acontece algo catastrófico, é melhor não fazer nada”, afirmou. “Não saí e não sairia da Binance.”

Um porta-voz da Binance disse que o volume de saques “disparou no início”, mas agora se estabiliza num patamar que a firma considera normal e que representa um pequeno percentual do total de ativos sob gestão.

A retomada testa a promessa da Binance de ressarcir os clientes após um roubo quatro vezes maior que o recorde anterior, o ataque à Bybit em 2025. O FBI, a polícia federal americana, disse no sábado que o ataque à Binance foi executado pelo TraderTraitor, unidade de elite de hackers norte-coreanos que a agência também responsabilizou pelo roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão na Bybit.

O impacto no mercado parece relativamente contido, com a maioria das principais criptomoedas variando menos de 1% neste domingo. O Bitcoin, que responde por cerca de 60% do valor de mercado do setor, era negociado perto de US$ 78 mil, cerca de 5% abaixo da máxima de quinta-feira, antes do ataque.

“De certa forma, isso mostra o quanto o setor amadureceu”, disse Haseeb Qureshi, sócio-gerente do fundo de venture capital Dragonfly. “Vimos respostas extraordinariamente rápidas.”

A Binance disse que já repôs cerca de 95% das criptomoedas roubadas, usando o caixa da própria firma, fundos de emergência e fundos de seguro. Os recursos desviados no ataque eram uma mistura das maiores criptomoedas em 10 blockchains, incluindo Bitcoin e Ethereum.

“Nosso compromisso continua o mesmo: a Binance vai arcar com o impacto monetário dos fundos roubados”, afirmou. “Essas perdas não serão repassadas aos usuários.”

A corretora consegue cobrir as perdas porque investe continuamente parte da receita em criptomoedas, disse o co-presidente-executivo Richard Teng num vídeo publicado nas redes sociais na sexta-feira. Yi He afirmou que a receita da Binance neste ano cobriria integralmente o valor perdido.

O custo final para a Binance continua incerto. A corretora disse que cerca de US$ 3 bilhões em ativos afetados estavam congelados até sexta-feira, o que não significa que tenham sido recuperados.

Uma série de ataques este ano contra firmas de criptomoedas e o setor monetário em geral aumentou o temor de que a inteligência artificial esteja tornando os hackers mais eficazes. Alguns especialistas em segurança acreditam que hackers norte-coreanos incorporaram ferramentas de IA ao arsenal, o que ajuda principalmente no reconhecimento do alvo e na engenharia social.

Além do FBI, as firmas de inteligência em blockchain TRM Labs, Chainalysis e Elliptic apontaram hackers da Coreia do Norte como responsáveis pelo ataque à Binance.

Os ataques expuseram fragilidades de segurança no momento em que o setor de criptomoedas avança sobre as finanças tradicionais. Centenas de milhões de dólares foram desviados da Bitget em setembro. Hackers também roubaram mais de US$ 100 milhões em Bitcoin de carteiras protegidas por dispositivos da Coinkite, enquanto adulterações em dispositivos da Ledger causaram perdas de milhões de dólares.

Outros ciberataques recentes atingiram o mercado de previsões Polymarket, as financeiras sul-coreanas Mirae Asset Global Investments e Daishin Securities e a plataforma japonesa de câmbio GMO Internet Group.

Yi e Teng enfrentaram na sexta-feira o possível dano de reputação causado pelo ataque. Num vídeo publicado no X, Yi prometeu que a Binance continuaria trabalhando com as autoridades para encontrar os atacantes. A firma se comprometeu a reembolsar todos os usuários que perderam recursos no ataque.

“Não vamos deixar que os hackers tirem o impulso que este setor merece”, disse ela no vídeo, falando em mandarim. “Claro, há pontos em que poderíamos ter feito melhor. Deveríamos ter investido mais em segurança antes e estabelecido padrões mais rígidos. Daqui para a frente, não vamos nos poupar, seja investindo em segurança, seja combatendo os hackers.”

A Binance criou em 2018 uma reserva de emergência chamada Secure Asset Fund for Users, ou SAFU, como proteção para os clientes em “situações extremas”, segundo a corretora. O SAFU costuma ser mantido em torno de US$ 1 bilhão, mas já oscilou no passado em linha com os movimentos do mercado, disse a Binance em 2024.

A Binance disse anteriormente que o incidente pode ter envolvido o laptop de um engenheiro de software que foi comprometido, além de “pontos adicionais de invasão”. A firma disse não ter encontrado indícios de vazamento de chaves privadas.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Bloomberg

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