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Com R$ 70 bilhões em dívidas, Raízen pede recuperação extrajudicial

A gigante do etanol Raízen entrou na noite desta terça-feira (10) com um pedido de recuperação extrajudicial depois de se ver sem alternativas diante de uma dívida bruta que ultrapassa os R$ 70 bilhões, em uma das maiores crises corporativas do país nos últimos anos. A informação foi confirmada pela companhia na manhã desta quarta-feira (11).

A companhia – controlada por Cosan e Shell – já conta com o apoio de credores que representam mais de 47% da dívida e terá 90 dias para atingir a maioria necessária (50% mais um) para a aprovação do plano, conforme exige a legislação, segundo apurou o InvestNews com fontes próximas à companhia.

Trata-se da maior recuperação extrajudicial já registrada no país e representa um capítulo importante da derrocada de uma firma que protagonizou pouco menos de cinco anos atrás um dos maiores IPOs (oferta pública inicial de ações) da história da bolsa brasileira, com valor de mercado de R$ 76 bilhões à época. Nesta terça, a Raízen valia menos de 1%, ou cerca de R$ 700 milhões.

O plano de recuperação deverá abranger cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas e vai estabelecer a suspensão do pagamento de juros, o chamado “standstill“, válido também por 90 dias a partir desta quarta-feira (11), segundo as fontes.

Nesses três meses pela frente, Raízen e credores vão negociar os termos definitivos da reestruturação, o que deverá incluir alongamento de prazos, conversão de parte da dívida em ações e eventuais descontos no valor da dívida, os chamados haircuts.

Negociação em curso

Conforme mostrou a Bloomberg mais cedo nesta terça, alguns dos maiores bancos do país são credores que somam cerca de metade da dívida da companhia, enquanto bondholders, detentores de CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e de debêntures respondem pela outra metade.

Tanto a Raízen quanto seus credores já reduziram posições de hedge cambial que haviam sido montadas para honrar dívidas em dólar, sinal de que as conversas avançavam.

Em paralelo, a companhia negocia um plano de capitalização em que a Shell irá aportar R$ 3,5 bilhões, com um compromisso conjunto do empresário Rubens Ometto de injetar R$ 500 milhões como pessoa física, por meio de sua firma Aguassanta Investimentos.

Nesta terça, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, confirmou em teleconferência de resultados que a companhia não estava mais em negociações com a Shell para resgatar a Raízen, o que deixa credores e a petroleira como protagonistas da solução financeira.

Negociações com credores

As negociações da Raízen com credores preveem a conversão de dívida em participação acionária estimada na casa de 40%, com o objetivo de levar a alavancagem da Raízen para menos de 3 vezes o lucro operacional (Ebitda).

Atualmente, a relação dívida líquida/Ebitda da companhia está em torno de 5,3 vezes, com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, uma alta de 43% em um ano.

Segundo as mesmas fontes que falaram com o InvestNews, a Raízen continuará a pagar fornecedores normalmente – a recuperação extrajudicial suspende “apenas” o serviço das dívidas financeiras.

A informação sobre o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen nesta noite de terça-feira foi publicada inicialmente pelo Brazil Journal.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Rikardy Tooge

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