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De SpaceX à Anthropic: como a Bolsa de NY tem ficado para trás na disputa pelos maiores IPOs dos EUA

A Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e a Nasdaq passaram anos tentando superar uma à outra na disputa pelas firmas mais cobiçadas em novas listagens. As duas bolsas oferecem às companhias a promessa de gerar repercussão no mercado e vantagens como painéis publicitários e festas de gala luxuosas.

Ultimamente, porém, a disputa está longe de ser equilibrada.

A Nasdaq conquistou a listagem de 59 firmas, que levantaram quase US$ 120 bilhões em ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) tradicionais até sexta-feira, segundo dados da Dealogic. Já a NYSE atraiu 32 firmas, que captaram US$ 20 bilhões.

Dos recursos levantados por firmas que escolheram a Nasdaq, US$ 86 bilhões vieram da SpaceX, dona do maior IPO da história. A bolsa poderá acrescentar outros US$ 100 bilhões, aproximadamente, ao total caso a gigante de inteligência artificial Anthropic escolha oficialmente a Nasdaq para sua abertura de capital, planejada para o próximo mês.

Alguns dirigentes da NYSE reclamam, em conversas reservadas, que a decisão da Nasdaq de acelerar a inclusão de grandes firmas recém-listadas, como a SpaceX, em seu popular índice Nasdaq-100 tornou praticamente impossível competir em condições de igualdade.

Para piorar a situação, a Bolsa de Valores do Texas (Texas Stock Exchange, ou TXSE), uma pequena concorrente que pretende desafiar o duopólio de Nova York, começou a operar neste verão do Hemisfério Norte e já começa a atrair firmas que estavam listadas em outras bolsas.

Lynn Martin, presidente da NYSE desde 2022, não está disposta a desistir. Ela vem repetindo um lema aos colegas que a ajudam a disputar grandes IPOs: enquanto o sino não tocar, a firma continua disponível para ser conquistada.

Martin nomeou um novo responsável pelos mercados de capitais dos Estados Unidos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, e o chefe de produtos da bolsa deixou o cargo. Novas contratações destinadas a reforçar a área de listagens devem ocorrer em breve, afirmou uma dessas pessoas.

Fundada em 1792, a NYSE tradicionalmente abriga grandes firmas consolidadas e é conhecida em Wall Street como Big Board. A Nasdaq, criada em 1971, ganhou notoriedade nas décadas de 1980 e 1990 ao listar firmas de tecnologia ainda pequenas e em rápido crescimento, como Apple e Amazon.com, antes de elas se tornarem gigantes.

Embora a NYSE fique atrás da Nasdaq em novas listagens desde 2019, a diferença registrada neste ano já é a maior da história em volume de IPOs. A última oferta pública inicial de pelo menos US$ 5 bilhões que a NYSE conquistou em detrimento da Nasdaq foi a do Uber, em 2019.

As ações da Nasdaq e da Intercontinental Exchange, controladora da NYSE, registram pouca variação no acumulado deste ano. A redução do número de firmas de capital aberto e as margens de lucro apertadas no negócio de negociação de ações obrigaram as duas bolsas a buscar novas áreas de atuação, incluindo serviços de tecnologia financeira (fintechs) e oferta de dados.

Ainda assim, atrair grandes firmas para novas listagens continua sendo uma prioridade para ambas. A repercussão em torno de estreias de grande visibilidade no mercado oferece uma oportunidade de marketing de valor inestimável.

Antes da abertura de capital da SpaceX, a Nasdaq aprovou uma mudança de regra que permite que grandes firmas listadas na bolsa ingressem no índice Nasdaq-100 apenas 15 pregões após a estreia, em vez de esperar até um ano.

A mudança favorece as ações dessas firmas e garante uma base de acionistas que tende a permanecer por mais tempo, graças aos fundos negociados em bolsa (ETFs) que replicam o índice.

Em comparação, a NYSE demorou a entrar no mercado de criação de índices. A bolsa lançou seu índice NYSE 100 apenas no ano passado, 40 anos depois da criação do Nasdaq-100.

Embora o NYSE 100 também permita a entrada rápida de firmas, o índice não conta com uma base expressiva de seguidores. Profissionais do mercado afirmam que isso pode colocar a NYSE em desvantagem permanente na disputa por grandes listagens.

Executivos da NYSE têm cortejado firmas com o argumento de que a bolsa oferece menor volatilidade e um longo histórico de influência na formulação de políticas. Uma porta-voz da NYSE também citou uma análise interna segundo a qual as avaliações de firmas que deixaram a bolsa para ingressar no Nasdaq-100 diminuíram.

Uma porta-voz da Nasdaq afirmou que a bolsa “tem orgulho de ser a parceira preferida das firmas que estão moldando a economia da inovação”. Ela destacou fatores como o conhecimento especializado em determinados setores, a visibilidade da marca e o trabalho de defesa dos interesses das firmas.

A Nasdaq é comandada pela diretora-presidente Adena Friedman desde 2017.

A porta-voz da NYSE afirmou que “meio trilhão de dólares em valor de mercado foi transferido para a NYSE desde o início do ano”, incluindo firmas como Kraft Heinz e Skydance.

As bolsas frequentemente oferecem vantagens às companhias que concordam em mudar de listagem, como publicidade gratuita e taxas menores.

A Nasdaq também conseguiu atrair firmas que estavam na NYSE. Entre elas está a Hilton Worldwide, que anunciou na terça-feira que fará a mudança. No ano passado, o Walmart também deixou a NYSE para ingressar na Nasdaq.

As duas bolsas de Nova York estão de olho na concorrência da TXSE, sediada em Dallas, que vem conquistando espaço. Menos de 1% de todo o volume negociado nos Estados Unidos passa pela bolsa texana, mas ela já conseguiu atrair algumas firmas que estavam listadas nas bolsas de Nova York. O feito não tem precedentes entre novas concorrentes, que historicamente enfrentaram dificuldades para ganhar espaço.

Em parte como resposta à TXSE, a NYSE mudou o nome de sua bolsa eletrônica NYSE Chicago para NYSE Texas em 2025 e transferiu sua constituição jurídica para o Texas. A firma também contratou Bryan Daniel, ex-integrante da equipe de assessores seniores do governador do Texas, Greg Abbott, para presidir a NYSE Texas.

Entre em contato com Corrie Driebusch pelo e-mail corrie.driebusch@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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