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Geração Z quer independência financeira, mas não consegue guardar dinheiro. O desafio é começar

Você ou alguém que você conhece tem entre 18 e 30 anos, possui renda própria, mas ainda não conseguiu montar uma reserva mínima de emergência? Pois saiba que não está sozinho, pelo contrário.

Oito em cada dez pessoas nessa faixa etária (81% para sermos exatos) não têm recursos guardados suficientes para cobrir três meses de suas despesas, segundo um levantamento feito pelo Instituto Locomotiva.

Além disso, 41% daqueles com 30 anos ou menos não têm sobra de recursos no fim de cada mês ou convivem com dívidas.

É um contingente de quase 18 milhões de pessoas no país, que compreende basicamente a chamada Geração Z, de pessoas nascidas entre 1997 e 2010.

Não por acaso, 80% dos jovens dessa faixa etária se dizem preocupados com o futuro monetário – viver de renda é um sonho distante.

O levantamento foi feito a pedido da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), que, de forma evidente, tem interesse no assunto e em fomentar o hábito de guardar dinheiro.

A consciência com o futuro monetário está presente: para dois terços dos entrevistados (65% do total), a preparação financeira para a aposentadoria deveria começar antes dos 30 anos.

Mas o desafio é colocar em prática: 60% dos jovens conseguem, no máximo, tomar decisões pensando apenas seis meses para a frente.

“Para essa geração, falar de aposentadoria muitas vezes gera mais ansiedade do que motivação”, diz Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva.”Para eles, é falar de uma preocupação distante, e não necessariamente de liberdade ou qualidade de vida.”

A pesquisa ouviu 1.000 jovens das classes A, B e C, com renda própria, em todas as regiões do Brasil. Esse público representa aproximadamente 31 milhões de brasileiros, o equivalente a 19% da população adulta.

Os resultados foram apresentados no 47º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar (CBPP), em São Paulo.

Procuramos independência

No outro lado da moeda, o que motiva os jovens para olhar para o longo prazo e fazer um planejamento monetário é a busca por conquistar autonomia e segurança financeira.

Nesse sentido, a independência financeira aparece como principal objetivo para os próximos anos, citada por 39% dos entrevistados.

Em seguida, aparecem a formação de uma reserva de emergência (36%) e ter dinheiro para gastos em viagens e lazer (25%). Guardar para o futuro mais distante ocupa apenas a sétima posição, com 19% das menções.

Mas a realidade é outra, como já dissemos. Vamos descer mais aos detalhes:

Segundo o levantamento, 41% dos jovens não têm sobra de recursos ou convivem com dívidas, enquanto apenas 19% possuem reservas suficientes para cobrir mais de três meses de despesas.

Entre as principais dificuldades para guardar dinheiro estão os imprevistos frequentes (28%), a renda insuficiente (26%) e o endividamento (26%).

Quando projetam as próximas duas ou três décadas, as principais preocupações são a possibilidade de faltar dinheiro (37%), depender financeiramente de outras pessoas (27%) e enfrentar problemas de saúde (25%).

Previdência privada? Nunca ouvi falar

“A pesquisa evidencia a distância entre o que essa geração deseja para o futuro e o que consegue colocar em prática. É uma geração que pensa no amanhã, mas precisa lidar com as pressões financeiras de hoje”, afirma Meirelles.

O levantamento revela ainda que 65% dos entrevistados conhecem pouco ou nada sobre previdência privada, percentual que chega a 75% entre os jovens de 18 a 23 anos.

Além do desconhecimento, há preocupações relacionadas à segurança e à flexibilidade dos produtos: 62% receiam mudanças nas regras ao longo do tempo e 50% têm medo de não conseguir acessar os recursos quando precisarem.

Na avaliação da Abrapp, os resultados da pesquisa reforçam uma discussão que vai além do comportamento monetário dos jovens.

O envelhecimento da população, as transformações nas relações de trabalho e as dificuldades de formação de poupança de longo prazo exigem novas estratégias para ampliar a proteção previdenciária dos brasileiros.

“Somos uma página em branco para a sociedade. Pouca gente sabe o valor dessa previdência para o futuro das pessoas. Precisamos ter uma linguagem mais simples e mais direta com esses trabalhadores”, afirma Devanir Silva, diretor-presidente da associação.

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Autor: Sérgio Tauhata

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