Lucro da Klabin (KLBN11) despenca, ação dispara: CFO explica por que o investidor gostou do balanço em 2025 e pode gostar ainda mais em 2026
A Klabin (KLBN11) encerrou o quarto trimestre de 2025 (4T25) com lucro líquido de R$ 168 milhões, uma queda de 69% em relação ao 4T24. No ano, o lucro líquido acumulado de R$ 1,7 bilhão foi 18% menor que o visto em 2024. Esses dados isolados poderiam assustar os investidores, mas, logo após a divulgação do balanço, na quarta-feira (11), as ações da produtora de papel e celulose dispararam 6%. Mas por quê?
O motivo da boa percepção do balanço pelo mercado, segundo a CFO Gabriela Woge, foi a forte geração de caixa apresentada pela companhia no período, assim como a contínua redução do endividamento e o cenário de menor necessidade de investimentos em 2026.
“O lucro líquido é impactado por itens não operacionais. Prefiro olhar o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização], que mostra a geração operacional de caixa”, disse em entrevista exclusiva ao E-Investidor.
No quarto trimestre, tradicionalmente mais fraco por paradas de manutenção, o Ebitda da Klabin foi de R$ 1,8 bilhão, mesmo patamar visto um ano antes. Já no acumulado de 2025, a geração operacional de caixa somou R$ 7,8 bilhões, uma alta de 7% sobre 2024. O número reforça o que a executiva chamou de “momento de colheita”, após o maior ciclo de investimentos da história da companhia.
Com as novas máquinas de papel ganhando maturidade e os ativos florestais adquiridos em 2023 entrando em plena capacidade, a firma ampliou volumes e, agora, reduz a necessidade de capex (investimentos).
A disciplina financeira, ressaltada por analistas no pós-divulgação do balanço, ajuda a sustentar o ânimo dos investidores. A relação dívida líquida/Ebitda da produtora de papel e celulose recuou de 3,9 vezes em dezembro de 2024 para 3,3 vezes ao fim de 2025. “Entramos numa trajetória descendente clara da alavancagem”, disse Woge.
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Sem novos projetos de expansão relevantes após a troca da caldeira em Monte Alegre (PR), a tendência é de queda adicional do capex nos próximos anos — movimento que vai ampliar o fluxo de caixa livre, segundo a diretora da Klabin.
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A companhia também entregou pelo terceiro ano consecutivo seus guidances de custo caixa e investimentos. O custo caixa total ficou em R$ 3.225 por tonelada, dentro da meta e abaixo da inflação acumulada no período, sinalizando ganho de eficiência operacional.
O capex fechou em R$ 2,8 bilhões, abaixo da projeção de R$ 2,9 bilhões. Além disso, o custo médio da dívida em dólar caiu de 5,7% para 5,2% ao ano, reflexo da gestão ativa do passivo.
Câmbio: exposição relevante, mas controlada
Cerca de 45% da receita da Klabin atualmente é exportada ou atrelada ao dólar. Um real mais fraco, como estamos vendo neste início de 2026, favorece a geração de caixa — já o real mais forte, pressiona. Isso, porém, não é uma grande preocupação para a companhia, segundo Gabriela.
A firma busca neutralidade cambial combinando “hedge natural” (equilíbrio entre mercado interno e exportação), dívida em dólar e derivativos. “Nosso objetivo é ficar o mais próximo possível da neutralidade”, afirma a CFO.
A diversificação geográfica e de portfólio também ajuda. Tensões comerciais abriram espaço para aumento das exportações de kraftliner, enquanto segmentos como papel cartão sentiram mais o ambiente macro.
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Sobre o segmento de papelão ondulado, Gabriela destacou que ele teve “desempenho excepcional” em 2025. A firma cresceu acima do mercado, combinando ganho de participação, contratos estratégicos e reajustes de preço.
Dividendos mantidos (e garantidos)
Segundo a executiva, nada muda em 2026 na política de remuneração ao acionista da Klabin, que segue distribuindo entre 10% e 20% do Ebitda em dividendos, com pagamentos trimestrais. Após antecipação anunciada no fim de 2025, a companhia já garantiu R$ 1,12 bilhão em proventos para este ano, pagos em quatro parcelas de R$ 278 milhões.
Com geração de caixa crescente, capex em queda e dívida recuando, a firma entra em 2026 menos pressionada financeiramente e mais focada em eficiência. O lucro pode ter recuado. Mas, para o mercado, o que pesa e sustenta a tese de investimento na companhia é o caixa. Veja a entrevista na íntegra no player acima, ou no canal do E-Investidor no YouTube.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Anderson Figo
