Na era da IA, EY destinará US$ 100 milhões em bônus a funcionários com ‘habilidades humanas’
Não faz muito tempo, as firmas distribuíam bônus para incentivar o uso de inteligência artificial. Agora, pelo menos uma grande companhia decidiu recompensar funcionários que demonstram justamente as habilidades humanas necessárias para garantir que todo esse uso de IA faça diferença.
A divisão americana da Ernst & Young (EY) afirma que investirá US$ 100 milhões em recompensas para funcionários, reconhecendo pessoas que demonstrem habilidades como adaptabilidade, inovação e capacidade de julgamento, além de experimentação com inteligência artificial.
Os funcionários poderão receber prêmios de reconhecimento de até US$ 500, enquanto a firma de serviços profissionais concederá recompensas em dinheiro de até US$ 25 mil a pessoas e equipes que fizerem uma contribuição relevante para a firma.
Com os ambientes de trabalho inundados pelo chamado “AI slop” (conteúdo de baixa qualidade produzido por inteligência artificial), as firmas dizem que simplesmente pressionar os funcionários a usar a tecnologia não é suficiente.
A KPMG reformulou neste verão seu treinamento para estagiários de auditoria para dar mais ênfase ao ensino de pensamento crítico e capacidade de julgamento. No início deste ano, a PwC dos Estados Unidos lançou um currículo voltado a enfatizar tanto as habilidades em IA quanto características humanas, como empatia e criatividade.
A EY afirma que seu objetivo é recompensar as habilidades e os comportamentos considerados mais importantes para o futuro da firma e de seus clientes. A iniciativa faz parte de um esforço maior para mudar o treinamento e o desenvolvimento profissional em todos os níveis, de estagiários a executivos seniores.
“Este não é um problema que pode ser resolvido com um curso de treinamento ou um único programa; será necessária uma mudança radical e sustentável”, afirma Ginnie Carlier, diretora de talentos e cultura da EY Americas.
A inteligência artificial não está apenas transformando a maneira como o trabalho é realizado nas firmas de serviços profissionais. Ela também está levando muitas companhias a mudar algumas áreas do negócio, passando da cobrança por hora para modelos de preços baseados em resultados, já que a IA está reduzindo o tempo necessário para realizar muitas tarefas rotineiras.
Ainda assim, firmas de consultoria e contabilidade afirmam que a IA está impulsionando os negócios. Em 2025, dado mais recente disponível, a EY informou que sua receita relacionada à inteligência artificial aumentou 30% em relação ao ano anterior.
A EY afirma que os US$ 100 milhões em recompensas estão destinados ao atual ano fiscal. Os funcionários podem indicar colegas de qualquer nível hierárquico, e não há limite para quanto uma pessoa pode receber, segundo Carlier.
Funcionários e equipes podem receber entre US$ 10 mil e US$ 25 mil por contribuições relevantes para a firma, cinco vezes mais do que os valores máximos oferecidos anteriormente.
“O que reconhecemos sinaliza o que valorizamos”, afirma Carlier.
Segundo a firma, o programa de recompensas faz parte de um esforço para garantir que a EY continue atraindo talentos em um mercado que passa por rápidas mudanças.
Recentemente, a companhia anunciou um programa de residência profissional que incluirá até 12 meses de treinamento após o estágio padrão de oito semanas, com o objetivo de garantir que os jovens funcionários recebam orientação e experiência prática.
A firma também investiu em programas intensivos de treinamento para profissionais de IA, dados e engenharia de software. Segundo a EY, 95% dos sócios concluíram sessões presenciais e práticas sobre como a inteligência artificial pode transformar modelos de negócios, fluxos de trabalho e modelos operacionais.
Escreva para Allison Pohle em allison.pohle@wsj.com.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: The Wall Street Journal