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A Volkswagen está em ‘encruzilhada histórica’ e precisa cortar custos, diz presidente do conselho fiscal

O acionista controlador da Volkswagen pediu que a maior montadora da Europa aja rapidamente para reduzir custos e o excesso de capacidade, diante da perda de competitividade da firma.

A Volkswagen deveria considerar “todas as opções” para promover uma recuperação, afirmou na sexta-feira a Porsche Automobil Holding, em seu apelo mais contundente até agora por mudanças rápidas na controladora das marcas Audi e Seat.

A holding controlada pela família proprietária Porsche-Piëch acrescentou que apoia integralmente as propostas da administração da VW, que incluem a eliminação de dezenas de milhares de postos de trabalho.

A Volkswagen “está em uma encruzilhada histórica”, disse em comunicado Hans Dieter Pötsch, presidente do conselho de administração da Porsche, que também preside o conselho fiscal da VW. “Quanto mais as decisões forem adiadas, maiores serão os problemas.”

O austríaco de 75 anos enfrentou uma série de reveses desde que ingressou na Volkswagen, há mais de duas décadas. Seu papel como conselheiro da família bilionária proprietária e seus profundos vínculos corporativos ajudaram o grupo a atravessar conflitos e crises, incluindo o escândalo de manipulação dos testes de emissões de diesel.

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, tenta tornar a montadora mais ágil e enxuta após anos de atrasos em software, custos elevados e queda da rentabilidade. Mas sua margem de manobra diminuiu depois que o conselho fiscal, no qual os sindicatos exercem forte influência, rejeitou no mês passado os planos de fechar quatro fábricas na Alemanha e eliminar até 100 mil empregos.

Blume planeja, em vez disso, reduzir em mais 500 mil veículos a capacidade anual de produção na Europa, enxugar cargos de gestão e administrativos e promover cortes abrangentes no número de modelos e variantes de equipamentos. As negociações sobre a natureza exata das medidas ainda estão em andamento.

A Porsche, entidade listada que controla os principais ativos do clã Porsche-Piëch, informou na sexta-feira um prejuízo após impostos de € 2,22 bilhões (US$ 2,6 bilhões) no primeiro semestre.

A família depende de pagamentos regulares de dividendos, que vêm sofrendo pressão diante da queda dos lucros da Volkswagen e da fabricante de carros esportivos Porsche.

Ambas enfrentam redução das vendas na China e aumento da concorrência na Europa por novos participantes, liderados pela BYD. As fábricas subutilizadas da Volkswagen e uma diferença de custos de 30% em relação a alguns concorrentes significam que a firma precisa reduzir suas despesas gerais em pelo menos € 10 bilhões, afirmou a montadora no mês passado.

Com a queda dos pagamentos aos acionistas, a holding vem tentando diversificar seus negócios para além da indústria automobilística. A firma criou um fundo para realizar investimentos no setor de defesa e comprou participações em companhias como a startup alemã de foguetes Isar Aerospace e a fabricante de drones Quantum Systems.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Bloomberg

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