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Antinori, vinícola italiana de 640 anos, tem 30 mil garrafas roubadas em crime cinematográfico

A Marchesi Antinori, uma das mais tradicionais vinícolas da Itália e controlada pela mesma família há mais de seis séculos, teve 30 mil garrafas de vinho roubadas de seu armazém na Toscana, região no centro da Itália conhecida pela produção de vinhos. A carga está avaliada em € 5 milhões (cerca de US$ 5,6 milhões ou R$ 28 milhões), em um dos maiores furtos de vinhos de alto padrão registrados nos últimos anos.

O crime ocorreu no último fim de semana, no centro de armazenamento da firma em Cortona. Sete homens mascarados desligaram o sistema de alarme, abriram um portão e utilizaram empilhadeiras da própria vinícola para carregar as garrafas em dois caminhões de grande porte. A ação aconteceu na noite de sábado, quando os vinhos já estavam preparados para ser enviados a mercados internacionais.

Os funcionários só perceberam o desaparecimento na manhã de segunda-feira, quando chegaram ao local para dar andamento às remessas. A polícia italiana investiga o caso, mas ainda não havia anunciado prisões até sexta-feira (9).

Segundo Renzo Cotarella, presidente-executivo da Marchesi Antinori, a firma nunca havia sido vítima de um roubo desse porte. As garrafas furtadas não tinham seguro.

“Eu nunca poderia ter imaginado um roubo nessa escala. Não se trata apenas da perda financeira, mas também de um golpe emocional”, afirmou Cotarella ao The Wall Street Journal.

Quais vinhos foram roubados?

Os criminosos levaram garrafas de três dos tintos mais conhecidos da vinícola: Tignanello, Solaia e Guado al Tasso, todos da safra de 2023. Foram cerca de 10 mil unidades de cada rótulo.

Os preços variam conforme o vinho. Uma garrafa de Solaia, o mais caro dos três, costuma ser vendida no varejo por US$ 450 a US$ 560 (cerca de R$ 2.450 a R$ 3.050), segundo o Wall Street Journal. Já os três rótulos têm preços que podem variar de € 150 a € 500 por garrafa (aproximadamente R$ 840 a R$ 2.810), de acordo com o Financial Times.

No caso do Solaia, as 10 mil garrafas levadas equivalem a cerca de 20% da produção total da safra de 2023, segundo a firma.

A vinícola está tentando mobilizar importadores, comerciantes e apreciadores de vinho para ajudar a localizar os produtos. A companhia também alertou o mercado para ofertas suspeitas, especialmente de garrafas vendidas por fontes pouco conhecidas ou a preços muito abaixo dos praticados normalmente.

“Dois caminhões não podem simplesmente desaparecer”, disse Cotarella ao Financial Times. Segundo ele, será difícil distribuir os vinhos internacionalmente sem que alguém reconheça os rótulos.

Vinícola tem quase 640 anos de história

Fundada em 1385, a Marchesi Antinori é uma das firmas familiares mais antigas do mundo. Com sede em Florença, a companhia registrou receita de aproximadamente € 263 milhões (cerca de US$ 300 milhões) no ano passado e exporta seus vinhos para 170 países.

A firma produz vinhos de diferentes faixas de preço, mas ganhou reconhecimento internacional com rótulos como Tignanello e Solaia, associados à região da Toscana e ao segmento de vinhos premium.

O roubo também chama a atenção pelo volume e pela escolha dos produtos. Em vez de levar garrafas aleatórias, os criminosos selecionaram variedades de alto valor comercial, o que pode indicar conhecimento sobre os vinhos e sobre a operação da firma.

Outros roubos de vinho na Itália

O caso da Antinori ocorre em meio a uma série de furtos de vinhos de alto padrão no país europeu.

Neste verão europeu, a histórica vinícola Banfi di Montalcino informou o roubo de 3 mil garrafas de vinhos da linha Alta Langa em seu armazém no Piemonte. Em setembro, criminosos levaram outras 3 mil garrafas de vinhos Barolo da Conterno Fantino, também na região. Os ladrões utilizaram uma empilhadeira disponível no local, e a ação durou menos de três horas.

Restaurantes também são alvos frequentes. Em Milão, dois homens vestidos como trabalhadores roubaram garrafas de Romanée-Conti do restaurante Affinatore. Os vinhos levados foram avaliados em € 280 mil, aproximadamente US$ 313,5 mil ou R$ 1,6 milhão.

Tradicionalmente, os furtos de vinhos na Itália envolvem quantidades menores de garrafas extremamente caras, retiradas de adegas de restaurantes premiados pelo Guia Michelin. O caso da Antinori se diferencia pelo volume da carga e pelo valor total estimado.

Para Cotarella, o prejuízo vai além do dinheiro. Segundo o executivo, funcionários da vinícola chegaram a chorar ao saber do crime, em parte pelo vínculo de algumas famílias com a firma ao longo de gerações.

“Podemos sobreviver sem esse vinho, mas o que me deixa muito triste é saber que isso poderia acontecer conosco”, afirmou ao Financial Times.

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Autor: Redação InvestNews

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