B3 lançará ações tokenizadas no início de 2027. Veja como vai funcionar
A B3 confirmou na quinta-feira (8), durante um evento em São Paulo promovido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que vai lançar ações tokenizadas no início de 2027.
O que é isso? Ações tokenizadas são representações digitais de ações de firmas tradicionais registradas em blockchain.
Em um primeiro momento, as versões “cripto” das companhias brasileiras serão negociadas no mesmo ambiente e no mesmo livro de ofertas dos papéis tradicionais.
A liquidação continuará ocorrendo em D+2, como funciona hoje no mercado. Ou seja, se o investidor comprar ou vender uma ação, a liquidação financeira será realizada dois dias úteis depois da negociação.
Segundo o executivo, o modelo inicial será esse porque a regulação ainda não permite que esses ativos sejam negociados 24 horas por dia, sete dias por semana, como ocorre com as criptomoedas.
“Você já consegue tokenizar uma ação com a regulação atual, mas alguns comportamentos e novas liberdades dependem de alguma autorização regulatória ou de um framework regulatório novo”, disse Humberto Costa, diretor de Produtos de Balcão e Ativos Digitais da B3.
A depender do avanço das conversas com a CVM até o fim do ano, a B3 pretende discutir mudanças no funcionamento desse mercado. Entre as possibilidades estão a ampliação dos horários de liquidação e a adoção da chamada liquidação atômica, em que a transferência do ativo e o pagamento ocorrem de forma coordenada, condicionados um ao outro.
A bolsa ainda não definiu quais papéis estarão disponíveis inicialmente.
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Stablecoin
Além de mudanças regulatórias, a criação de um ambiente com características mais próximas do mercado cripto vai depender também do lançamento da stablecoin pareada ao real, anunciada pela B3 no ano passado.
Segundo a bolsa, ainda é necessário definir o enquadramento regulatório e as regras aplicáveis à moeda digital, incluindo as diferenças entre uma stablecoin e a moeda eletrônica utilizada atualmente.
A expectativa é que, com as definições regulatórias necessárias, as ações tokenizadas e a stablecoin da B3 possam operar de forma integrada.
Vai ficar mais barato?
A tokenização, em teoria, pode reduzir custos ao simplificar etapas das operações e diminuir a necessidade de intermediários. Segundo a B3, os futuros ganhos de eficiência podem gerar economias que seriam repassadas ao mercado.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h
Bitcoin (BTC): -0,02%, US$ 82.458,48
Ethereum (ETH): -1,87%, US$ 2.490,70
BNB (BNB): -2,92%, US$ 740,93
XRP (XRP): -0,71%, US$ 1,38
Solana (SOL): -3,63%, US$ 109,63
Outros destaques do mercado cripto
CVM quer vigiar a blockchain. No mesmo evento em que a B3 falou sobre ações tokenizadas, a Comissão de Valores Mobiliários tratou de regulação, claro. O xerife do mercado de capitais quer ter acesso a informações sobre transações realizadas em blockchain para reforçar a fiscalização e combater a lavagem de dinheiro.
Tecnologia cripto não resolve tudo. Lembram que, em abril, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados monetário e de Capitais (Anbima) lançou seu projeto-piloto de tokenização? A iniciativa usou blockchain para liquidar transações, mas algumas etapas não funcionaram tão bem quanto o esperado. Pelo jeito, a tecnologia cripto não é a solução para tudo. Com o Drex, rolou algo parecido.
Token por voto para Flávio Bolsonaro? Em época de eleição, acontece cada uma, né? Olha essa: um site oferece criptomoedas a usuários que publicam posts pedindo votos para o senador Flávio Bolsonaro. Tem até um vídeo de crianças africanas dançando e cantando “vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro”. A campanha de Flávio afirmou que não tem relação com o conteúdo nem com a venda dos tokens.
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Autor: Lucas Gabriel Marins
