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Bitcoin fica em cima do muro e mercado busca uma direção

O bitcoin (BTC) está meio em cima do muro neste início de agosto. A criptomoeda passou a oscilar em uma faixa mais estreita, entre US$ 62 mil e US$ 65 mil. Há sinais de melhora na demanda, segundo analistas, mas ainda falta força para dizer que o mercado entrou em uma nova onda de alta.

Um dos sinais positivos vem dos ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos, os preferidos dos investidores institucionais. Os fundos registraram cinco sessões consecutivas de entradas na semana passada, com US$ 853,5 milhões em novos recursos, no melhor desempenho semanal desde meados de abril.

“As entradas nos ETFs voltaram, mas precisamos vê-las continuar por um pouco mais antes de assumirmos uma postura claramente construtiva”, escreveu Jasper de Maere, estrategista da Wintermute, em relatório divulgado na segunda-feira (10).

A cautela faz sentido. Depois da sequência positiva da semana passada, os ETFs voltaram a registrar saídas na segunda-feira (10), de US$ 144,6 milhões, segundo dados compilados pela SoSoValue.

A demanda também melhorou entre os compradores que negociam bitcoin diretamente no mercado à vista. Ao mesmo tempo, porém, o volume geral de negociações nas exchanges continua fraco. É como se houvesse mais disposição para comprar, mas ainda não gente suficiente entrando no mercado para sustentar uma alta mais ampla.

Análise da firma cripto Glassnode, divulgada ontem, aponta justamente para esse cenário: o bitcoin se estabilizou, com aumento da demanda dos compradores no mercado à vista e fortes entradas de investidores institucionais. Por outro lado, a liquidez no mercado à vista e a atividade da rede continuam moderadas.

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Derivativos e opções

Nos mercados de derivativos, que permitem apostar na alta ou na queda do bitcoin sem comprar a criptomoeda diretamente, os investidores também ficaram mais ativos. Há mais gente tomando posições e apostando em movimentos do preço, mas sem um aumento exagerado do uso de dinheiro emprestado.

O movimento é um sinal de maior interesse pelo mercado, segundo a Glassnode, mas ainda não indica uma onda de especulação.

Outro sinal até que favorável vem do mercado de opções. Um indicador chamado skew, que mostra o quanto os investidores estão buscando proteção contra uma queda, diminuiu. Na prática, ainda de acordo com a casa, isso significa que eles estão menos preocupados com uma forte correção do bitcoin no curto prazo.

Um pouco de pressão das tesourarias

Um ponto de atenção vem das próprias firmas que mantêm bitcoin em seus balanços. A Strategy, maior tesouraria corporativa de BTC, vendeu 1.690 bitcoins por US$ 108,6 milhões e informou ontem que usará os recursos para recomprar suas próprias ações.

A MARA Holdings também reduziu sua posição. A firma vendeu 23.093 bitcoins por cerca de US$ 1,6 bilhão no primeiro semestre de 2026, a um preço médio de US$ 70.631 por BTC. Com isso, encerrou junho com 35.577 bitcoins, ante 53.822 no fim de 2025.

O fator Fed

Além dos indicadores próprios do mercado cripto, o bitcoin continua bastante sensível ao cenário econômico dos Estados Unidos – especialmente às perspectivas para os juros.

O mercado de trabalho americano mostrou sinais de enfraquecimento em julho, o que reduziu as apostas em uma alta dos juros em setembro, embora essa ainda seja a expectativa predominante no mercado. “O resultado fez, em uma única divulgação, o que três votos dissidentes não conseguiram: as chances de uma alta dos juros em setembro caíram de 55% para 40%”, disse Maere, da Wintermute.

Agora, a atenção se volta para os próximos indicadores de inflação e atividade econômica. O CPI, principal índice de preços ao consumidor dos EUA, será divulgado na quarta-feira (12), seguido pelo PPI, índice de preços ao produtor, na quinta-feira (13). Na sexta-feira (14), saem os dados de vendas no varejo.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.

Bitcoin (BTC):  -1,24%, US$ 64.171,35

Ethereum (ETH): -1,85%, US$ 1.882,34

BNB (BNB): +0,38%, US$ 606,15

XRP (XRP): -2,64%, US$ 1,00

Solana (SOL): -0,94%, US$ 75,79

Outros destaques do mercado cripto

Reação na Câmara dos Deputados. O Banco Central determinou na semana passada que firmas cripto mantenham stablecoins por 24 horas, como mostrado aqui ontem. Pois a medida já provocou reação na Câmara dos Deputados. Uma deputada federal protocolou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para sustar integralmente os efeitos da nova regra do BC. No texto, ela questiona a base legal usada pela autoridade monetária para criar a restrição.

Checklist regulatório. As firmas que já atuam no mercado de cripto e querem obter autorização do Banco Central têm até 30 de outubro para protocolar o pedido, de acordo com as regras da autoridade. E o setor já se movimenta: as firmas estão preparando uma plataforma com um checklist de tudo o que já fazem para mostrar ao BC que adotam controles de risco, auditoria e conformidade mesmo antes da conclusão do processo de licenciamento.

O avanço da tokenização brasileira. E como anda a tokenização no Brasil? Vai bem, obrigado. O total captado por meio dessa modalidade, que transforma ativos tradicionais em tokens registrados em blockchain, já ultrapassou R$ 12 bilhões, segundo dados da plataforma RWA Monitor. Entre os setores com mais projetos nesse nicho do mercado cripto estão monetário, agricultura, imobiliário, logística e saúde.

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Autor: Lucas Gabriel Marins

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