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Bolsa já sobe 46% em 12 meses. Veja o que está por trás da entrada massiva de dinheiro gringo

Os investidores estrangeiros já aportaram R$ 12,3 bilhões nas ações brasileiras. O movimento é tão forte que já equivale a quase metade do dinheiro que entrou na bolsa no ano passado, de R$ 26,7 bilhões – na contabilidade líquida, ou seja, o tanto que as entradas superam as saídas. Esse é o grande motivo para o Ibovespa ter rompido recorde após recorde nesta semana, já na faixa dos 179 mil pontos.

Em apenas cinco pregões, o principal índice da B3 subiu 8%, impulsionado pelo movimento das maiores firmas da bolsa – caso da Vale, que também chegou aos picos históricos. No ano, alta já soma 11%. Em 12 meses, 46%.

Enquanto isso, o dólar permaneceu abaixo dos R$ 5,30, nos menores níveis desde novembro do ano passado.

No fechamento de hoje, o Ibovespa avançou 1,86%, aos 178.858 pontos. O dólar encerrou perto da estabilidade, a R$ 5,2865.

Os estrangeiros estão fazendo a festa no Brasil porque o país é um dos mais líquidos entre os mercados emergentes e, em especial, na América Latina. Em um momento de alta procura por diversificação internacional, são os ativos brasileiros que entram na rota dos recursos internacionais.

Esta semana em especial foi propícia à demanda por ativos considerados mais arriscados. Donald Trump deu um passo atrás no “caso Groenlândia” ao dizer que não aplicaria as tarifas e que não tomaria o território à força. Com menos aversão nos mercados globais, a porteira abriu-se de novo aos emergentes, com mais intensidade.

Mas já faz tempo que uma parte do dinheiro de fora busca outros portos fora dos EUA. O EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – acumula ganhos acima de 7% no ano. Em 12 meses, 38%.

No mesmo período, o S&P 500 soma apenas 13%. Um sinal de que a apostas nas big techs, o motor das bolsas americanas, já não é tão intensa.

Mas nada disso significa uma migração em massa de capital – das bolsas americanas para as da periferia do planeta, como a nossa. Para os estrangeiros, a quantidade de recursos remetida aos emergentes é muito pequena em relação ao que flui todos os dias em Nova York. Para bolsas como a nossa, porém, é um caminhão de dinheiro, capaz de mexer de forma significativa com os preços.

Essa procura por diversificação fora dos EUA explica a demanda pela moeda brasileira nesse momento, em um ambiente de enfraquecimento generalizado do dólar contra outras divisas globais. Do fim de dezembro para cá, o dólar já acumula baixa de 3,5% ante o real.

O desempenho do mercado de bolsa também destoa dos juros dos títulos públicos, justamente porque a justificativa para a disparada das ações é o movimento estrangeiro.

Do lado doméstico, o nível de “prêmio” (ou retorno a mais) exigido pelos investidores para comprar títulos de dívida do governo ainda é muito alto por questões domésticas sensíveis, caso das contas públicas e da proximidade das eleições presidenciais.

Mesmo assim, esse mercado vive um certo alívio. As taxas de juro real (acima da inflação) do Tesouro IPCA+2040 caem de 7,37%, taxa de fechamento de ontem, para 7,30% nesta sexta. AInda nos patamares da história. Mas, ainda assim, trata-se da maior queda no ano.

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Autor: Juliana Machado

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