Carteiras recomendadas para fevereiro: como investir após o rali histórico do Ibovespa
O ano de 2026 começou em ritmo acelerado na Bolsa brasileira. Segundo o Itaú BBA, em janeiro, o Ibovespa avançou 12,6%, no melhor desempenho mensal desde 2020, impulsionado por um fluxo estrangeiro robusto e por um cenário global marcado por incertezas geopolíticas, dólar mais fraco e expectativa de queda dos juros no Brasil. Nesse ambiente de rali e maior seletividade, bancos e corretoras ajustaram suas carteiras recomendadas de ações, buscando equilibrar oportunidades de valorização, geração de caixa e proteção contra eventuais correções.
Esse fluxo não se restringiu ao Brasil. Em meio ao aumento das incertezas geopolíticas envolvendo algumas das principais potências globais, investidores internacionais vêm reduzindo a exposição a ativos norte-americanos em busca de maior diversificação geográfica.
Como o mercado acionário dos Estados Unidos representa cerca de metade do valor de mercado global, afirma o Itaú, a realocação de portfólio foi intensa para diversos países, especialmente os mercados emergentes.
A força desse movimento foi tamanha que chegou a ofuscar eventos tradicionalmente relevantes, como a chamada “Super Quarta“, quando Estados Unidos e Brasil decidiram manter suas taxas de juros inalteradas. As decisões, amplamente esperadas, tiveram impacto limitado sobre os preços dos ativos diante do peso do fluxo internacional.
Geopolítica, commodities e busca por proteção
Janeiro também foi marcado por uma sucessão de episódios geopolíticos que elevaram a volatilidade global. Logo no início do mês, a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela trouxe oscilações aos preços das commodities energéticas. Como o país sul-americano concentra as maiores reservas de petróleo do mundo, parte do mercado avaliou, num primeiro momento, que a ação poderia levar a um aumento da oferta global no longo prazo, pressionando os preços futuros.
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O impacto, no entanto, foi limitado. Rapidamente, as atenções se voltaram para o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, em meio à repressão a manifestações internas e ao avanço do programa nuclear iraniano. Diante desse cenário, o mercado passou a precificar (ainda que de forma remota) a possibilidade de um evento militar que pudesse interromper a oferta de petróleo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente.
Ainda conforme o Itaú, também pesaram no radar dos investidores as discussões envolvendo os Estados Unidos e países da União Europeia sobre a Groenlândia, território pertencente ao Reino da Dinamarca.
Embora o risco de escalada militar tenha diminuído após declarações mais conciliatórias do presidente norte-americano no Fórum Econômico Mundial de Davos, o episódio reforçou a percepção de um mundo mais fragmentado do ponto de vista comercial e geopolítico.
Para o Itaú BBA, esse ambiente elevou a aversão ao risco e impulsionou a busca por ativos de proteção.
“Diante do aumento da incerteza global, vimos uma importante alta dos metais preciosos, como ouro e prata, tradicionalmente associados a cenários imprevisíveis”, afirma o banco.
Dólar mais fraco, juros e suporte ao mercado acionário
O aumento da incerteza internacional teve reflexos diretos nos mercados monetários. A maior demanda por proteção levou o ouro a máximas históricas, enquanto o dólar perdeu força globalmente. O índice DXY recuou para a casa dos 96 pontos, favorecendo as moedas emergentes. No Brasil, o dólar caiu para cerca de R$ 5,20, contribuindo para um ambiente cambial mais benigno.
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Esse movimento reforçou o processo desinflacionário doméstico e ajudou a pavimentar as expectativas para o início do ciclo de corte de juros pelo Banco Central, possivelmente já em março, após a manutenção da Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro. As projeções atualizadas do BC indicam Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,2% até o terceiro trimestre de 2027, próximo da meta.
Ainda há espaço para alta?
Apesar do rali, o consenso entre as instituições é que o mercado não opera em território de euforia. O Banco do Brasil avalia que, mesmo acima dos 180 mil pontos, o índice não negocia com prêmio. Em um cenário hipotético de múltiplos entre 12 e 13 vezes P/E (Preço/Lucro), compatíveis com mercados em tendência de alta, o Ibovespa poderia atingir entre 210 mil e 225 mil pontos.
“O cenário otimista foi ativado como referência, sustentado pelo enfraquecimento do dólar, melhora das condições globais de risco e queda do risco país”, afirma o BB-BI.
Ainda assim, o banco ressalta que o ambiente atual apresenta maior dispersão entre firmas, tornando a seleção de ações mais desafiadora e reforçando a importância das carteiras recomendadas.
É justamente nesse ponto que entram as estratégias de Andbank, Planner e BTG Pactual, cada uma com leituras distintas sobre risco, valuation (valoração de firmas) e posicionamento setorial.
O que fica para o investidor
As carteiras recomendadas de janeiro de 2026 deixam uma mensagem clara, após um início de ano histórico, o mercado segue construtivo, mas mais seletivo.
Para o investidor, o momento exige menos euforia e mais critério. Em um mercado que já subiu forte, a diferença entre resultado e frustração tende a estar na qualidade da escolha, e não apenas na direção da Bolsa.
Carteiras recomendadas para fevereiro
Ágora Investimentos
Para o mês de fevereiro de 2026, a casa optou por não realizar alterações na composição do portfólio.
| Ações |
|---|
| Allos (ALOS3) |
| Axia (AXIA6) |
| BTG Pactual (BPAC11) |
| Cyrela (CYRE3) |
| Itaú (ITUB4) |
| Petrobras (PETR4) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Suzano (SUZB3) |
| Vale (VALE3) |
| Vibra Energia (VBBR3) |
Terra Investimentos
Para fevereiro, o Terra realizou 4 trocas. Excluiu as ações da Ambev (ABEV3), Itaú (TUB4), BB Seguridade (BBSE3) e Gerdau (GGBR4), e as substituiu por Banco do Brasil (BBAS3), Multiplan (MULT3), Fleury (FLRY3) e Marcopolo (POMO4).
| Ações |
|---|
| Klabin (KLBN11) |
| Localiza (RENT3) |
| Vale (VALE3) |
| Prio (PRIO3) |
| Lojas Renner (LREN3) |
| Hypera (HYPE3) |
| Banco do Brasil (BBAS3) |
| Multiplan (MULT3) |
| Fleury (FLRY3) |
| Marcopolo (POMO4) |
Planner
A Planner retirou 5 firmas da carteira: B3 (B3SA3), Itausa (ITSA4), Multiplan (MULT3), Totvs (TOTS3) e Telefônica Brasil (VIVT3). E incluiu: Vivara (VIVA3), Itaú Unibanco (ITUB4), MAHLE-Metal (LEVE3), Vulcabras (VULC3), e WEG (WEGE3).
| Ações |
|---|
| Vivara (VIVA3) |
| Odontoprev (ODPV3) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| MAHLE-Metal (LEVE3) |
| BB Seguridade (BBSE3) |
| Direcional (DIRR3) |
| Engie Brasil Energia (EGIE3) |
| Vulcabras (VULC3) |
| WEG (WEGE3) |
Andbank
A carteira recomendada do Andbank de fevereiro atingiu um potencial de valorização de 5,86%. Veja as ações selecionadas:
| Ações |
|---|
| Axia Energia (AXIA6) |
| BB Seguridade (BBSE3) |
| Bradesco (BBDC4) |
| Copel (CPLE3) |
| Embraer (EMBRJ3) |
| Itaú (ITUB4) |
| Itaúsa (ITSA4) |
| PetroRio (PRIO3) |
| Telefônica Brasil (VIVT3) |
| Vale (VALE3) |
BTG Pactual
Para este mês, o banco realizou 4 mudanças. Retirou as ações da Equatorial (EQTL3), Embraer (EMBJ3) e Cyrela (CYRE3), e as substituiu por Axia Energia (AXIA3), Prio (PRIO3) e Allos (ALOS3). Além disso, as ações da Stone (STOC34) foram acrescentadas à carteira.
| Ações |
|---|
| Nubank (ROXO34) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Stone (STOC34) |
| Axia Energia (AXIA3) |
| Prio (PRIO3) |
| Localiza (RENT3) |
| Raia Drogasil (RADL3) |
| Eneva (ENEV3) |
| Aura (AURA33) |
| Allos (ALOS3) |
Empiricus Research
Para fevereiro, a corretora acrescenta as ações das firmas Nubank (ROXO34) e SmartFit (SMFT3).
| Ações |
|---|
| Porto (PSSA3) |
| Nubank (ROXO34) |
| Itaú (ITUB4) |
| Nubank (ROXO34) |
| Equatorial (EQTL3) |
| Multiplan (MULT3) |
| Localiza (RENT3) |
| Cosan (CSAN3) |
| Rede D’Or (RDOR3) |
| Prio (PRIO3) |
| Direcional (DIRR3) |
| SmartFit (SMFT3) |
Genial
Em relação ao mês de janeiro, saíram as ações da CPFL Energia (CPFE3), Eneva (ENEV3) e Recrusul (RCSL4). Com Inclusão das ações da Alpargatas (ALPA4), Banrisul (BRSR6) e JHSF (JHSF3).
| Ações |
|---|
| Alpargatas (ALPA4) |
| AXIA Energia ON (AXIA3) |
| BTG Pactual (BPAC11) |
| Banrisul (BRSR6) |
| Cogna (COGN3) |
| Copasa (CSMG3) |
| Ecorodovias (ECOR3) |
| Itaú Unibanco (ITUB3) |
| JHSF (JHSF3) |
| Lavvi (LAVV3) |
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Isabela Ortiz