Como o LinkedIn foi além do networking e se tornou também um site de relacionamentos
Quando Rachel Wong viu aparecer uma solicitação de conexão no LinkedIn, não sabia o que pensar.
Sam Sawchuck, que havia trabalhado na mesma firma que ela, observou que os dois provavelmente tinham amigos e colegas em comum. Ele gostaria de tomar um café com ela. Também admitiu, de forma um tanto constrangida, que a tinha visto primeiro no Tinder.
Seria um encontro?
Cansadas da roleta interminável dos aplicativos de relacionamento, cada vez mais pessoas estão procurando o amor no LinkedIn.
Embora as diretrizes da plataforma proíbam estritamente qualquer tipo de investida romântica, está se tornando cada vez mais comum que o site de networking apareça — direta ou indiretamente — na vida amorosa dos usuários.
Cerca de um em cada quatro profissionais acredita que usar o LinkedIn como ferramenta de relacionamento pode ser aceitável, segundo uma pesquisa da Zety, uma plataforma de modelos de currículos.
E 22% disseram que já entraram em contato ou responderam a alguém no LinkedIn com intenção romântica.
“Infelizmente, eu mostrei a solicitação para todas as pessoas do meu trabalho”, contou Wong, rindo.
No fim, isso acabou ajudando. Seus colegas atestaram o caráter de Sawchuck. Depois de dar uma olhada no perfil dele no LinkedIn, Wong percebeu que os dois circulavam por ambientes profissionais semelhantes e que ele parecia ambicioso. Além disso, ele era bonito.
Ela aceitou a solicitação de Sawchuck e, mantendo as coisas no âmbito profissional, perguntou se ele poderia ajudá-la a pensar em uma questão relacionada ao trabalho.
Agora, anos depois de começarem a namorar, o casal está procurando um local para realizar o casamento.
“Se foi pelo LinkedIn, que seja”, disse Wong. “Quer dizer, ele foi a melhor conexão que já fiz.”
O cansaço cada vez maior com os aplicativos de relacionamento levou muitas pessoas a procurar alternativas ao hábito de deslizar perfis para a direita ou para a esquerda.
Solteiros estão experimentando encontros rápidos, criando conexões por meio de interesses compartilhados na vida real e até usando planilhas para tentar organizar melhor seus relacionamentos.
Não deveria ser surpresa, portanto, que uma plataforma aberta ao público, com fotos de perfil claras e muitas informações sobre a trajetória de vida de uma pessoa — justamente coisas que parecem faltar nos aplicativos de relacionamento atuais — tenha se tornado uma ferramenta procurada na busca moderna pelo amor.
Segundas intenções
A coach de relacionamentos Jaime Bronstein é defensora do uso do LinkedIn com segundas intenções. Mas a primeira mensagem deve sempre ser apropriada à plataforma e nunca deixar evidente que existe uma intenção romântica.
Ela sugere elaborar mensagens que tenham aparência de networking, mas mantenham certa ambiguidade.
Três cantadas que devem ser evitadas:
“Você é solteiro(a)?”
Agressivo e potencialmente assustador.
“Espero que isso não seja muito estranho, mas…”
Não plante essa ideia na cabeça da pessoa.
“Você é lindo(a)!”
Também pode ser assustador. Não comece falando da aparência física em uma plataforma profissional.
É claro que nada disso é incentivado pelo próprio aplicativo de networking.
“Nosso foco é garantir que as pessoas estejam protegidas contra investidas românticas indesejadas”, disse um porta-voz do LinkedIn.
Depois que terminou seu estágio, Esme Gordon-Craig usou o LinkedIn para retomar o contato com um colega, sugerindo que eles continuassem uma conversa sobre trajetórias profissionais tomando alguns drinques. Ele escolheu um pub perto do escritório.
Quando estavam do lado de fora, cada um com uma cerveja na mão, “ele meio que falou: ‘Isso é um encontro, não é?’”, contou Gordon-Craig. “E eu respondi: ‘É’.”
Networking e relacionamento
A londrina de 24 anos, que hoje trabalha remotamente como jornalista freelancer, ainda usa o LinkedIn com frequência para fazer conexões — profissionais, sociais e talvez algo mais — que seriam difíceis de estabelecer sem uma equipe ou um escritório.
“Se houver uma faísca, ótimo”, disse Gordon-Craig. “E, se não houver, pelo menos é uma boa oportunidade de networking.”
O site também pode ser uma ferramenta útil para avaliar alguém antes de sair com a pessoa.
Katie Istomin, estudante do segundo ano da Universidade Cornell, quer ter certeza de que qualquer pessoa a quem ela dedique seu tempo terá ambições semelhantes às dela e compreenderá sua rotina corrida.
“O LinkedIn meio que resolve isso para você”, disse Istomin, que verifica a graduação e a participação em clubes e organizações dos possíveis pretendentes. “Você sabe para onde eles estão indo, que são pessoas de alto desempenho — esse tipo de coisa.”
Mas não espere passar despercebido enquanto estiver investigando alguém. O site avisa aos usuários quando alguém visualizou seu perfil — algo que pode tanto ajudar quanto atrapalhar seus planos amorosos.
Uma das colegas de fraternidade de Istomin criou uma conta falsa para poder analisar perfis sem revelar sua identidade.
“O LinkedIn é meio que um dedo-duro nesse sentido”, disse Istomin, referindo-se aos alertas.
A consultora financeira Amal Hagisufi, de San Diego, estava simplesmente recrutando alguém para uma vaga em aberto em sua equipe quando enviou uma solicitação de conexão a Moustafa Madkaur.
“Por trabalhar no setor bancário, eu recebia essas mensagens de recrutamento o tempo todo”, disse Madkaur. Inicialmente, ele ignorou as investidas dela. “Mas ela é muito persistente.”
Então, ele respondeu dizendo que o escritório, a 40 minutos de distância do outro lado da cidade, ficava longe demais.
Mas, quando Madkaur encontrou Hagisufi posteriormente enquanto passava pelos perfis no aplicativo de relacionamentos Plenty of Fish, reconsiderou.
Ao voltar ao perfil dela no LinkedIn, ela parecia ser uma pessoa “focada na carreira, que busca crescer como pessoa”, disse ele. “E você meio que tinha a sensação de que ela possivelmente estava procurando alguém com quem pudesse começar a construir e crescer junto.”
Madkaur enviou uma nova mensagem pelo LinkedIn, desta vez com seu número de telefone. Disse a Hagisufi que continuava não interessado na vaga, mas que a tinha visto em um aplicativo de relacionamentos e que, se ela quisesse sair algum dia, poderia mandar uma mensagem para ele.
“Foi muito mais natural do que a maneira como eu vinha sendo abordada anteriormente nos aplicativos de relacionamento”, disse Hagisufi.
E, como se viu, um encontro era uma motivação muito melhor para fazer o trajeto pela cidade.
Madkaur levou Hagisufi a um restaurante à beira-mar, onde os dois conversaram sobre objetivos profissionais, monetários e pessoais.
“Tudo estava se encaixando”, disse Hagisufi. “Nós sabíamos que queríamos crescer juntos e nos tornar, tipo, um casal de chefes.”
Escreva para Celia Bernhardt em celia.bernhardt@wsj.com.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: The Wall Street Journal