Criptos sob ameaça quântica? Desenvolvedores testam novas blindagens para bitcoin e ethereum
Desenvolvedores e firmas da área cripto estão quebrando a cabeça para pensar em estratégias para lidar com a computação quântica, tecnologia ainda em desenvolvimento baseada na mecânica quântica – aquela área da física que mais parece ter saído de uma série de ficção científica.
Um dos anúncios partiu da firma israelense de software especializada em criptografia StarkWare, que disse ter concluído a primeira transação de bitcoin resistente a computadores quânticos.
Basicamente, é um método que adiciona uma “trava extra” para proteger os fundos. A técnica, chamada signature grinding (trituração de assinatura), cria uma segunda camada de proteção para que um eventual computador quântico não consiga usar a assinatura tradicional do bitcoin – uma espécie de “senha” que comprova que você é o dono das moedas – para roubá-las.
Explico: quando alguém envia bitcoin, a transação vai para uma espécie de fila de espera pública chamada mempool. É nesse período, antes da confirmação, que existe uma janela de vulnerabilidade que um futuro computador quântico poderia explorar. A ideia da StarkWare é justamente fechar essa janela.
Outra proposta veio da Blockstream, uma firma de infraestrutura de bitcoin. A ideia da firma é criar um novo tipo de assinatura digital.
Hoje, para movimentar moedas, é preciso provar a posse delas gerando essa assinatura. O problema é que a matemática por trás desse código atual poderia, no futuro, ser facilmente quebrada por um computador quântico potente.
A proposta da firma, que recebeu o nome de SHRINCS, basicamente usa a SHA-256, uma função matemática que o próprio bitcoin já utiliza, mas de uma maneira diferente para produzir assinaturas resistentes a ataques quânticos.
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Proposta para o ethereum
Os desenvolvedores do ethereum também apertaram o passo. Eles fizeram uma proposta para reformular o contrato inteligente (programa que executa regras automaticamente) usado pelos validadores no staking – processo pelo qual participantes deixam suas criptos bloqueadas na rede para ajudar a protegê-la e recebem recompensas por isso.
Qual a ideia? Basicamente, preparar esse contrato para que ele possa acomodar, no futuro, chaves criptográficas maiores e resistentes a computadores quânticos. A proposta ainda não define qual será essa tecnologia. É, portanto, um primeiro passo para deixar a porta aberta para ela.
Sem alarde
Apesar de vez ou outra aparecerem manchetes sobre computação quântica, ela ainda não chegou ao ponto de representar uma ameaça real às principais blockchains. Há estimativas de que essa tecnologia só irá ganhar vida na próxima década ou pouco depois.
Em evento recente em São Paulo, por exemplo, Devanir Teixeira, business development manager para a América Latina da Lenovo, disse ao portal especializado BeInCrypto que ainda não existe tecnologia capaz de quebrar a segurança da blockchain do bitcoin.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h10.
Bitcoin (BTC): +1,25%, US$ 79.699,41
Ethereum (ETH): +1,52%, US$ 2.505,66
BNB (BNB): +0,22%, US$ 707,67
XRP (XRP): -0,14%, US$ 1,42
Solana (SOL): +7,08%, US$ 104,34
Outros destaques do mercado cripto
O Drex fez seu trabalho. Lembram do Drex, o projeto de real digital do Banco Central? Ele deu uma parada no ano passado por causa de problemas de privacidade. Mesmo assim, o projeto foi visto como um divisor de águas aqui no país, segundo o pessoal do Banco do Brasil. O motivo? O Drex cumpriu seu papel ao aproximar bancos e outras instituições financeiras do universo de blockchain e tokenização.
Um lugar ao sol para as stablecoins de real. Stablecoins de real existem, mas ainda são pequenas e estão buscando seu lugar ao sol. Para o pessoal do Mercado Bitcoin, essas criptos devem ganhar mais espaço à medida que a tokenização de investimentos e outros ativos denominados em real avançar por aqui. Isso porque esse cenário cria a necessidade de uma representação digital da moeda brasileira para liquidar essas operações.
Depósitos tokenizados preocupam o Fed. Depósitos tokenizados podem reduzir em até US$ 700 bilhões a capacidade dos bancos americanos de absorver riscos de juros de longo prazo, segundo estimativas de economistas do Federal Reserve (Fed) de Dallas. A preocupação é que, ao colocar depósitos em blockchain e permitir transferências quase instantâneas, a tokenização torne o dinheiro mais fácil de movimentar entre bancos em busca de melhores rendimentos.
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Autor: Lucas Gabriel Marins