Do ouro à inteligência artificial: descubra os ETFs recomendados pela XP para 2026
A edição mais recente da Bússola de Exchanges Traded Funds (ETFs) da XP parte de um diagnóstico macroeconômico relativamente complexo para organizar suas recomendações de 2026. O pano de fundo é a combinação entre tensões geopolíticas, maior ativismo fiscal nas economias desenvolvidas e rotação de fluxos para fora dos Estados Unidos. Um ambiente que mistura crescimento resiliente com volatilidade política e institucional.
No cenário global, o relatório descreve a volta de uma lógica de “Realpolitik“, com disputas comerciais e estratégicas influenciando o humor dos mercados. Ao mesmo tempo, os EUA seguem exibindo consumo e mercado de trabalho sólidos, enquanto a expansão fiscal sustenta parte do dinamismo. Esse equilíbrio instável entre fundamentos econômicos e ruído político ajuda a explicar a busca por diversificação.
Foi nesse contexto que os metais preciosos voltaram a ganhar espaço. O ouro acumulou alta de 22% em janeiro, em meio à combinação de incerteza geopolítica, inflação ainda latente e enfraquecimento do dólar. Na prática, a exposição ao metal aparece tanto via GOLD11, que acompanha o preço do ouro em dólar, quanto pelo GOLX11, que elimina a variação cambial. O objetivo é entender o ouro como instrumento de descorrelação e proteção em carteiras amplas.
Estrutura global: renda fixa e ações internacionais
A Carteira Global de ETFs sugerida no relatório prevê alocação em renda fixa internacional, renda variável global e uma parcela menor em alternativos. A ideia central é ampliar a diversificação geográfica e de classes de ativos, inclusive com exposição a ativos denominados em moeda forte.
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Na renda fixa, aparecem títulos do Tesouro americano de prazos distintos, como BIEI39 e TBIL39, além de crédito corporativo, incluindo high yield (alto rendimento) via BHYG39. A estratégia busca equilibrar carrego (isto é, o retorno obtido ao manter o título) com menor exposição a vértices longos, em um cenário em que os juros seguem elevados.
Na renda variável global, o núcleo é o ACWI11, que replica o MSCI ACWI e reúne ações de países desenvolvidos e emergentes. A carteira também inclui recortes regionais e setoriais. Entre eles, o BIYF39, focado no setor monetário americano, refletindo a avaliação de que bancos e seguradoras podem se beneficiar de um ambiente de crédito mais ativo e eventuais movimentos de desregulação.
Inteligência artificial como tema transversal
A inteligência artificial aparece como um dos vetores estruturais destacados no relatório. A exposição é feita, por exemplo, por meio do BAIQ39, que investe em firmas globais ligadas a IA e big data.
O argumento é de que os investimentos na cadeia de IA têm se espalhado por diferentes segmentos (não apenas tecnologia, mas também infraestrutura, energia e indústria) o que amplia o alcance do tema. Para investidores que buscam exposição temática mais direta, surgem alternativas como BOTZ39, voltado a robótica e automação.
No campo dos ativos digitais, o relatório lista instrumentos como XBIT11 e XETH11. A inclusão desses produtos reforça a diversidade temática, mas também pressupõe tolerância maior à volatilidade.
Brasil: inflação, dividendos e estratégias fatoriais
No mercado doméstico, a leitura combina inflação relativamente comportada, possível início de ciclo de queda de juros e fluxo estrangeiro relevante. Ainda assim, o ambiente político e eleitoral adiciona incerteza ao cenário.
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Na renda fixa local, a preferência recai sobre títulos indexados à inflação, como XB3511, e prefixados com duration (tempo que um investidor leva para receber o fluxo de caixa de um título) intermediária, como IDKA11. A combinação busca aproveitar taxas reais ainda elevadas e potencial ganho adicional caso haja fechamento da curva de juros.
Na bolsa brasileira, o NDIV11 concentra firmas com histórico consistente de pagamento de dividendos, enquanto o BMMT11 segue uma estratégia de momentum, selecionando ações com melhor desempenho recente. São abordagens distintas: uma mais voltada à geração de renda e estabilidade; outra, à captura de tendências.
ETFs por objetivo: organização prática
Além da divisão por classe de ativos, o relatório organiza os produtos por objetivo do investidor, o que facilita a leitura prática das alternativas disponíveis.
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No conjunto, as recomendações não apontam para uma única aposta concentrada, mas para a construção de portfólios diversificados com ETFs. Entre proteção inflacionária, renda recorrente, temas estruturais e ativos globais, a ênfase recai menos sobre “o ativo do ano” e mais sobre combinação de fatores em um cenário que permanece incerto.
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Autor: Isabela Ortiz
