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Eu fiz um test-drive de um carro elétrico chinês. Agora não quero mais comprar carros americanos

“Minha querida Xiaomi SU7 Max,

Já faz cerca de um mês desde a última vez que estivemos juntas. Agora, toda vez que volto para o meu Ford Mustang Mach-E, não consigo parar de pensar em você — sua longa autonomia, seu interior modular, sua tela de entretenimento absurdamente grande.

À noite, sinto falta da sua iluminação com cores ajustáveis. Nos fins de semana, as crianças falam dos seus microfones de karaokê sem fio, dos walkie-talkies e, sim, daquele frigobar no banco traseiro.

Por favor, volte para a América… por mim.

Para sempre,
Joanna”

O Xiaomi SU7 Max — como outros carros fabricados na China — está, na prática, barrado do mercado americano. Ainda assim, no fim do ano passado, passei duas semanas testando um dos carros mais populares da China nas ruas nada amigáveis de Nova Jersey. Um amigo que trabalhou anteriormente na Xiaomi comprou o veículo e conseguiu uma permissão temporária para dirigi-lo nos EUA. Generosamente, ele me deixou usá-lo por um período prolongado.

Meu tempo com o carro confirmou o que especialistas da indústria automobilística vêm dizendo há anos: caramba, a China está vencendo a corrida dos carros elétricos digitalmente aprimorados.

Montadoras chinesas de veículos elétricos como Xiaomi, BYD e Geely vêm recebendo elogios globais porque seus carros oferecem maior autonomia de bateria e plataformas digitais profundamente integradas. Estamos falando de um software que funciona com a fluidez de um smartphone novinho em folha — não de uma tela que você precisa tocar cinco vezes para carregar o mapa.

Além disso, frequentemente custam dezenas de milhares de dólares a menos do que os concorrentes ocidentais. Na Europa e no México, estão ultrapassando a Tesla e outros rivais de veículos elétricos.

“A realidade competitiva é que os chineses são o gorila de 700 quilos na indústria de veículos elétricos”, me disse o CEO da Ford, Jim Farley, em entrevista no ano passado. “Não há competição real da Tesla, GM ou Ford com o que vimos da China.”

O próprio Farley, depois de dirigir um Xiaomi SU7, disse que não queria devolvê-lo. A firma agora está reformulando sua linha de elétricos, começando por uma picape de US$ 30 mil, para competir diretamente com o que viu vindo da China.

Eu não entendia completamente isso até meu romance com a Xiaomi. Apaixonei-me pelo SU7 Max por dentro e por fora — e agora fico querendo algo que não posso ter, pelo menos por enquanto. Há sinais crescentes de que os americanos talvez não precisem esperar para sempre para experimentar a versão superior chinesa do carro elétrico.

O carro conectado

Smartphones, tablets, máquinas de lavar, torradeiras, aspiradores antiácaro. Se usa eletricidade, a Xiaomi provavelmente fabrica e vende na China. À medida que os carros se tornaram computadores sobre rodas, a Xiaomi passou a fabricar veículos elétricos.

O SU7 Max é exatamente o que você esperaria de uma firma de tecnologia fazendo um carro — não de uma montadora tentando fazer tecnologia. A enorme tela de entretenimento de 16,1 polegadas roda o HyperOS, software da firma baseado em Android. Ela vem recheada de aplicativos — muitos em mandarim, que eu não entendo. Sou, no entanto, fluente em Apple CarPlay, que fica lindo naquela tela gigante.

Um dos meus recursos favoritos: as instruções de navegação não interrompem a música. Elas saem pelos alto-falantes no encosto de cabeça do motorista, enquanto a música ou o podcast continua tocando no restante do carro.

Lembram quando escolhi um veículo elétrico alguns anos atrás? E como reclamei alto da Tesla e de outras marcas por eliminarem botões físicos em favor de tudo na tela? Com a Xiaomi, você não precisa escolher. A firma vende uma barra de controle fina que se encaixa magneticamente na parte inferior da tela, oferecendo botões físicos de verdade para música e ar-condicionado. Milagres acontecem.

Também é possível encaixar outros módulos, como barras de LED — se a sua meta for menos sedã familiar e mais boate de Berlim.

A verdadeira mágica, porém, é para quem vive dentro do ecossistema Xiaomi. Eu podia espelhar tudo o que estivesse em um celular Xiaomi 17 Pro Max diretamente na tela principal. Tablets Xiaomi completos — com jogos e aplicativos — se encaixam na parte de trás dos bancos dianteiros, voltados para os passageiros traseiros, transformando-se instantaneamente em painéis de controle de clima.

Microfones Bluetooth se conectam ao sistema de som, e o aplicativo de karaokê exibe as letras das suas músicas favoritas. (“I Wanna Dance With Somebody”, da Whitney Houston, obviamente.) Walkie-talkies de longo alcance permitem que o motorista se comunique com as crianças que, por motivos óbvios, decidiram se esconder com eles debaixo da cama. Um frigobar se encaixa entre os dois bancos traseiros, e você pode ajustar a temperatura — sim — de qualquer uma das muitas telas.

Como americanos, não vivemos no universo Xiaomi. É como se a Apple tivesse realmente construído o tão falado Apple Car e tudo simplesmente… funcionasse.

Prazer ao dirigir

Não amo esse carro apenas porque é como visitar um shopping de tecnologia chinês. Eu amo dirigi-lo. Deixo a discussão profunda sobre torque, suspensão e outros termos misteriosos para meu colega Dan Neil. O que posso dizer é que este veículo elétrico desliza de forma suave e silenciosa, mas de alguma maneira parece mais esportivo do que meu Mustang Mach-E ou o Tesla Model Y que testei alguns anos atrás.

Por não falar mandarim, não consegui testar os recursos de direção autônoma. Mas, em uma viagem da minha casa em Nova Jersey até Nova York, ativei o modo avançado de assistência ao motorista. O carro freava, esterçava e acelerava de maneira mais suave do que meu Ford Mustang Mach-E. Notei isso especialmente ao entrar lentamente no túnel Holland — um trajeto que já fiz muitas vezes com meu Mustang.

Nessas mesmas idas a Nova York, a autonomia da bateria superou minhas expectativas — moldadas pelo meu Mustang Mach-E. Em um dia muito frio — quando baterias de veículos elétricos costumam perder desempenho — um trajeto de 80 quilômetros (ida e volta) consumiu menos de 30% da carga. A Xiaomi anuncia autonomia de 810 quilômetros com uma única carga no SU7 Max. Para carregá-lo em casa, usei meu carregador de nível 2 com um adaptador, já que a China usa plugues diferentes.

Ainda não sabemos sobre a confiabilidade de longo prazo ou o desempenho de segurança desses carros, segundo analistas com quem conversei. Para eu me tornar uma cliente séria, precisaria obviamente de mais informações. Mas minha impressão durante o curto período com o SU7 foi de que se trata de um veículo bem projetado e bem construído.

A barreira global

Então, vocês entenderam: eu me apaixonei por tudo nesse carro — inclusive pelo preço. Na China, o preço de lançamento começou em 299.900 yuans, algo em torno de US$ 43 mil — na mesma faixa de um Tesla Model Y. Ainda assim, a experiência Xiaomi parece mais premium. Claro, especialistas disseram que o SU7 Max custaria mais se fosse vendido nos EUA.

“Se”? Ou devo dizer “quando”? Atualmente, há uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos fabricados na China — além de outras tarifas — e restrições federais sobre tecnologia chinesa de carros conectados. Mas esses obstáculos podem não durar para sempre.

No início de janeiro, em discurso no Detroit Economic Club, o presidente Trump afirmou que montadoras chinesas seriam bem-vindas se fabricassem carros nos EUA, utilizando fábricas e trabalhadores americanos. “Deixem a China entrar”, disse ele.

“Você com certeza terá um carro como o Xiaomi SU7 aqui — sem dúvida”, afirmou Michael Dunne, CEO da consultoria automotiva Dunne Insights.

“Os fabricantes chineses estão preparados e prontos para avançar assim que a porta se abrir — e essa porta se abre não por meio de importações, mas por meio da produção aqui”, disse ele, acrescentando que isso pode acontecer nos próximos dois anos. A Geely já indicou algo nesse sentido, embora a Xiaomi tenha afirmado que não tem planos atuais para os EUA.

Eu vou esperar por você, Xiaomi. Um dia estaremos juntas novamente.

Escreva para Joanna Stern em joanna.stern@wsj.com

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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