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Exclusivo: Demora no Cade coloca em xeque caixa da Braskem e acordo IG4-Petrobras

A demora na análise do processo que trata da troca de controle da Braskem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode levar a um desmanche no acordo entre a IG4 e a Petrobras para dividirem o controle da petroquímica e comprometer a sua saúde financeira, apurou o InvestNews. A operação foi apresentada à autarquia no dia 23 de dezembro.

Segundo pessoas próximas às negociações, a Braskem teria apenas mais quatro meses de caixa e enfrentaria dificuldades para quitar pagamentos de juros já na metade do ano. Procurada, a Braskem não comentou.

Sem o aval do órgão antitruste, nem a IG4 nem a Petrobras podem assumir de fato as discussões sobre a renegociação das dívidas da companhia. “É uma situação insustentável, não existe justificativa técnica para não aprovarem”, diz uma das fontes.

De acordo com o balanço mais recente da Braskem, a petroquímica encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o resultado operacional (Ebitda).

A avaliação neste momento é que o impasse, considerado “político-institucional”, pode levar a gestora a desistir da operação. Procurada, a IG4 não comentou.

Processo longo

Um executivo lembra que, quando o empresário Nelson Tanure tentou adquirir o controle da Braskem, em julho do ano passado, a aprovação do Cade ocorreu sem restrições em apenas 12 dias – o processo acabou se alongando por mais três meses depois que a Petrobras contestou a decisão.

Um dos pontos levantados nos bastidores é que a demora na análise pelo Cade poderia refletir pressões políticas em torno da autarquia e da Petrobras. “Está sem prazo [de análise] e ninguém sabe quando será”, reforça outra fonte.

Em paralelo, a estatal estaria em desentendimentos com a Novonor (ex-Odebrecht), sua atual sócia na Braskem, sobre investimentos na Refinaria Riograndense, no Rio Grande do Sul, um projeto de conversão da unidade para produção de combustíveis renováveis, conduzido em parceria com o grupo Ultrapar.

Profissionais que acompanham a Braskem de perto afirmam que a companhia enfrenta uma situação financeira cada vez mais delicada, com vencimentos relevantes de juros previstos para o meio do ano e sem nenhum espaço no mercado para novas captações.

Reestruturação maior

A avaliação de momento é que, se mantido o ritmo atual da análise regulatória, existe o risco de que a Braskem vá precisar discutir uma reestruturação mais ampla da dívida antes mesmo da conclusão da mudança de controle. “Se a situação continuar se deteriorando e não houver tempo, a companhia pode acabar parando em uma recuperação judicial”, acrescenta a fonte.

No dia 15 de dezembro, a gestora IG4, do empresário Paulo Mattos, fechou um acordo com os credores da Novonor (ex-Odebrecht) para assumir as ações da Braskem e se tornar o controlador da petroquímica, ao lado da Petrobras, que seguirá como sócia relevante e co-controladora. A tendência é que o CEO seja indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho fique com a Petrobras.

Em 23 de dezembro, IG4 e Petrobras deram entrada com o pedido no Cade. As partes sustentam que se trata apenas de uma substituição de controlador, sem efeitos concorrenciais relevantes. No mês passado, o Cade decidiu esticar a análise do processo, sem prazo determinado. A última movimentação no processo ocorreu nesta quarta-feira (4), com despacho no gabinete da presidência do órgão.

Procurados, Braskem, Cade e Petrobras não comentaram até a publicação deste texto.

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Autor: Rikardy Tooge

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