O dinheiro volta inteiro? Quanto de fato rendeu um CDB do Master
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vai devolver aos investidores dos CDBs do Master o dinheiro que foi investido neles além da rentabilidade até o momento em que o banco foi liquidado. E o que isso significa, na prática? Resposta: um dinheiro corroído pelo imposto, pela inflação e pelo retorno prometido que nunca virá.
Quem comprou um CDB do banco em janeiro do ano passado, por exemplo, a 120% do CDI e resgatou o investimento em novembro, antes da liquidação, recebeu normalmente o dinheiro e os rendimentos acumulados até ali, calculados com base na taxa contratada.
A situação muda para o investidor que manteve o CDB em mãos após a liquidação da instituição. Considerando um CDI de 15% ao ano, um CDB que prometia pagar 120% do CDI acabou entregando algo próximo de 102% do CDI quando se considera todo o período até o pagamento. É um nível semelhante ao que hoje é pago por CDBs de grandes bancos, justamente por envolver menos risco.
Em números: um investidor que aplicou R$ 10 mil no CDB do Master em janeiro e ficou dois meses sem rendimento deixou de receber cerca de R$ 300 em juros brutos. Como o pagamento ocorre após mais de um ano da aplicação, incide Imposto de Renda de 17,5%, o que reduz esse valor para algo em torno de R$ 250 líquidos que não entraram na conta.
Além disso, há o efeito da inflação. Nesse mesmo período, a alta dos preços corroeu aproximadamente R$ 60 do poder de compra do capital investido.
No fim do dia, somando os juros que deixaram de ser pagos e a perda inflacionária, o investidor deixou na mesa R$ 310.
E vale destacar: esse exemplo considera uma aplicação feita em janeiro do ano passado, um horizonte um pouco maior. Quem comprou o CDB em junho do ano passado, por exemplo, ficou com ele por menos tempo ainda e colheu um impacto ainda maior, com um retorno efetivo que, anualizado, se aproxima do que entrega a poupança, apesar de o investimento ter assumido riscos bem maiores.
Quer dizer, o dinheiro do FGC vai voltar, mas o episódio mostra que o tempo em que o capital fica parado tem um custo enorme. O que era para ser um investimento com um prêmio elevado sobre o CDI virou algo bem mais próximo do básico – e olhe lá.
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Autor: Juliana Machado