“O preço atual da ação não reflete o valor que deveria”, diz CEO da Renner (LREN3), que prevê investir R$ 1 bilhão em 2026
O CEO da Renner (LREN3), Fabio Faccio, avalia que o preço atual das ações da companhia “não reflete o valor que deveria”, após a varejista reportar resultados sólidos em 2025. Em entrevista exclusiva ao E-Investidor, o executivo reforçou que a firma pretende executar integralmente seu novo programa de recompra, anunciado em dezembro de 2024, enxergando a ação “muito barata” diante das perspectivas operacionais.
A leitura vem na esteira de um ano de desempenho robusto. A companhia encerrou 2025 com lucro líquido recorde de R$ 1,5 bilhão, alta de quase 22%, enquanto receita e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceram 9,2% e 20,3%, respectivamente, sobre 2024. No quarto trimestre, o lucro avançou 13,4%, sustentado por ganhos de eficiência.
Segundo Faccio, o principal motor de crescimento não foi a abertura de lojas, mas a evolução do modelo operacional.
“Conseguimos crescer receita com aumento de margem bruta e diluição de despesas”, afirmou.
O avanço decorre de três frentes: ganho de volume, preços alinhados à inflação e, sobretudo, melhora no mix, com menor necessidade de remarcações e venda a preço cheio.
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Esse último fator está diretamente ligado à transformação da cadeia produtiva. A firma vem reduzindo estoques antigos e acelerando o giro por meio de tecnologia, integração com fornecedores e uso de dados para decisões mais rápidas. Em 2025, mesmo com crescimento de vendas, a Renner reduziu o estoque total e cortou em 16% os itens mais antigos — movimento que sustenta margens mais altas e menor risco de liquidações.
O ganho de eficiência operacional tem se traduzido em expansão consistente de rentabilidade, com potencial de continuidade, segundo Faccio. A companhia projeta elevar o giro de estoques de cerca de 3,2 vezes para 4 vezes até o fim da década, o que tende a melhorar ainda mais o ciclo de caixa.
Para 2026, a Renner mantém guidance de crescimento de vendas (receitas) entre 9% e 13%, mesmo em um cenário macroeconômico ainda desafiador, com juros elevados e consumo pressionado. A expectativa é de um primeiro semestre mais fraco e aceleração na segunda metade do ano, com contribuição maior da expansão física — a firma planeja abrir entre 50 e 60 lojas neste ano, ante 34 em 2025.
Ainda assim, a disciplina permanece. No braço monetário Realize, a companhia segue com concessão de crédito mais seletiva, como tem feito há dois anos, priorizando controle de inadimplência em um ambiente de renda pressionada.
Payout elevado
Do ponto de vista de alocação de capital, a recomposição de valor ao acionista passa tanto por distribuição quanto por recompra. Após anos com payout acima de 100% (considerando dividendos e buybacks), a firma espera dar retorno entre 50% e 80% do lucro nos próximos anos, mantendo espaço para investimentos.
Nesse contexto, a recompra ganha protagonismo. “Entendemos que é um bom uso dos recursos, porque a ação não reflete nosso valor”, disse Faccio. O CEO falou ainda sobre o portfólio de marcas e o potencial de expansão de cada uma delas, além da sinergia produtiva nas vendas digitais. Veja a entrevista na íntegra no player acima, ou clique aqui.
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Autor: Anderson Figo