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O que o 4T25 da Nvidia e a projeção de US$ 78 bi para 2026 dizem sobre a bolha de IA

O balanço da Nvidia (NVDC34) no quarto trimestre de 2025 (4T25), divulgado após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (25), afasta sinais imediatos de bolha na inteligência artificial (IA). A firma de infraestrutura de IA reportou receita de US$ 68,1 bilhões, alta de 73% em um ano, e projetou US$ 78 bilhões para o próximo trimestre, acima do que estimava o mercado monetário.

“O ponto mais relevante foi o guidance da Nvidia (projeções de desempenho da própria companhia). Projetar US$ 78 bilhões para o próximo trimestre, acima do consenso de US$ 72 bilhões, tira o principal medo do mercado, que era uma possível desaceleração”, observa Celso Brandão, CEO e fundador da Avex AI Lab.

O executivo comenta que esse ritmo de crescimento equivale a uma base anual acima de US$ 300 bilhões, o que trará a firma para um novo patamar de receita. A companhia fechou 2025 com faturamento de US$ 215,9 bilhões (+65%  na comparação com o 4T24). “A tese de que os agentes de IA vão aumentar o consumo de computação ajuda a sustentar esse cenário”, afirma.

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Diferente de um chatbot comum (tipo o ChatGPT), o agente de IA age de verdade no mundo digital: abre abas, pesquisa, usa ferramentas, envia e-mails, atualiza planilhas, faz compras.

Guidance da Nvidia afasta o medo de desaceleração

Para Maria Irene Jordão, estrategista global da XP Investimentos, as projeções da Nvidia sugerem que o ciclo de investimento em infraestrutura de IA por parte de ‘hyperscalers como Microsoft, Alphabet (dona do Google) e outros ainda está longe de mostrar sinais de desaceleração. “Vide guidances de capex (investimentos) divulgados pelas companhias, apesar das discussões recentes sobre ‘AI capex fatigue‘ (‘fadiga nos investimentos em IA’, em tradução livre)”.

As hyperscalers operam data centers que oferecem infraestrutura em grande escala para a expansão da IA. Esses clientes da Nvidia já investiram até 2025 quase US$ 2 trilhões em expansão computacional e projetam mais US$ 630 bilhões para este ano. Os números estratosféricos, no entanto,  reforçam temores de sobreinvestimento.

“O risco sempre existe quando o capex cresce nessa magnitude”, comenta Brandão. “Hoje, no entanto, o movimento ainda parece estrutural”, observa.

Data centers puxam crescimento

Os investimentos se justificam porque as big techs – como são chamadas as firmas líderes do setor de tecnologia – que operam a infraestrutura de nuvem em grande escala têm necessidade de mais poder de computação. “Para firmas que disputam a liderança em inteligência artificial, não faz sentido acumular GPUs (chips de IA) e data centers obsoletos”, diz Jordão.

Neste sentido, a Nvidia entrega com muita rapidez novos ciclos de inovação, forçando uma renovação constante de hardware para capturar ganhos de performance e eficiência. “Ao mesmo tempo, os grandes hyperscalers seguem focados em elevar produtividade e monetização dos modelos, o que tende a sustentar a demanda por chips mais avançados”, diz.

Por enquanto, a maior firma do mundo em valor de mercado (US$ 4,77 trilhões) segue crescendo trimestralmente acima de 50% ano contra ano e essa performance continua a impressionar os analistas.

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Nos resultados do 4T25, o destaque continuou sendo a receita de data centers, que atingiu US$ 62,3 bilhões, numa alta de 75,1% em relação ao 4T24. Esse desempenho mostra a força da demanda por chips de IA.

Indicador Nvidia Setor IA
Receita trimestral US$ 68,1 bilhões
Receita Data Centers US$ 62,3 bilhões
Guidance próximo trimestre US$ 78 bilhões
Projetos de investimento US$ 630 bilhões
Investimento acumulado US$ 2 trilhões

Mercado reage com cautela mesmo com números fortes

Após a divulgação, as ações da companhia (NVDA) chegaram a subir mais de 2,5%, mas a alta foi desacelerando para perto de 0,5%. Na visão da estrategista da XP, esse comportamento do mercado vem em linha com o padrão dos últimos dois trimestres.

Apesar de números muito fortes, o papel acaba cedendo por questões de posicionamento, realização de lucro e preocupações sobre sustentabilidade de margens e capex futuro.

Por enquanto as chamadas Sete Magnfícas – grupo formado pelas firmas Nvidia, Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Meta e Tesla – continuam com peso muito alto no S&P 500, com cerca de 33% do índice. Mas este ano o ceticismo do mercado monetário em relação à sua capacidade de manter crescimento está falando mais alto e o desempenho de suas ações forçam o índice para baixo, enquanto outros setores empurram para cima.

Maria Irene Jordão observa que diferentemente do início da euforia, quando praticamente qualquer firma que alegava ser participante da narrativa de inteligência artificial recebia prêmios enormes, hoje mercado passou a ser mais seletivo.

O que pode acender o alerta de bolha de IA

CEO da Nvidia, Jensen Huang | Foto de YOSHIKAZU TSUNO/Gamma-Rapho via Getty Images

Na visão da XP Investimentos, um ciclo saudável de IA é marcado por três pilares principais: alavancagem controlada, retornos sustentáveis e compatíveis com o risco de investimentos realizados e, “sobretudo”, crescimento de receita e lucro que justifique a precificação dos papeis.

“O mercado tem separado o joio do trigo, ao colocar como mais expostas a correções firmas que não cumprem esses requisitos. Mas, por enquanto, não enxergamos sinais claros de bolha generalizada no setor”, diz.

Para ela, a corrida de IA tende a produzir ganhadores e perdedores, com ajustes de preço ao longo do caminho, “que não necessariamente configuram o estouro de uma bolha”.

Múltiplos da Nvidia ainda são sustentáveis?

Para Brandão, da Avex, com os múltiplos atuais (a Nvidia é precificada em 49 vezes o seu lucro) o mercado termina exigindo execução consistente. Ele lembra que a companhia deixou de ser apenas uma firma de crescimento e virou infraestrutura central da economia digital. “Isso justifica prêmio. Mas qualquer sinal de desaceleração mais forte, compressão de margem ou ganho relevante de participação por concorrentes pode gerar reprecificação.”

Comparação histórica de preço sobre lucro (P/L) da Nvidia nos últimos 5 anos

Ano P/L
2021 84,1x
2022 74,6x
2023 80,7x
2024 80,5x
2025 46,6x

*P/L indica quantos anos de lucro o investidor necessita para pagar a compra da ação e indica o quanto o mercado exige de crescimento. P/L alto é igual a expectativa elevada; baixo é igual a risco ou oportunidade. Fonte: Investing.com

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Diferentemente da bolha da internet no começo dos anos 2000, quando muitas firmas negociavam a múltiplos elevados sem geração consistente de caixa, no ciclo atual de IA o mercado precifica crescimento já entregue, mas exige que ele continue em escala.

Investimentos em IA terão de mostrar resultados

Por enquanto, o preço atual assume que o ciclo de IA continua e que a firma mantém liderança tecnológica. O mesmo vale para as hyperscalers, que vão precisar manter crescimento real de receita e não só aumento de capex. Na visão do executivo da Avex, o mercado vai manter a atenção na taxa de utilização dos data centers e qualquer sinal de capacidade ociosa acenderá o alerta.

Além disso, os investidores vão passar a exigir evolução de margem operacional após esses investimentos bilionários e vão ficar de olho na adoção corporativa concreta de agentes e automações em escala produtiva. A diversificação da demanda, além das big techs, é um ponto de atenção já que a aplicação restrita poderia sinalizar algum problema nessa infraestrutura.

“Bolha surge quando o investimento cresce, mas a geração de valor não acompanha”, diz Brandão. Para ele, um ciclo saudável aparece quando a tecnologia melhora produtividade e margem de forma mensurável. “Ainda vejo mais estrutura sendo construída do que especulação pura”, afirma, após o balanço da Nvidia no 4T25 arrefecer temores de bolha da IA.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Leo Guimarães

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