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Peptídeos injetáveis são a mais nova febre no TikTok. Médicos estão preocupados

Jaime Garcia injeta cinco peptídeos diferentes em seu corpo, que obtém por meio de um médico e de uma firma de telemedicina.

A moradora de Los Angeles, de 44 anos, afirma que os peptídeos ajudaram com uma série de sintomas com os quais ela lida há muito tempo devido a um distúrbio do sistema nervoso autônomo. “Mudou a minha vida”, diz ela sobre os quatro meses em que segue o regime.

Peptídeos injetáveis como BPC-157 e TB-500 estão em alta em Los Angeles e em outros lugares onde o bem-estar é cada vez mais foco de atenção. Depoimentos inundam o TikTok e outras redes sociais.

Há, no entanto, uma realidade amplamente ignorada: muitas dessas substâncias são, em grande parte, ilegais desde 2023, quando a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos responsável por aprovar e fiscalizar medicamentos e alimentos, retirou 19 peptídeos de uma lista de medicamentos que farmácias de manipulação poderiam produzir.

Isso pode mudar. A FDA deve realizar painéis ainda este ano para discutir a suspensão das restrições e permitir que farmácias de manipulação voltem a produzir 12 desses peptídeos.

O que são peptídeos?

Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que podem desempenhar funções na regulação de hormônios, na liberação de neurotransmissores e na reparação de tecidos.

Os peptídeos em questão são sintéticos. Existem alguns peptídeos aprovados pela FDA, como os populares medicamentos de perda de peso da classe GLP-1. Outros são aprovados para condições específicas, mas às vezes são prescritos de forma “off-label” para ganho de massa muscular, imunidade e outros usos.

A popularidade de medicamentos injetáveis GLP-1, como Wegovy e Zepbound, tornou o uso de injeções mais comum e socialmente aceito, segundo médicos, contribuindo para o crescimento do interesse por peptídeos.

E os peptídeos das redes sociais?

Peptídeos injetáveis não aprovados pela FDA incluem BPC-157, TB-500 e CJC-1295, usados com frequência para ganho muscular, aceleração da recuperação de lesões, redução da inflamação e efeitos antienvelhecimento.

“Eles são basicamente drogas ilegais não aprovadas”, afirma Paul Knoepfler, professor de biologia celular e anatomia humana na Escola de Medicina da UC Davis.

Muitos pacientes querem saber se esses peptídeos ajudam na recuperação de lesões musculoesqueléticas ou na cicatrização após cirurgias, diz o Dr. Alexander Weber, chefe de medicina esportiva da Universidade do Sul da Califórnia.

A resposta de Weber é direta: “Como médico, começo deixando claro que são injetáveis não aprovados e não regulados pela FDA. Não prescrevo esses medicamentos. Não temos dados clínicos de longo prazo.”

Weber, o Dr. Cory Mayfield e outros pesquisadores publicaram recentemente um estudo no American Journal of Sports Medicine, revisando a literatura sobre peptídeos injetáveis populares. Eles encontraram apenas um estudo em humanos, mal conduzido.

Alguns estudos em animais mostraram resultados promissores, mas não avançaram, afirma Mayfield.

Quais são os riscos à saúde?

Pesquisadores como o Dr. Luke Turnock alertam contra o uso desses peptídeos, já que não se conhecem seus efeitos de curto ou longo prazo.

A maior preocupação é o possível aumento do risco de câncer, já que muitos deles — como o CJC-1295 — aumentam a secreção do hormônio do crescimento ou estimulam o crescimento de tecidos. Outros, como o BPC-157, também promovem a formação de novos vasos sanguíneos, o que pode favorecer o crescimento de tumores.

Outro risco é o uso combinado, quando consumidores utilizam múltiplos peptídeos ao mesmo tempo, o que pode gerar efeitos tóxicos de longo prazo, segundo Knoepfler.

“Pode levar de 5 a 10 anos para perceber se muitas pessoas desenvolveram danos renais ou não”, diz ele. “E o câncer pode levar 10 ou até 20 anos para se manifestar após a exposição.”

Produtos também podem estar contaminados, alerta a Dra. Shaila Pai-Verma, clínica de medicina interna em Chicago.

“São substâncias estéreis que deveriam ser injetadas no corpo”, diz ela. “Mas estão contaminadas com metais pesados? Com bactérias? Isso é uma grande preocupação.”

Ela afirma já ter atendido pacientes com reações agudas, como erupções na pele, e até casos de intoxicação por metais pesados.

Outros efeitos observados incluem visão turva, erupções cutâneas, ansiedade e depressão, além de riscos de interação com medicamentos prescritos.

É possível obter peptídeos hoje?

Alguns médicos já estão prescrevendo peptídeos.

A Dra. Lisa Cassileth, fundadora de uma clínica de cirurgia plástica e bem-estar em Beverly Hills, diz que obtém peptídeos injetáveis de farmácias de manipulação no Texas e na Flórida, onde há menos fiscalização sobre como esses compostos são classificados.

Ela afirma não incentivar a compra online, mas confia na qualidade dos produtos dessas farmácias, que são obrigadas a testar lotes e seguem regulações estaduais.

Ela usa peptídeos principalmente em pacientes no pós-operatório para ajudar na cicatrização e reduzir inflamação, evitando seu uso em pacientes com câncer de mama devido a preocupações com possível estímulo ao crescimento tumoral.

A liberação da FDA tornaria os peptídeos mais seguros?

Para Luke Turnock, permitir a produção por farmácias de manipulação não resolveria o problema, já que os insumos provavelmente viriam dos mesmos laboratórios estrangeiros usados pelo mercado paralelo.

Já Scott Brunner, CEO de uma associação de farmácias de manipulação, afirma que a liberação poderia melhorar a segurança, ao reduzir o mercado ilegal.

Consumidores tomam decisões por conta própria

Jaime Garcia diz que inicialmente teve medo de injetar peptídeos, mas mudou de opinião após perceber os resultados.

“Tenho muita ansiedade sobre colocar coisas no meu corpo, nem ibuprofeno eu tomo às vezes”, diz ela.

Ainda assim, afirma que os benefícios superam os riscos, embora continue preocupada com possíveis efeitos de longo prazo, como câncer.

Médicos apontam a contradição: pacientes hesitam em usar medicamentos com décadas de evidência, mas aceitam injetar substâncias sem aprovação.

“É difícil convencer pacientes a tomar estatinas, que têm enorme base científica”, diz Pai-Verma. “Mas eles estão dispostos a se injetar com peptídeos.”

Escrito por Sumathi Reddy — Sumathi.Reddy@wsj.com

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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