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Prisão de Maduro deve derrubar o petróleo e mudar o jogo do setor, dizem XP, Itaú e Genial

O sequestro e a prisão de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos no último sábado (3) reacendeu um debate que vai muito além da política latino-americana. Para analistas de mercado monetário, o evento pode alterar estruturalmente o equilíbrio global do petróleo, reforçar a narrativa de excesso de oferta nos próximos anos e redesenhar estratégias de investimento, inclusive no Brasil.

O impacto começou a aparecer rapidamente nos preços. Na madrugada desta segunda-feira (5), os contratos futuros de petróleo operavam em queda, refletindo a percepção de que a Venezuela pode voltar ao jogo da oferta global. No início desta manhã (horáriode Brasília), o WTI para fevereiro recuava 0,99%, a US$ 56,75, enquanto o Brent para março caía 0,87%, a US$ 60,22.

Para Peter McNally, da Third Bridge, “o consenso vê o mercado severamente superabastecido em 2026“, com o petróleo venezuelano ainda negociando com desconto devido à sua baixa qualidade.

O que a prisão de Maduro representa para o mercado

A Genial Investimentos enxerga a prisão de Maduro como “um ponto potencial de inflexão” no mercado global de petróleo e no reposicionamento geopolítico da América do Sul. Mesmo com a permanência de figuras centrais do chavismo no poder, o alinhamento claro com os EUA já seria suficiente para recolocar a Venezuela no centro da estratégia energética global.

Na avaliação da casa, a reabertura venezuelana ao capital estrangeiro tende a gerar uma onda de ativos profundamente depreciados ao longo da cadeia de óleo e gás. “Estamos diante de uma nova fronteira de reprecificação de risco, ativos e estratégias de alocação de capital no setor”, afirma a Genial, destacando que firmas especializadas em redesenvolvimento de campos maduros (inclusive brasileiras) podem encontrar oportunidades relevantes.

Ao mesmo tempo, esse novo cenário pode reduzir o poder de barganha da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e pressionar estruturalmente os preços do Brent no médio e longo prazo.

“A Venezuela tem potencial para reintroduzir um volume relevante de oferta estrutural, alterando o equilíbrio hoje sustentado pelo cartel“, diz o relatório, que também sugere perda de relevância relativa de projetos exploratórios de longo prazo, como a Margem Equatorial, frente a reservas já provadas.

Brasil fica na corda bamba: riscos e oportunidades

Para o Brasil, o quadro mistura risco e oportunidade. A Petrobras (PETR4) mantém como trunfo o baixo custo de extração, mas a Genial chama atenção para o aumento dos investimentos e possíveis impactos sobre dividendos.

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Já firmas como Prio (PRIO3) seguem vistas como mais resilientes, enquanto a evolução dos acontecimentos pode abrir espaço para aquisições oportunísticas fora do País.

Os prazos da XP

Na visão da XP Investimentos, a captura de Maduro recoloca no radar a Venezuela que que concentra cerca de 17% das reservas provadas de petróleo do mundo, mas cuja produção despencou ao longo das últimas décadas.

“A Venezuela possui as maiores reservas globais, cerca de 300 bilhões de barris, embora hoje produza apenas cerca de 1,1 milhão de barris por dia, menos de 1% do abastecimento global”, destaca a casa.

A XP divide os impactos em dois horizontes. No curtíssimo prazo, o aumento da tensão geopolítica poderia, em tese, pressionar os preços para cima. Ainda assim, os analistas avaliam que esse efeito tende a ser limitado, já que as exportações venezuelanas vinham enfraquecidas antes mesmo da ação militar.

No médio e longo prazo, porém, o sinal se inverte. “Caso as sanções sejam suspensas e uma estrutura regulatória pró-investimentos seja implementada, a produção venezuelana pode aumentar ao longo deste ano e, sobretudo, nos próximos anos”, afirma a corretora.

Esse potencial de retomada pesa sobre um mercado que já convive com sinais de excesso estrutural de oferta. Segundo a XP, a Agência Internacional de Energia projeta um superávit de cerca de 3,8 milhões de barris por dia em 2026.

Como a Prio é afetada pelo petróleo venezuelano e porque o investidor deve prestar atenção

Um ponto sensível está no tipo de petróleo que pode voltar ao mercado. O óleo venezuelano é majoritariamente pesado, o que tende a ampliar descontos relativos desse segmento. Isso afeta diretamente firmas expostas a esse perfil.

“Uma eventual adição do petróleo bruto pesado venezuelano à oferta global poderia ampliar os descontos do petróleo pesado, como o produzido em Peregrino, da Prio, e em Atlanta, da Brava”, avalia a XP.

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Entre as companhias brasileiras sob cobertura, a corretora destaca diferenças relevantes de sensibilidade. A Prio aparece como a preferida, com maior margem de segurança em termos de geração de caixa.

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Já a Brava (BRAV3) surge como a mais vulnerável. “A firma é mais sensível a uma queda no Brent, com impacto de cerca de seis pontos porcentuais a cada US$ 5 de queda no preço”, apontam os analistas, citando maior alavancagem operacional e financeira.

Itaú traz a visão macro: Ibovespa deve ser impactado

Do ponto de vista macro e de mercado acionário, o Itaú BBA lembra que o setor de óleo e gás já vinha sob pressão em 2025. Embora o Ibovespa tenha encerrado o ano com alta de 34%, os papéis ligados a commodities, incluindo petróleo, figuraram entre os piores desempenhos setoriais.

“Oil & Gas foi um dos únicos setores com performance negativa no ano”, destaca o banco, reforçando que um ambiente de preços mais baixos tende a prolongar esse movimento.

A prisão de Maduro aumenta a volatilidade dos preços e pode acelerar uma reprecificação profunda do setor, com impactos diretos sobre firmas brasileiras, estratégias de investimento e o papel da América do Sul no tabuleiro energético global.

Trump se pronuncia e assume controle da Venezuela: veja o que se sabe

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado (3) que os Estados Unidos irão governar a Venezuela temporariamente até que ocorra uma “transição segura”. Segundo ele, autoridades americanas e militares assumirão a administração do país, sem prazo definido, e os EUA não descartam o uso de tropas em solo.

Trump disse que a ação marca o retorno da Doutrina Monroe, rebatizada por ele de “Doutrina Don-Roe” e destacou o petróleo como eixo central da estratégia: firmas americanas investiriam bilhões para “consertar” a infraestrutura petrolífera venezuelana e explorar as reservas, com presença militar para garantir o controle. Ele descartou a participação da opositora María Corina Machado em um novo governo.

A operação que levou à prisão de Nicolás Maduro, chamada “Resolução Absoluta”, envolveu bombardeios e ampla mobilização militar dos EUA. Washington afirma que a missão foi precisa e planejada por meses. Trump, que destacou a exploração do petróleo pelas companhias americanas, também enviou recados a outros regimes da região, como Cuba e Colômbia, sinalizando que a ação na Venezuela teria efeito dissuasório mais amplo.

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Autor: Isabela Ortiz

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