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Após um ano de extremos, o que pode mover o bitcoin e outras criptos em 2026

O bitcoin (BTC) teve um ano marcado por extremos. Ao mesmo tempo em que bateu sua máxima histórica de US$ 126 mil, amarga uma queda de 8% no ano, na faixa dos US$ 87 mil. Uma combinação de fatores ajuda a explicar.

No lado positivo, que fez o BTC subir 35% entre janeiro e outubro, pesou a entrada de Donald Trump no debate cripto – com a criação de uma reserva estratégica de bitcoin nos Estados Unidos. Isso mais o avanço de leis para o setor, o crescimento da participação de investidores institucionais e a queda dos juros americanos.

Eles cederam 0,75 p.p., de 4,50% no início do ano para 3,75% neste final. Taxas menores favorecem ativos de risco, como as criptomoedas, ao reduzir a atratividade de ativos mais seguros, como os títulos públicos dos EUA.

Já no campo negativo, o mercado sofreu com a desconfiança em relação às firmas que fazem dívida para juntar bitcoin em caixa. A Strategy, “mãe” de todas elas e que detém 3 em cada 100 bitcoins em circulação no mundo cai 50% no ano. Ou seja: teme-se que essas companhias se revelem castelos de areia, que elas não consigam arcar com suas dívidas em qualquer cenário de queda para o BTC.

Também pesam as saídas relevantes dos ETFs de bitcoin. Do pico histórico em diante, veio uma corrida por realização de lucros. E ela foi retroalimentando a queda do BTC.

Diante desse cenário, a pergunta que fica é: o que esperar do bitcoin e das criptomoedas em 2026?

As influências palpáveis

Só existe uma constante no mundo cripto. “Podemos esperar volatilidade. Isso é, com certeza, a única coisa garantida quando falamos de criptomoedas”, diz Valter Rebelo, head de criptoativos da Empiricus Research. O que dá para elocubrar é o efeito de outros fatores sobre o mundo cripto.

O termo do ano em 2025 foi: “a bolha da IA”. Com um ponto: não houve bolha, pois nada estourou. As ações de tecnologia seguem em alta, e a bolsa americana (fortemente aferrada a elas) sobe bem, com o S&P 500 em 11%.

Mas claro: caso ela estoure, os estilhaços vão bater com força em toda a renda variável. E o BTC, volátil como o humor de um gato, não passaria incólume – por mais que nada tenha a ver com IA.

No campo macroeconômico, há vetores positivos no radar. O principal é a expectativa por novos cortes de juros ao longo de 2026 nos Estados Unidos. O mercado aposta em mais cortes. 30% dos investidores (de acordo com a pesquisa diária FedWatch) vê os juros do Fed, o BC americano, em 3,25% no final do ano que vem; 26%, em 3,00% cravados. Nos dois casos, seriam cortes substanciais.

“Na minha leitura, estamos vivendo algo que chamo de superciclo do mercado cripto, um ciclo mais longo sustentado pela liquidez extra gerada pelos cortes de juros”, afirma Tasso Lago, fundador da Financial Move.

Mas nem só de bitcoin vive o mundo cripto, claro. Neste ano, as stablecoins se popularizaram como nunca. E tudo indica que a tendência siga firme em 2026. Vejamos as razões.

Stablecoins: o “Pix global”

As stablecoins atreladas ao dólar – especialmente USDC e USDT – foram um dos grandes destaques de 2025, tanto no Brasil quanto no exterior. No mercado brasileiro, já são os ativos cripto mais negociados, registrando mais de R$ 10 bilhões em volume em novembro. Nos Estados Unidos, o governo avançou na criação de um arcabouço regulatório específico para esse tipo de ativo.

A tendência é de intensificação do uso em 2026. O Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), agência federal dos EUA, trabalha em uma estrutura para permitir que bancos emitam stablecoins.

Vale um aparte aqui. Os EUA se apaixonaram pelas stablecoins porque não existe um equivalente ao Pix por lá. As transferências bancárias ainda levam dias. Daí a ideia de que bancos americanos possam emitir suas stablecoins lastreadas em dólar. No Brasil, algo equivalente com lastro em real faria pouco sentido. O Pix já faz o que precisa ser feito: transferências instantâneas, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Do ponto de vista brasileiro, a grande utilidade das stablecoins é que elas acabam funcionando como um “Pix universal”. Muita gente por aqui que trabalha como freelancer para firmas estrangeiras recebe lá de fora em stable. Basicamente um Pix em dólar. Daí a adoção acelerada por aqui.

Como escreveu recentemente a gestora Hashdex, em relatório: “O crescimento das stablecoins reconfigura o trilho monetário pelo qual dólares são transferidos globalmente, já que, em vez de esperar alguns dias pela liquidação de uma transferência internacional em dólares via sistema SWIFT, transações com stablecoins são registradas quase instantaneamente”, escreveu a gestora Hashdex em relatório.

Só vale notar que stablecoin de dólar, em si, não é investimento. Da mesma forma que guardar dólar debaixo do colchão também não é. Investir em dólar é receber juro em dólar, como fazem os próprios emissores de stablecoins. Eles ganham dinheiro aplicando o lastro em títulos públicos americanos, que rendem juros.

E vale lembrar. Hoje há cerca de US$ 300 bilhões em títulos estacionados na forma de lastro para stables. Estima-se que esse volume pode chegar à casa do US$ 1 trilhão em 2030. Isso tornaria os emissores de stablecoins o segundo maior detentor de títulos da dívida americana – atrás apenas do Fed, o BC americano, que tem pouco mais de US$ 4 trilhões hoje.

Avanço da tokenização ajuda o ETH

A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais, como ações, em tokens na blockchain – é outra narrativa com potencial de avanço. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocou o tema como prioridade na agenda regulatória de 2026.

Segundo a Grayscale, os ativos tokenizados ainda representam cerca de 0,01% da capitalização global dos mercados de ações e renda fixa – ou seja, há bastante espaço para crescer. Dados da plataforma RWA.xyz estimam aproximadamente US$ 18,9 bilhões em ativos tokenizados atualmente.

A gestora projeta forte crescimento. “Até 2030, não seria surpreendente ver os ativos tokenizados crescerem cerca de mil vezes”, afirma. Esse movimento tende a beneficiar blockchains que processam esse tipo de transação, como ethereum (ETH), bnb chain (BNB) e solana (SOL).

Inteligência artificial e cripto

O alinhamento entre criptoativos e inteligência artificial deve se intensificar em 2026, segundo a Grayscale. Hoje, os sistemas de IA estão concentrados em poucas firmas, o que levanta preocupações sobre confiança, viés e propriedade de dados – exatamente onde a cripto entra como solução estrutural.

A gestora destacou que algumas iniciativas já tentam resolver gargalos estruturais da inteligência artificial. Plataformas de IA descentralizada, como a bittensor (TAO), usam blockchain para criar redes abertas de modelos e agentes de IA, reduzindo a dependência de grandes firmas de tecnologia e incentivando a competição baseada em desempenho.

Já sistemas como o worldcoin (WLD) – que enfrentou problemas no Brasil – buscam diferenciar humanos de agentes automatizados por meio de identidades digitais verificáveis, um tema que ganha relevância à medida que bots e conteúdos sintéticos se tornam mais difíceis de distinguir.

Por fim, segundo a casa, redes como a story protocol (IP) utilizam a blockchain para registrar, rastrear e proteger a propriedade intelectual, permitindo identificar a origem e o uso de conteúdos digitais em um cenário de crescente automação da criação por IA.

BTC X altcoins

Apesar da multiplicidade de tendências, o bitcoin segue como o principal ativo para quem busca exposição ao setor cripto. “Ele continua firme como reserva de valor”, afirma Mychel Mendes, CFO da Tokeniza.

E o segmento de altcoins – todas as outras criptos que não sejam BTC ou stable – exige cautela redobrada, como sempre. “É um mercado agressivo. Quando parece que vai subir, muitas vezes já virou. A maioria das pessoas acaba perdendo dinheiro.”

Para quem decide se expor às criptomoedas alternativas, a recomendação é olhar para projetos mais consolidados. Mychel finaliza: “Ethereum e solana têm avançado muito no campo institucional. E, neste momento, o bnb também se destaca, fortalecido pelo ecossistema da Binance”.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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