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Bitcoin está barato? Analistas veem oportunidade após queda de 50%

O bitcoin (BTC) perdeu cerca de 50% do seu valor desde a máxima histórica de US$ 126 mil, registrada em outubro do ano passado. Parte da culpa vem da migração de dinheiro para a inteligência artificial, dos conflitos geopolíticos, da saída de investidores institucionais, dos juros elevados nos Estados Unidos e por aí vai.

Para os analistas, porém, o pior da queda pode já ter ficado para trás. Além disso, eles afirmam que o momento pode representar uma oportunidade de compra. Por quê? Porque o BTC voltou a negociar em uma faixa de preço considerada barata, os fundamentos da criptomoeda permanecem preservados e o ecossistema continua avançando.

Vamos por partes.

Um fundo?

O bitcoin costuma seguir um padrão depois de cada halving – evento programado a cada quatro anos que reduz pela metade a emissão de novas moedas. O BTC já passou por quatro halvings. O mais recente aconteceu em 20 de abril de 2024, portanto ainda estamos neste ciclo.

Segundo a gestora 21Shares, ao longo dos três primeiros ciclos, o bitcoin atingiu o fundo cerca de um ano após o topo e aproximadamente 2,5 anos depois do halving. Como já se passaram cerca de oito meses desde a máxima de outubro, o mercado estaria entrando justamente nessa janela histórica.

“Não descartaríamos uma nova oscilação lateral, e é justamente por isso que não tentaríamos cravar o fundo exato: comprar em qualquer ponto dentro dessa janela rendeu, em média, 130% até o halving seguinte, sem precisar acertar o fundo exato”, diz.

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Bitcoin está barato?

Os analistas do BTG Pactual avaliaram diferentes indicadores para entender se a queda recente do bitcoin já tornou a criptomoeda barata em relação ao seu histórico. Em conjunto, as métricas mostram que o ativo está entre os 10% mais descontados desde o início da série histórica analisada – ou seja, em uma faixa de preço que apareceu poucas vezes ao longo dos últimos anos.

Entre os indicadores estão o MVRV, que compara o preço atual com o custo médio de compra dos investidores; a parcela de bitcoins que ainda está dando lucro para seus donos; e a distância do preço em relação à média móvel de 200 dias, usada para medir a tendência de longo prazo.

Segundo o banco, todos apontam que o bitcoin está negociado em níveis historicamente baixos, embora isso não signifique que o preço necessariamente tenha atingido o fundo.

Tese continua de pé

Apesar de, muitas vezes, se comportar como um ativo de risco, semelhante às ações de tecnologia, o bitcoin também é visto por parte do mercado como uma reserva de valor. Essa tese continua válida, na avaliação dos analistas do banco brasileiro, principalmente diante do cenário econômico global.

“A tese estrutural do bitcoin segue ancorada na constante perda do poder de compra das moedas, especialmente relevante diante do cenário de endividamento público elevado, déficits persistentes e fragmentação geopolítica”, escreveram Matheus Parizotto e Vinicius Bitelo, do BTG Pactual.

De acordo com eles, o ambiente geopolítico recente, marcado por protecionismo econômico, sanções, fragmentação de blocos, congelamento de ativos e restrições financeiras, mostra que recursos podem ser bloqueados dependendo da jurisdição onde estão custodiados.

“Para o bitcoin, esse debate adiciona uma camada geopolítica à tese monetária. O ativo ainda é jovem e volátil, mas passou a ser considerado de forma complementar em discussões sobre reservas alternativas”.

Um mercado aquecido

Vale sempre lembrar que o mercado de criptomoedas vai muito além do bitcoin. E isso conta. A tokenização – processo de transformar ativos do mercado tradicional em tokens registrados em blockchain -, as stablecoins e outras aplicações do setor continuam em expansão, movimento que, na visão dos analistas, ajuda a fortalecer o ecossistema como um todo.

Riscos e alocação

Apesar dos sinais considerados positivos, ainda há riscos. Se muitos investidores continuarem vendendo bitcoin, a criptomoeda pode seguir em queda. Além disso, a manutenção dos juros elevados por mais tempo nos EUA tende a reduzir o interesse por ativos mais arriscados, como as criptomoedas.

Há também riscos específicos do setor, como mudanças na regulação, redução da liquidez do mercado e vendas por grandes investidores.

Os especialistas defendem que eventuais aportes em bitcoin sejam feitos de forma gradual. Ainda assim, a recomendação é de cautela. Grandes gestoras, como a BlackRock, sugerem que a exposição a criptomoedas represente apenas uma pequena parcela da carteira – em torno de 1% a 2% do patrimônio.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h15.

Bitcoin (BTC):  -0,44%, US$ 64.281,63

Ethereum (ETH): -0,16%, US$ 1.871,11

BNB (BNB): -0,29%, US$ 566,16

XRP (XRP): -0,31%, US$ 1,09

Solana (SOL): +0,22%, US$ 76,43

Outros destaques do mercado cripto

CVM e tokenização. Tokenização é um tema cada vez mais importante dentro do universo cripto. E a Comissão de Valores Mobiliários (CVM, para os mais chegados) sabe bem disso. Tanto que o xerife do mercado de capitais criou o Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT). A missão é estudar o tema, conduzir testes, formular recomendações técnicas e propor regras para valores mobiliários emitidos em blockchain.

Crime (cripto) e castigo. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um substitutivo que endurece a punição para crimes de lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas. O texto altera a Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/98) para aumentar a pena em um terço a dois terços quando o crime envolver ativos virtuais ou plataformas digitais. Hoje, a punição prevista é de reclusão de três a dez anos, além de multa.

Visa entra mais fundo nas stablecoins. A Visa deu mais um passo no mercado de stablecoins. A firma colocou em operação uma plataforma para que bancos e fintechs emitam, movimentem e administrem esses ativos digitais em diferentes blockchains. A iniciativa reforça a corrida das grandes instituições para construir infraestrutura de pagamentos baseada na tecnologia por trás das criptos.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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