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Bitcoin sobe 23% e se aproxima de US$ 80 mil com intervenção do Tesouro dos EUA

O bitcoin (BTC) caminha para registrar seu maior ganho semanal em mais de três anos, enquanto os investidores avaliam os efeitos de uma recente disparada nos juros dos títulos e de uma nova iniciativa dos Estados Unidos voltada à consolidação fiscal.

A criptomoeda chegou a subir 9,4% e era negociada em torno de US$ 77,5 mil no fim do pregão em Nova York. Na semana, acumula ganhos de cerca de 23%, movimento que, se mantido, representará a maior alta semanal desde março de 2023. A última vez que o bitcoin foi negociado a US$ 80 mil foi em maio.

O entusiasmo com as criptomoedas voltou ao mercado depois que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira (19) que o departamento ao menos dobraria o volume das recompras de títulos de longo prazo, o que provocou uma disparada e forçou investidores a zerar bilhões em posições vendidas.

No mesmo dia, o presidente Donald Trump se reuniu com líderes do setor de criptomoedas, aumentando ainda mais o otimismo. Enquanto isso, o ouro atingiu seu nível mais alto desde maio, em meio a temores dos investidores de que a intervenção no mercado de títulos possa pressionar o dólar.

Em publicação no LinkedIn nesta sexta-feira, Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, disse que investidores deveriam diversificar entre ativos e países com finanças sólidas. Segundo ele, reduzir a exposição a títulos e manter de 10% a 15% da carteira em ouro e “um pouco” de Bitcoin pode reduzir o risco e elevar os retornos.

“O verdadeiro gatilho foi o Tesouro dos EUA dobrar as recompras de títulos de longo prazo, o que derrubou os rendimentos de longo prazo e ampliou o apetite por risco de forma generalizada”, disse Rachael Lucas, analista da BTC Markets. “Nada mudou na tese de longo prazo do Bitcoin, mas nada mudou na volatilidade também.”

Segundo Adam Morgan McCarthy, pesquisador-chefe da LO:TECH, firma londrina especializada em liquidez e dados de mercado de ativos digitais, o movimento repentino de curto prazo segue como um dos principais motores da alta do Bitcoin. Cerca de US$ 2,5 bilhões em apostas alavancadas contra o Bitcoin e US$ 4,5 bilhões em todo o mercado cripto foram liquidados nos últimos três dias, segundo dados da Coinglass.

As apostas vendidas no ETF IBIT, da BlackRock – o maior do mundo –, vinham crescendo de forma constante ao longo do ano. O interesse de venda a descoberto, como porcentagem do total de cotas em circulação do fundo de US$ 55 bilhões, subiu para cerca de 3%, de acordo com a S3.

“O ouro carrega o verdadeiro sinal macro desta semana. Sua alta foi expressiva depois que o Tesouro dobrou as recompras de títulos, sem nenhuma das compras forçadas que infl​aram o preço do Bitcoin”, disse McCarthy. “Se você quer saber onde os investidores estão de fato se protegendo do risco cambial e inflacionário nesta semana, o ouro mostra isso; o Bitcoin, não.”

A reunião de Trump, que reuniu executivos de firmas como Coinbase Global e Payward, foi lida como sinal positivo do compromisso do governo com as criptomoedas. Trump pressionou o Senado a aprovar o Clarity Act, um projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas que está paralisado devido a divergências sobre as disposições éticas. O projeto não chegou a ser votado antes do recesso do Senado em agosto.

As ações de firmas ligadas a cripto também seguiram em alta. A Coinbase, a maior plataforma de negociação digital dos EUA, subiu 8,2%. A Strategy, acumuladora de Bitcoin, avançou 6%, e a Circle Internet Group, emissora de stablecoins, teve alta de 5,2%.

Investidores institucionais voltaram ao mercado esta semana. Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA caminham para o maior fluxo semanal de entradas desde janeiro. Os 13 fundos já somam mais de US$ 1 bilhão em captação na semana, alimentando ainda mais o otimismo com cripto.

“Pela primeira vez este ano, existe o risco de minha projeção para o fim do ano, de US$ 100 mil, estar subestimada”, escreveu Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do Standard Chartered, em relatório a clientes.

“A reunião de Trump sobre cripto, o avanço do Clarity Act e os fluxos positivos dos ETFs alimentaram o otimismo, mas não explicam tudo”, disse Lucas.

Em mais um sinal de vitalidade, grandes detentores do token, as chamadas baleias do Bitcoin, voltaram a acumular, adicionando cerca de US$ 2,75 bilhões em tokens ao longo de 60 dias, segundo a CryptoQuant.

O Bitcoin segue bem abaixo do pico de mais de US$ 126.000, atingido em outubro passado, pouco antes de uma forte queda que o levou a US$ 58.642 no fim de junho.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Bloomberg

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