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Kalshi, da brasileira Luana Lara, prepara contratos futuros perpétuos com ações, de Apple a Nvidia

Um tipo arriscado de operação que ganhou enorme popularidade no exterior neste ano está prestes a se tornar mais comum nos Estados Unidos.

A Kalshi, plataforma de mercados de previsão fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, pretende solicitar autorização regulatória para começar a oferecer os primeiros contratos futuros perpétuos regulamentados dos EUA ligados a ações individuais, incluindo Tesla, Apple e Nvidia, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Os contratos – conhecidos como perps, abreviação de perpetual futures – permitem apostar na alta ou na queda de um ativo a qualquer hora, sem uma data definida para o encerramento da operação. Eles também permitem o uso de alavancagem, recurso que possibilita movimentar valores maiores do que o dinheiro efetivamente aplicado.

Com isso, tanto os ganhos quanto as perdas podem ser ampliados. Como não há vencimento, o investidor pode manter a posição aberta indefinidamente, desde que cumpra as exigências da operação, o que também pode aumentar o risco de perdas.

As operações ganharam atenção no início deste ano, quando conflitos no Oriente Médio provocaram uma onda de negociações de contratos futuros perpétuos ligados ao petróleo na Hyperliquid, uma corretora de criptomoedas descentralizada.

A plataforma, sediada em Cingapura, tecnicamente não deveria estar acessível a residentes dos EUA, mas usuários encontram maneiras de contornar seu bloqueio geográfico.

A entrada nos contratos perpétuos de ações individuais faz parte de uma corrida entre as novas potências de Wall Street para oferecer aos investidores todo tipo de oportunidade de negociação exótica, incluindo operações que, segundo críticos, são arriscadas e difíceis de entender.

A Kalshi planeja lançar cerca de 60 contratos perpétuos ligados a fundos negociados em bolsa (ETFs) populares e a ações de firmas com valor de mercado de pelo menos US$ 100 bilhões, segundo uma das pessoas familiarizadas com o assunto.

A Coinbase Global, maior corretora de criptomoedas dos EUA, também apresentou documentos que podem abrir caminho para que a plataforma ofereça contratos futuros perpétuos de ações individuais.

No fim de maio, Kalshi e Coinbase receberam autorização para lançar os primeiros contratos futuros verdadeiramente perpétuos nos EUA — mas ligados a criptomoedas. Os contratos rapidamente ganharam volume de negociação. Na quinta-feira, a Kalshi lançou contratos futuros perpétuos ligados a ouro e prata, também os primeiros desse tipo nos EUA.

Alguns operadores de bolsas afirmam que os contratos futuros perpétuos são mais arriscados do que os contratos futuros tradicionais por causa das chamadas taxas de financiamento, pagamentos que os investidores precisam fazer para manter o preço do contrato alinhado ao preço do ativo subjacente.

Além disso, como os contratos futuros perpétuos permitem alavancagem, críticos alertam que eles podem intensificar uma espiral de queda em períodos de estresse no mercado.

Benjamin Schiffrin, diretor de política de valores mobiliários da Better Markets, grupo que defende uma regulamentação financeira mais rígida, compara os contratos futuros perpétuos de ações individuais aos ETFs alavancados de ações individuais, que já provocaram perdas enormes para investidores de varejo, dos EUA à Coreia do Sul.

“Existe um potencial para perdas enormes, especialmente entre investidores individuais”, disse Schiffrin. “Estamos falando de negociações 24 horas por dia, então será possível fazer essas apostas a qualquer momento. E os contratos futuros perpétuos normalmente permitem uma alavancagem muito maior do que a disponível em ETFs de ações individuais.”

Udesh Jha, diretor de risco da Kalshi, afirmou que as taxas de financiamento reduzem o risco de os investidores entrarem em espirais de perdas e que a ausência de uma data de vencimento nos contratos perpétuos não significa que os investidores acumularão mais alavancagem.

Segundo Jha, o produto não é diferente dos contratos futuros de valores mobiliários, exceto pelo fato de ser mais barato, e os contratos perpétuos da Kalshi têm o mesmo nível de alavancagem de outras bolsas tradicionais de derivativos dos EUA.

Na Hyperliquid, o volume total negociado — incluindo operações alavancadas — em contratos futuros perpétuos de ações individuais disparou para US$ 212 bilhões, ante US$ 4 bilhões no início do ano, segundo dados da Blockworks Research.

Como os contratos futuros de ações individuais são legalmente classificados como contratos futuros de valores mobiliários, firmas como a Kalshi que desejam oferecê-los precisam de autorização tanto da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais dos EUA, quanto da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), reguladora do mercado de derivativos.

A negociação de contratos perpétuos nos EUA já é alvo de uma disputa.

O CME Group processou a CFTC em junho por causa da autorização dada pela agência aos contratos perpétuos da Kalshi nos EUA. A firma afirma que o órgão regulador violou a legislação americana ao classificar os contratos perpétuos da Kalshi como futuros, e não como swaps.

Kalshi, Coinbase e CFTC afirmaram que consideram o processo um ataque à concorrência no mercado. A CFTC recentemente pediu que a ação fosse arquivada.

Kris Marszalek, presidente-executivo da Crypto.com, afirmou que os contratos futuros perpétuos de ações individuais já estão afetando os mercados americanos, mas são negociados no exterior em plataformas não regulamentadas.

“Faz sentido que os dois reguladores trabalhem juntos e permitam que isso aconteça dentro dos EUA, em um ambiente mais controlado, no qual os consumidores estejam protegidos”, disse ele em uma entrevista recente.

Contate Vicky Ge Huang pelo e-mail vicky.huang@wsj.com e Krystal Hur pelo e-mail krystal.hur@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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