Breaking: Votorantim vende controle da mineradora Nexa em negócio de US$ 1,3 bilhão
A Votorantim acertou nesta quinta-feira (27) a venda do controle da Nexa Resources à mineradora sueca Boliden em uma operação avaliada em US$ 1,31 bilhão. O pagamento será feito integralmente em ações da compradora, o que transformará o grupo brasileiro no maior acionista da Boliden, com uma participação de aproximadamente 7%.
Pelo acordo, a Boliden ficará com os 64,68% da Nexa pertencentes à Votorantim. Em troca, emitirá 21,4 milhões de novas ações para o grupo brasileiro, na proporção de 0,25 ação da Boliden para cada papel da Nexa.
A relação de troca atribui às ações da Votorantim na Nexa um valor de US$ 15,29 cada. Considerando todas as ações da mineradora, a operação avalia a Nexa em US$ 2,03 bilhões. Incluindo dívidas e participações de minoritários em subsidiárias, o valor da firma chega a US$ 3,67 bilhões.
Os US$ 1,31 bilhão consideram a cotação das ações da Boliden no fechamento de 26 de agosto e o câmbio daquele dia. Como o pagamento será feito em papéis, o valor poderá variar até a conclusão da operação.
Além de se tornar a maior acionista da Boliden, a Votorantim terá o direito de indicar um integrante para o conselho de administração da companhia. O grupo deixa, assim, o controle direto da Nexa, mas mantém exposição ao setor de mineração e metais por meio de uma participação relevante na compradora.
A conclusão do negócio depende da aprovação dos acionistas da Boliden e das autoridades regulatórias. O fechamento está previsto para o primeiro trimestre de 2027.
Próximos passos
Depois de assumir o controle, a Boliden deverá fazer uma oferta em dinheiro pelas ações da Nexa que estão nas mãos dos minoritários, equivalentes a 35,32% do capital. O preço será definido com base na relação de troca acertada com a Votorantim e na cotação média das ações da Boliden antes da conclusão da operação.
A Nexa continuará existindo como uma companhia separada e com ações negociadas na Bolsa de Nova York. A administração atual deverá ser mantida em grande parte, mas quatro dos sete integrantes de seu conselho serão ligados à Boliden.
Com a aquisição, a Boliden passará a reunir 12 unidades de mineração e oito unidades metalúrgicas na Europa e na América Latina. A combinação ampliará principalmente sua produção de zinco e prata.
A existência das negociações havia sido antecipada pela imprensa em abril. Em julho, após uma nova repercussão no mercado, a Boliden confirmou publicamente que discutia a compra da participação da Votorantim, mas afirmou naquele momento que ainda não havia garantia de acordo.
Segunda maior do mundo
A aquisição levará a Boliden, hoje concentrada na Europa, para operações no Brasil e Peru. A Nexa possui cinco minas e três unidades metalúrgicas nos dois países. Em 2025, teve receita de US$ 3 bilhões e resultado operacional (Ebitda) ajustado de US$ 772 milhões.
As duas companhias passarão a reunir 12 minas e oito unidades metalúrgicas. Nos 12 meses encerrados em junho, tiveram, em conjunto, receita de aproximadamente US$ 14,5 bilhões e resultado operacional (Ebitda) de US$ 4 bilhões.
A combinação deverá produzir 790 mil toneladas de zinco em concentrado em 2026, segundo estimativas da Boliden baseadas em dados da consultoria Wood Mackenzie. Esse volume colocaria o grupo na segunda posição mundial, atrás apenas da indiana Hindustan Zinc e à frente da Glencore.
Na produção de zinco refinado, as oito unidades metalúrgicas deverão alcançar 1,17 milhão de toneladas neste ano. O volume colocaria a companhia combinada na terceira posição global, atrás da Korea Zinc e da Glencore.
A Nexa também acrescentará prata, cobre, chumbo e ouro ao portfólio da compradora. A Boliden estima que as minas das duas companhias produziriam conjuntamente 783 toneladas de prata, além de 667 mil toneladas de zinco, tomando como base os números de 2025.
A maior unidade metalúrgica da Nexa é Cajamarquilla, no Peru, considerada pela companhia a maior refinaria de zinco das Américas e a quinta maior do mundo. No Brasil, a firma possui as minas de Vazante, em Minas Gerais, e Aripuanã, em Mato Grosso, além das unidades metalúrgicas de Três Marias e Juiz de Fora.
Votorantim segue mudando
A venda do controle da Nexa é mais um capítulo da reformulação do portfólio da Votorantim.
O grupo da família Ermírio de Moraes, que historicamente funcionou como um conglomerado industrial, passou a se definir nos últimos anos como uma holding de investimentos, com participações de controle ou minoritárias em firmas de diferentes setores.
Em janeiro, a Votorantim acertou a venda de toda a sua participação de 69% na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para a chinesa Chalco e a anglo-australiana Rio Tinto. A operação, ainda sujeita a aprovações, avalia a produtora de alumínio em R$ 10,2 bilhões.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Rikardy Tooge
