CEOs americanos estão contratando um novo ‘braço direito’: o chefe de gabinete
Uma função tradicionalmente associada à política e aos gabinetes de governo está ganhando espaço em outro endereço nos Estados Unidos: a sala da presidência de grandes firmas.
Cada vez mais CEOs americanos estão contratando um chief of staff, ou chefe de gabinete, profissional que funciona como uma espécie de braço direito do executivo-chefe.
Não exatamente um assistente, tampouco um diretor responsável por uma área específica. Sua função é ajudar o CEO a escolher prioridades, conectar diferentes partes da companhia e garantir que decisões tomadas no topo realmente sejam executadas.
A procura cresceu rapidamente. Desde o início de 2020, o número de anúncios de emprego para chief of staff nos Estados Unidos avançou 85%, segundo dados do Indeed citados pelo New York Times. O ritmo supera o registrado para assistentes executivos e secretários, funções também ligadas ao apoio direto de executivos.
A diferença está justamente no grau de influência. Enquanto um assistente executivo pode organizar quando uma reunião entrará na agenda, o chefe de gabinete ajuda a decidir se aquela reunião deveria acontecer.
Em muitos casos, trata-se de uma posição sênior, com remunerações que podem passar de US$ 200 mil por ano nos Estados Unidos.
O crescimento do cargo acompanha uma mudança no trabalho dos próprios CEOs. Inteligência artificial, cibersegurança, geopolítica e transformação dos modelos de negócio criaram problemas que atravessam várias áreas da firma ao mesmo tempo.
O chief of staff aparece como alguém capaz de coordenar essas pontas sem necessariamente comandar uma delas. A característica comum é trabalhar essencialmente para uma pessoa: o chefe.
Na IMAX, por exemplo, o CEO Richard Gelfond contratou seu primeiro chief of staff há 16 anos imaginando alguém que basicamente o acompanhasse em reuniões e organizasse suas próximas tarefas.
À medida que a firma passou de 55 cinemas para quase 2 mil em mais de 90 países, a função mudou. O posto passou a envolver decisões estratégicas e projetos que atravessavam diversas áreas da companhia.
Um ex-chief of staff da IMAX chegou a coordenar, com a equipe de pesquisa e desenvolvimento, a construção da câmera especial usada no novo filme de Christopher Nolan.
Na consultoria de moda Stitch Fix, a relação é ainda mais próxima. O CEO Matt Baer mantém comunicação praticamente permanente com seu chief of staff, Elliott Glass, seja por telefone, Slack ou reuniões. Os dois chegam a reservar manhãs para discutir os principais problemas da companhia longe das interrupções do escritório.
Aprendizado
O posto também virou uma espécie de atalho de formação de executivos. Por circular entre áreas diferentes e acompanhar de perto o CEO, o chief of staff ganha uma visão da companhia difícil de obter em funções mais especializadas.
Ex-ocupantes da posição ouvidos pelo New York Times posteriormente assumiram cargos como presidente, CEO e vice-presidente. Vikram Arumilli, por exemplo, chegou ao posto na IMAX depois de trabalhar na McKinsey e estudar em Wharton.
Como chief of staff, participou de projetos que iam da resposta à pandemia à expansão na Índia e a uma aquisição. Depois comandou uma divisão da própria IMAX e neste ano tornou-se CEO de uma firma de software.
Nem todo mundo está convencido. Spencer Rascoff, CEO do Match Group, dono de Tinder e Hinge, prefere não ter alguém funcionando como intermediário entre ele e suas equipes. Para tarefas como organização e preparação de reuniões, passou a recorrer a agentes de inteligência artificial.
Ainda assim, reconhece que tecnologia não substitui facilmente o julgamento e a capacidade de construir relações que um bom chief of staff oferece.
E existe também um pouco de moda corporativa no fenômeno. Consultores ouvidos pelo jornal dizem que alguns executivos passaram a querer um chief of staff simplesmente porque outros CEOs têm um, mesmo sem saber exatamente o que fariam com o profissional.
No Brasil, o cargo ainda aparece com mais frequência no universo de tecnologia e startups, mas já há exemplos antigos. A Neon contratou um chief of staff para trabalhar diretamente com seu CEO em 2019, enquanto firmas como Trybe e Stark Bank também adotaram a função nos anos seguintes.
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Autor: Redação InvestNews