Cisco deu seu próprio agente de IA a todos os 90 mil funcionários. Mas vai monitorar os custos
A fabricante de equipamentos de rede Cisco disponibilizou nesta semana um agente pessoal de inteligência artificial para todos os seus 90 mil funcionários no mundo.
Chamado MyAgent, o agente de IA é personalizado para cada funcionário, disse recentemente à reportagem Thimaya Subaiya, vice-presidente-executivo de Operações da Cisco, em uma entrevista exclusiva.
O programa de agentes de IA da Cisco é um dos primeiros exemplos de implementação em larga escala dentro de uma grande firma. Nesse caso, os bots autônomos foram desenvolvidos para realizar uma variedade de tarefas em nome dos funcionários.
Os agentes de IA se tornaram mais poderosos e capazes de executar diferentes tarefas, desde escrever códigos até responder a solicitações de clientes e analisar dados monetários.
A adoção desses agentes também vem crescendo entre as firmas, ajudando a impulsionar o uso de tokens e capacidade computacional que levou a Nvidia a registrar ontem mais um trimestre excepcional.
Ainda assim, há muitos desafios relacionados à implementação de agentes com os quais os líderes de tecnologia precisam lidar, incluindo a “proliferação de agentes de IA”, os riscos de cibersegurança e os custos de tokens.
Na Cisco, a decisão de dar um agente de IA a cada funcionário foi motivada pela necessidade de consolidar as ferramentas de inteligência artificial utilizadas dentro da firma. Depois, a companhia ampliou a implementação para incentivar os funcionários a usar IA na realização de tarefas cotidianas.
“Eu realmente acredito que não é possível substituir completamente os seres humanos por IA”, disse Subaiya. “O que podemos fazer é aumentar de maneira muito eficaz a capacidade das pessoas com IA.”
Uma das formas pelas quais os funcionários têm usado seus agentes de IA é para gerenciar a caixa de entrada: resumindo e-mails, filtrando mensagens de spam e preparando respostas automaticamente. Outros exemplos incluem resumir e analisar notícias de mercado e fornecer previsões sobre movimentos do mercado acionário.
Gerenciando custos dos agentes
Cada agente da Cisco obtém, em tempo real, informações relevantes sobre um funcionário por meio de conectores corporativos seguros, baseados nas permissões de acesso existentes de cada usuário.
O agente pode ser acessado por um aplicativo para computador ou celular, e os funcionários podem conversar com ele pelo Webex, software de videoconferência da Cisco.
Os agentes da Cisco foram projetados para acessar sistemas corporativos e mais de 800 subagentes nos bastidores. Esses subagentes executam as tarefas solicitadas pelos funcionários, como acompanhar variações em uma previsão de vendas e enviar automaticamente uma notificação sobre uma anomalia.
Os agentes são desenvolvidos para interagir apenas com os seres humanos aos quais dão suporte. Em outras palavras, eles não interagem com outros agentes nem com outros funcionários — apenas recebem solicitações de seus respectivos usuários. Qualquer ação externa exige aprovação explícita de um ser humano, disse Subaiya.
Controlar os dados aos quais os agentes podem ter acesso também é um componente fundamental do projeto. A firma criou um “servidor de políticas” que impede os agentes de realizar ações como excluir conjuntos de dados e evita que informações da Cisco sejam usadas para treinar modelos de terceiros, segundo Subaiya.
Para administrar os custos maiores do uso de agentes de IA sempre ativos, um para cada funcionário, a Cisco utiliza ferramentas como um recurso de monitoramento de tokens da Splunk, firma de cibersegurança e análise de dados que a Cisco comprou em 2024.
A firma também desenvolveu um “roteador inteligente”, que funciona como um “orquestrador de modelos”, para direcionar automaticamente cada tarefa ao modelo de IA mais capaz e eficiente em termos de custo.
Além disso, a Cisco opera seu próprio data center, onde possui unidades de processamento gráfico, ou GPUs, que executam modelos de pesos abertos.
Cerca de 50% a 60% das solicitações de IA da Cisco são direcionadas a modelos de pesos abertos, enquanto 20% a 30% dependem de automação de software. O restante representa “uma porcentagem muito pequena” que efetivamente é direcionada a um modelo de base, segundo Subaiya.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: The Wall Street Journal
