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Como as tarifas se tornaram a palavra mais odiada da política

O presidente Donald Trump já chamou “tarifa” de a palavra mais bonita do dicionário. De alguma forma, conseguiu transformá-la em uma das palavras mais odiadas da política.

Em suas propagandas para as eleições de meio de mandato, os democratas criticam repetidamente as tarifas. Os republicanos, por sua vez, em grande parte permanecem em silêncio.

Uma exceção é Mike Rogers, candidato republicano ao Senado por Michigan, que defende o fim imediato da guerra tarifária enquanto segura uma cerveja de marca canadense, agora atingida pela disputa comercial de Trump.

A deterioração da imagem das tarifas ameaça não apenas as chances dos republicanos nas eleições de meio de mandato, mas também o próprio legado de Trump. Em seu primeiro mandato, ele conseguiu deslocar o consenso político para longe do livre-comércio.

Ao retornar à Casa Branca, poderia ter ido ainda mais longe, consolidando as tarifas na política tributária e comercial dos Estados Unidos. Agora, isso parece menos provável, especialmente se os democratas conquistarem o controle de uma ou das duas Casas do Congresso.

Não era para ter sido assim. Mesmo os economistas, que em sua maioria condenam o protecionismo, há muito reconhecem seu apelo político. Os benefícios são concentrados e visíveis, enquanto os custos são dispersos e difíceis de perceber.

De fato, antes de Trump voltar ao poder, essa premissa ainda parecia válida. As comparações entre pesquisas são complicadas porque as perguntas variam, mas levantamentos feitos antes das eleições geralmente mostravam que os eleitores eram neutros, ligeiramente favoráveis ou ligeiramente contrários às tarifas. Em uma pesquisa do Wall Street Journal realizada em agosto de 2024, a aprovação superava a desaprovação: 47% a 40%.

Isso mudou quando Trump assumiu o cargo. Ele impôs tarifas à China, ao Canadá e ao México e, depois, em abril de 2025, a praticamente todos os países. A opinião pública se tornou negativa e piorou ainda mais neste ano. A mudança mais significativa ocorreu justamente entre os trabalhadores que, em tese, seriam beneficiados pela proteção tarifária.

Uma pesquisa da Echelon Insights e do Economic Innovation Group mostrou que, entre as pessoas que se identificam como trabalhadores de colarinho azul — em geral, trabalhadores de atividades manuais e operacionais —, o saldo de aprovação das tarifas passou de 3 pontos percentuais positivos, em agosto de 2025, para 22 pontos negativos no mês passado.

O que aconteceu? A agenda comercial de Trump entrou em choque com a preocupação da população com o custo de vida, e o comércio perdeu essa disputa. Segundo a Echelon, a população atribui às tarifas uma responsabilidade ainda maior pelo agravamento da inflação do que à guerra com o Irã.

Os democratas não deveriam se sentir tão confiantes: exatamente a mesma coisa aconteceu com a agenda climática deles. A redução das emissões de carbono foi uma das prioridades do governo de Joe Biden.

Sua principal lei econômica, a Lei de Redução da Inflação, destinou grandes volumes de recursos às energias renováveis, enquanto seus órgãos reguladores buscaram, de diferentes maneiras, limitar a produção de petróleo e gás.

Mas, quando os preços da energia dispararam após a pandemia, os estímulos econômicos de Biden e a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, a preocupação com o clima perdeu espaço, enquanto a ansiedade com a inflação aumentou. Na percepção da população, os gastos do governo Biden ficaram fortemente associados à alta dos preços. Trump tentou tirar proveito disso, atacando o que chamou de “Novo Golpe Verde” de Biden e promovendo os combustíveis fósseis.

A relação entre políticas especificamente voltadas ao clima — em oposição ao pacote mais amplo de estímulos de Biden — e a inflação efetiva era fraca. A ligação entre tarifas e inflação é um pouco mais forte, mas está longe de ser evidente à primeira vista.

Os preços dos carros novos mal subiram desde que Trump assumiu o cargo, porque as montadoras estão absorvendo tarifas de até 25% sobre veículos importados. Estudos que apontam que as tarifas elevaram os preços muitas vezes os comparam a um cenário hipotético em que os preços deveriam ter caído.

Assim, as tarifas se tornaram politicamente tóxicas menos por seu efeito efetivo do que pela maneira e pelo momento em que foram impostas. Trump “implementou uma política que eleva os preços em um momento de extrema sensibilidade em relação aos preços”, disse Scott Lincicome, crítico das tarifas no Cato Institute, centro de estudos de orientação liberal clássica.

Pela Constituição dos Estados Unidos, o Congresso tem autoridade sobre as tarifas, mas delega parte desse poder ao presidente em circunstâncias específicas. Se Trump tivesse pedido ao Congresso para elevar tarifas de forma seletiva — por exemplo, contra a China ou em setores particularmente sensíveis —, os dois partidos poderiam ter apoiado a medida.

Em vez disso, ele impôs e retirou tarifas quando quis, tanto contra adversários quanto contra aliados, muitas vezes por motivos pessoais e caprichos. Essa conduta provocou ao menos uma repreensão importante dos tribunais. Segundo Lincicome, as ações também personalizaram profundamente a questão das tarifas, levando democratas e eleitores independentes a se voltar contra elas em proporções muito maiores do que durante o primeiro mandato de Trump.

Nas eleições de 2018 e 2020, embora as propagandas democratas raramente mencionassem tarifas ou protecionismo, quando o faziam, muitas vezes era de maneira positiva, segundo uma análise do Wall Street Journal baseada em dados da AdImpact. Na atual campanha para as eleições de meio de mandato, as tarifas são mencionadas repetidamente e sempre de forma negativa.

Essa mudança no cenário político vai influenciar a estratégia dos democratas caso conquistem o controle do Congresso no próximo mês ou da Casa Branca daqui a dois anos. Os democratas já votaram repetidamente pela revogação de tarifas ou pela limitação dos poderes de Trump para impô-las, mas não conseguiram superar a oposição republicana.

“Deveríamos revogar as tarifas e relegar a política industrial clientelista [de Trump] às notas de rodapé da história”, disse Jake Auchincloss, democrata moderado que concorre à reeleição em Massachusetts. “Devemos abraçar o livre-comércio com povos livres”, afirmou, referindo-se aos aliados dos Estados Unidos, mas não à China ou à Rússia.

O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, que poderá se tornar presidente da Casa caso os democratas conquistem a maioria, já declarou que seu partido revogaria as tarifas. Mas não especificou quais seriam eliminadas nem como isso seria feito. Trump provavelmente poderia vetar qualquer projeto de lei que limitasse sua autoridade.

A revogação também pode se tornar mais difícil até 2028, quando as indústrias americanas já terão se acostumado à proteção tarifária, parte dos investimentos prometidos terá se concretizado e as tarifas estarão gerando quase US$ 200 bilhões por ano em receitas para o governo federal.

Ainda assim, nas condições atuais, diminuem as chances de que a ampla transformação da política comercial iniciada por Trump há mais de um ano sobreviva ao seu segundo mandato. A mudança mais limitada promovida durante seu primeiro governo, por outro lado, deve permanecer.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: The Wall Street Journal

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