JBS traz fundo soberano da Indonésia como sócio em operação de US$ 2,5 bilhões
A JBS acaba de fechar um acordo com o fundo soberano da Indonésia que transforma suas operações na Austrália e na Nova Zelândia na base de uma nova plataforma de expansão na Ásia.
A sociedade prevê um investimento de US$ 2,5 bilhões do Danantara Investment Management (DIM) em troca de 25% da joint venture, que terá como foco aquisições e novos projetos no setor de proteínas.
A operação atribui à nova firma, que reunirá os negócios australiano e neozelandês da JBS, um valor implícito de US$ 10 bilhões. A transação avaliou a operação australiana a um múltiplo de 11 vezes o resultado operacional (Ebitda), apurou o InvestNews.
Mais do que trazer um novo sócio para esses ativos, porém, a estrutura foi desenhada para dar à companhia poder de fogo para avançar sobre um dos mercados de proteína que mais crescem no mundo.
Como vai funcionar
Além dos US$ 2,5 bilhões comprometidos pelo Danantara, a joint venture poderá levantar outros US$ 2,5 bilhões com emissão de dívida.
Com isso, a parceria poderá mobilizar até US$ 5 bilhões para aquisições, construção de novas unidades e expansão de operações existentes na Indonésia, em outros países do Sudeste Asiático, na Austrália e na Nova Zelândia.
O dinheiro entrará aos poucos. No fechamento da transação, o fundo indonésio fará um primeiro aporte de US$ 800 milhões e ficará com cerca de 9,6% da nova companhia.
Os US$ 1,7 bilhão restantes poderão ser investidos ao longo dos três anos seguintes, até que o Danantara complete sua participação de 25%.
Nos primeiros dois anos, esse capital terá um destino específico: financiar aquisições, participações em firmas e projetos greenfield (“do zero”) no setor de proteínas na Indonésia.
Depois desse período, os recursos remanescentes poderão ser direcionados também para oportunidades no restante do Sudeste Asiático, Austrália e Nova Zelândia.
Potencial da região
A estrutura coloca a operação australiana, uma das principais plataformas internacionais da JBS, no centro da estratégia de crescimento da companhia na região.
Segundo a firma, os mercados abrangidos pela parceria somam cerca de 745 milhões de habitantes. A expectativa é aproveitar o aumento da renda, a urbanização e o crescimento do consumo de proteínas nesses países.
A JBS continuará como controladora da joint venture. Dos até sete integrantes do conselho, cinco serão indicados pela companhia e dois pelo Danantara.
O fundo terá, porém, poder de veto sobre algumas decisões relevantes, incluindo emissão de novas ações, reorganizações societárias, venda de ativos importantes e aumento da dívida acima de limites previamente acordados.
O acordo também protege o investidor indonésio caso o desempenho dos negócios fique abaixo do nível usado como referência para a transação.
Se a média do Ebitda da joint venture em 2026 e 2027 ficar abaixo do resultado de 2025, o Danantara terá direito a ações adicionais. Nesse cenário, sua fatia poderá aumentar, mas ficará limitada a 30%.
Futuro
A parceria já nasce ainda com uma possível porta de saída para o fundo. JBS e Danantara concordaram em não vender suas participações por cinco anos e pretendem, posteriormente, buscar uma abertura de capital da joint venture.
Se o IPO não ocorrer até o sexto aniversário da operação, o fundo poderá, sob determinadas condições, trocar sua participação por ações da própria JBS.
“Estamos construindo uma plataforma mais forte para capturar o crescimento de longo prazo do consumo global de proteína. Ao mesmo tempo, estamos criando as condições para expandir nossa presença na Ásia, uma das regiões mais dinâmicas da indústria”, afirmou, em nota, Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS.
A conclusão da operação ainda depende de aprovações regulatórias e de outras condições precedentes. Antes do fechamento, a JBS também terá de transferir suas operações na Austrália e na Nova Zelândia para a holding holandesa que abrigará a joint venture.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Rikardy Tooge