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Órgão de vigilância financeira do G20 alerta para riscos das stablecoins

As stablecoins têm um potencial danado, e tanto pessoas físicas como firmas já perceberam isso. Mas esses criptoativos também podem trazer riscos à estabilidade financeira global. Pelo menos é o que alerta o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês).

Em relatório publicado agora em outubro, o órgão internacional de vigilância financeira ligado ao G20 apontou que um dos pontos críticos é o risco de liquidez.

O cenário é o seguinte: as stablecoins podem ser negociadas 24 horas por dia, sete dias por semana, o que é algo bom. Mas vamos supor que ocorra uma turbulência no mercado e muita gente decida resgatar seus recursos ao mesmo tempo. A facilidade para negociar esses ativos poderia acelerar as vendas e os pedidos de resgate.

Essas criptomoedas, no entanto, têm seu valor atrelado a moedas tradicionais, como o dólar, e podem ser lastreadas em ativos como títulos públicos. Se o emissor não conseguir liquidar suas reservas com rapidez suficiente para atender à demanda por resgates, a stablecoin pode perder a paridade com a moeda de referência. Aí seria um deus-nos-acuda.

“Em momentos de estresse, o acesso ininterrupto e a velocidade de negociação nos mercados secundários podem aumentar a velocidade e a magnitude potenciais das liquidações, pressionando a paridade da stablecoin se os resgates não acompanharem a demanda”, alerta o FSB.

A situação pode ser ainda mais complexa nos modelos com múltiplos emissores, em que várias firmas compartilham responsabilidades por uma mesma stablecoin, mas mantêm reservas separadas.

Em uma crise, os pedidos de resgate podem se concentrar em apenas uma dessas firmas, enquanto os recursos necessários para atendê-los estão em outra jurisdição. Transferir as reservas entre países pode ser mais difícil justamente quando a liquidez é mais necessária.

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O alerta para os países emergentes

O relatório também chama a atenção para os riscos específicos enfrentados pelos mercados emergentes. Nesses países, a adoção de stablecoins atreladas ao dólar pode estimular a substituição da moeda local, em um processo conhecido como dolarização informal.

Portanto, se as pessoas e firmas passarem a utilizar cada vez mais stablecoins em dólar em vez da moeda nacional, isso pode reduzir o papel dos bancos locais na intermediação financeira e dificultar a gestão dos fluxos de capitais. Segundo o FSB, esses riscos podem se tornar relevantes mesmo quando a adoção das stablecoins ainda não é tão ampla.

O problema dos dados

Outro obstáculo é a qualidade das informações disponíveis. Apesar da transparência das blockchains públicas, nem sempre é possível identificar quem está por trás das transações, onde os usuários estão localizados ou para que os ativos estão sendo utilizados.

O FSB também destaca que as autoridades dependem, em grande parte, de firmas privadas de análise de dados. Como essas companhias utilizam metodologias próprias, nem sempre padronizadas ou transparentes, as informações podem apresentar inconsistências e dificultar comparações entre diferentes fontes.

Para enfrentar esses problemas, o órgão recomenda o desenvolvimento de métricas padronizadas para monitorar os riscos à estabilidade financeira, o fortalecimento da cooperação internacional e do compartilhamento de informações entre reguladores e a adoção de boas práticas para coletar e organizar dados dentro e fora das blockchains.

Nem tudo são riscos

Lendo os alertas acima, até parece que as stablecoins são um perigo. Mas não é bem assim. O próprio relatório reconhece que esses ativos podem trazer benefícios para a economia real, desde que os riscos sejam adequadamente tratados.

Em países emergentes e em desenvolvimento, por exemplo, as stablecoins podem funcionar como uma alternativa de reserva de valor, especialmente para pessoas que buscam proteção contra a desvalorização da moeda local. Elas também podem contribuir para a inclusão financeira.

Outro benefício potencial está nos pagamentos. Segundo o FSB, as stablecoins podem viabilizar transações domésticas e internacionais mais rápidas, transparentes e baratas em larga escala.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h

Bitcoin (BTC):  -0,30%, US$ 83.094,48

Ethereum (ETH): -2,36%, US$ 2.491,70

BNB (BNB): -1,50%, US$ 738,06

XRP (XRP): -3,39%, US$ 1,35

Solana (SOL): -4,72%, US$ 106,09

Outros destaques do mercado cripto

Anbima divulga resultados em novembro. Em abril deste ano, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados monetário e de Capitais (Anbima, para os mais chegados) lançou seu projeto-piloto de tokenização. Lembram? Pois então. A entidade anunciou que os resultados serão divulgados em novembro. Os players do setor estão de olho, já que a iniciativa reúne nomes conhecidos por aqui, como B3, BTG Pactual e Bradesco.

TSE e a cripto que pede voto para Bolsonaro. Na newsletter da sexta-feira passada, falamos sobre um site que oferece criptomoedas a usuários que publicam posts pedindo votos para o senador Flávio Bolsonaro. No mesmo dia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão do portal. A campanha do político, vale lembrar, disse que desconhece a autoria do site. Em ano de eleição, acontece de tudo, hein?

Chip espião atinge carteiras cripto. A Ledger, uma das principais fabricantes de carteiras físicas de criptomoedas, identificou um chip espião em dispositivos vendidos pela revendedora CryptoBilis, no Sudeste Asiático. O componente capturava as 24 palavras de recuperação (uma espécie de chave mestra que dá acesso aos fundos) e as enviava a criminosos, permitindo o roubo de criptomoedas. Pesquisadores estimam perdas de até US$ 93,2 milhões em mais de 300 carteiras.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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