Por que o maior ativo do brasileiro é a sua capacidade de gerar renda?
Quanto tempo você conseguiria manter suas contas se, de repente, não pudesse mais trabalhar? Em um País onde a renda ativa ainda é o principal, e muitas vezes o único, ativo monetário, o risco não está só no desemprego, mas na incapacidade de gerar renda. Ainda assim, segundo o Datafolha, 43% dos brasileiros não possuem reserva para imprevistos, enquanto, apenas em 2025, mais de 4 milhões precisaram se afastar do trabalho por problemas de saúde, de acordo com a Previdência Social.
As principais causas para os afastamentos são lesões que impactam na rotina e na renda dos profissionais, como dores musculares, problemas de coluna e fraturas. Com esses traumas, não seria possível ganhar renda mesmo se tentassem atuar em empregos temporários.
Para profissionais autônomos e informais a realidade pode ser ainda mais desafiadora, já que ficar doente significaria interromper totalmente a geração de renda. E mesmo entre trabalhadores formais, o auxílio por incapacidade temporária do INSS não garante a reposição integral dos ganhos.
“Eventos pontuais já são suficientes para desorganizar a vida financeira. Existe uma percepção de que o principal risco monetário está na perda do emprego, mas os dados mostram que a incapacidade de trabalhar é um evento muito mais frequente e, muitas vezes, negligenciado no planejamento”, afirma Rafael Cló, CEO da Azos.
Por que o brasileiro não consegue guardar dinheiro?
De acordo com o Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, mesmo sabendo da importância de poupar despesas, muitos brasileiros não conseguem guardar dinheiro por uma combinação de fatores, como renda limitada e falta de organização financeira.
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“Muitas vezes, o indivíduo não tem clareza sobre quanto ganha e quanto gasta, e acaba priorizando o consumo imediato em vez do planejamento de longo prazo. Além disso, guardar dinheiro exige disciplina e renúncia no presente, o que se torna mais difícil sem um objetivo claro”, diz Praça.
Marcelo Biasoli, CEO da 123Seguro, concorda e acrescenta que muitas famílias já operam com o orçamento no limite, ou até no negativo, o que reduz a capacidade de guardar renda extra. Para ele, porém, o principal obstáculo para o brasileiro manter dinheiro no bolso é a baixa percepção de risco no curto prazo.
“Como o risco não é imediato, a proteção financeira costuma ser deixada para depois. Reserva de emergência, planejamento de longo prazo e até mecanismos como seguros acabam sendo vistos como secundários diante das demandas do presente. Além disso, muita gente não sabe por onde começar ou acredita que organizar a vida financeira exige valores altos e um planejamento complexo. Quando o processo parece distante da própria realidade, a tendência é adiar”, afirma.
Essa lógica se conecta a uma ideia ainda comum, a de que poupar dinheiro é importante apenas para a aposentadoria, objetivo que, para muitos, parece distante. No entanto, dados da Previdência Social mostram que o número de trabalhadores afastados por incapacidade temporária cresceu 15% em 2025 na comparação com 2024. Ou seja, guardar dinheiro deixou de ser apenas uma estratégia ao longo prazo e passou a ser essencial também para lidar com imprevistos ao longo da vida profissional.
Onde os brasileiros erram na reserva de emergência
Embora essencial, a reserva de emergência não deve ser considerada uma solução completa para qualquer imprevisto monetário, e é aí que começa um dos principais erros. Casos como doença ou afastamento do trabalho podem gerar impactos monetários tanto no curto quanto no longo prazo, comprometendo a renda por períodos prolongados e podendo exigir uma proteção mais ampla do que apenas o dinheiro guardado.
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Além disso, falhas no planejamento também comprometem a eficácia da reserva. É comum que o montante seja calculado sem levar em conta todas as despesas fixas ou a existência de dependentes, o que reduz sua capacidade de cobertura. Outro deslize frequente é o uso inadequado dos recursos, com saques para gastos previsíveis ou consumo, o que esvazia sua função principal.
“O principal erro é acreditar que a reserva de emergência resolve qualquer cenário. Ela é essencial, mas foi pensada para cobrir imprevistos de curto prazo. Enquanto a reserva cobre o curto prazo, o seguro de vida protege nos imprevistos maiores, uma doença séria ou um acidente que tira a pessoa do trabalho por meses. No fim, a reserva é uma peça importante, mas não substitui uma visão mais completa de proteção financeira, especialmente quando falamos de interrupção de renda”, afirma Cló, da Azos.
Como começar a organizar a vida financeira?
Dar os primeiros passos na organização financeira não exige grandes valores, o ponto de partida é entender quanto entra e quanto sai do orçamento ao longo do mês, separando despesas essenciais daquelas que podem ser ajustadas. A partir disso, Praça, da ZERO Markets Brasil, recomenda criar uma regra simples de distribuição da renda, como destinar parte para gastos, parte para poupança e uma fração para lazer, ajuda a dar direção ao dinheiro e evita a sensação de descontrole.
“O processo começa com pequenos valores, mas com frequência regular. É importante guardar sempre que houver entrada de dinheiro, especialmente no caso de renda variável, e tratar esse valor como uma obrigação. Separar uma porcentagem fixa de tudo que entra, como 10% ou 20%, ajuda a criar um sistema sustentável ao longo do tempo”, diz.
Ele também vai dizer que, para quem depende exclusivamente da própria renda, o ideal é acumular entre seis e 12 meses do custo de vida, criando uma proteção contra imprevistos como perda de renda ou problemas de saúde.
O segredo está em transformar o ato de poupar em um hábito, tratando como uma obrigação e não como algo que sobra no fim do mês.
Para colocar isso em prática, os profissionais recomendam algumas ações simples podem ajudar:
- Entenda sua realidade: anote tudo o que ganha e gasta por pelo menos 30 dias;
- Separe o essencial do supérfluo: identifique onde é possível ajustar;
- Crie uma regra básica de dinheiro (exemplo: 70% para viver, 20% para reserva e 10% para lazer);
- Comece pela reserva de emergência antes de pensar em investir.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Ana Ayub

