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Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor nesta quarta-feira (22), em mais um capítulo da escalada das tensões comerciais entre Brasília e Washington.

A medida foi anunciada após uma investigação do governo do presidente Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que supostamente “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos. Entre os exemplos citados pelos americanos estão o sistema de pagamentos Pix, a regulação de plataformas digitais e outras políticas consideradas barreiras ao comércio.

As justificativas foram contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em assuntos internos do país. Integrantes do governo afirmam que temas como o Pix e a regulamentação do ambiente digital são questões soberanas e não devem ser objeto de negociação comercial.

A nova tarifa não atinge todos os produtos brasileiros. Uma extensa lista de exceções foi incluída na medida, preservando exportações relevantes como petróleo, café e carne bovina. Ainda assim, a decisão afeta diversos segmentos da indústria nacional, incluindo produtores de etanol, máquinas agrícolas, papel e outros bens manufaturados.

A entrada em vigor da tarifa ocorre em um momento em que o governo Trump amplia sua estratégia de uso de barreiras comerciais contra parceiros ao redor do mundo.

Outros países

Segundo informações da Bloomberg, a Casa Branca prepara uma nova rodada de tarifas sobre produtos de cerca de 60 economias, que pode ser anunciada até sexta-feira. O objetivo é substituir as tarifas globais temporárias de 10% que expiram nesta semana e evitar qualquer interrupção na política comercial da administração americana.

No mês passado, o governo dos EUA propôs tarifas de pelo menos 10% sobre dezenas de parceiros comerciais sob a justificativa de que esses países mantêm padrões insuficientes de combate ao trabalho forçado. As medidas devem ser aplicadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento que permite ao presidente impor tarifas unilateralmente para combater práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.

Pela proposta, produtos importados de economias como Canadá, México, União Europeia e Taiwan ficariam sujeitos a uma tarifa de 10%. Já mercadorias provenientes de grandes parceiros comerciais, como China, Índia e Japão, enfrentariam uma alíquota de 12,5%.

Na terça-feira, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a implementação dessas medidas é iminente. “Esperamos ver alguma ação em breve”, disse Greer em entrevista à CNBC. Segundo ele, o governo ainda precisa informar o Congresso e outros grupos interessados antes de divulgar os detalhes finais.

A movimentação ocorre após uma série de disputas judiciais envolvendo a política tarifária de Trump. Neste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte das tarifas globais anteriormente impostas pelo presidente. Em resposta, a Casa Branca recorreu a outros instrumentos legais para manter a cobrança de tarifas sobre produtos importados.

Uma dessas medidas foi a adoção de uma tarifa geral de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio, mecanismo que permite a aplicação temporária de sobretaxas de importação para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos. Embora essa iniciativa também tenha sido questionada na Justiça, ela permaneceu válida para a maior parte dos importadores.

A nova tarifa sobre produtos brasileiros se soma a outras ações recentes da administração Trump. Na semana passada, Washington anunciou uma tarifa de 25% sobre diversos produtos do Brasil. Nesta semana, o governo americano também prometeu elevar para 50% as tarifas sobre muitos produtos canadenses, intensificando a disputa comercial com o principal parceiro dos Estados Unidos na América do Norte.

Além disso, Trump afirmou nas redes sociais que fabricantes de medicamentos genéricos terão de transferir a produção para os Estados Unidos ou enfrentar uma tarifa de importação de 100% a partir de agosto de 2028.

A estratégia reforça a visão do presidente de que as tarifas são uma ferramenta para estimular a produção doméstica e reduzir a dependência de cadeias globais de suprimentos. Para críticos, porém, as medidas tendem a elevar os custos para consumidores e firmas americanas, além de aumentar a instabilidade no comércio internacional.

Para o Brasil, a nova sobretaxa representa mais um desafio em um dos principais mercados para produtos industrializados do país. Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China, e respondem por uma parcela significativa das vendas externas de bens com maior valor agregado.

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Autor: Redação InvestNews

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