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Vale bate recorde de minério, mas é o cobre que engorda a conta

A Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho, a maior quantidade para um segundo trimestre desde 2018. O dado que mais importa para o caixa da firma, porém, está em outro metal.

O preço do cobre subiu 56% em um ano, para US$ 14.062 por tonelada. Foi essa alta, mais do que o volume de minério, que sustentou o resultado do trimestre.

A firma vendeu 79,7 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento veio principalmente da mina de S11D, no Pará, que teve produção recorde para a época do ano.

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Produzir mais, porém, nem sempre significa vender mais caro. O “extra” que a Vale consegue cobrar pelo minério de melhor qualidade caiu 29% em relação ao trimestre anterior, para US$ 4,4 por tonelada.

O motivo foi a mudança no mix de vendas. A firma vendeu proporcionalmente mais minério de qualidade intermediária e menos do produto premium. Não é um problema pontual, e sim uma decisão que analistas do BTG Pactual acompanham de perto.

Em relatório de 16 de julho, o banco projeta que o preço do minério deve seguir entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada nos próximos anos. A leitura é de um mercado equilibrado, nem escasso, nem sobrando.

O motor de verdade: cobre

Enquanto o minério de ferro cresce pouco, o cobre virou o destaque da Vale. A produção subiu 6%, para 98,4 mil toneladas, puxada pela mina de Salobo, no Pará, que teve seu melhor resultado para um segundo trimestre.

O que muda o jogo, no entanto, é o preço. A tonelada do metal ficou 56% mais cara do que há um ano, reflexo direto da disputa global por matérias-primas usadas em carros elétricos, redes elétricas e data centers de inteligência artificial.

O BTG Pactual é otimista com essa tendência. O banco argumenta que minas antigas, muitas com mais de 50 anos de operação, produzem cada vez menos. A demanda por cobre, ao mesmo tempo, segue crescendo, o que sustentaria preços mais altos por mais tempo.

Há também um alerta no radar dos investidores. O custo de produção da Vale deve superar US$ 25 por tonelada de minério no trimestre, valor considerado alto.

O BTG estima que a firma pode revisar sua meta de custo anual, hoje em US$ 21,5 por tonelada, para cerca de US$ 23. A avaliação do banco é que esse custo mais alto tem explicação sazonal e deve cair na segunda metade do ano, sem representar uma mudança estrutural.

Um episódio pouco comum também afetou o trimestre. As fábricas de pelotas de minério de ferro que a Vale mantém em Omã pararam temporariamente por causa do conflito no Oriente Médio, que trouxe dificuldades logísticas na região.

A produção só foi parcialmente retomada no fim de junho. O impacto foi uma queda de 7% na produção total de pelotas. A firma conseguiu amenizar o problema redirecionando parte da matéria-prima para outras fábricas, no Brasil, e vendendo mais minério bruto no lugar do produto processado.

No Sul de Minas Gerais, a Vale mantém paralisadas desde janeiro as operações das minas de Fábrica e Viga. É um lembrete de que restrições ligadas à segurança de barragens continuam limitando parte da produção da firma nessa região, mesmo anos depois do rompimento da barragem de Brumadinho.

O impacto foi parcialmente compensado por outra unidade da região, que aumentou a produção graças à entrada em operação de uma nova planta.

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Autor: Raquel Brandão

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