Vai receber dinheiro do FGC? Saiba onde investir para não repetir o erro com o Banco Master
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a ressarcir os investidores que compraram CDBs do Master – e você tem uma segunda chance para tomar uma decisão melhor sobre onde colocar esse dinheiro. Para quem pretende reaplicar os recursos, de longe a melhor escolha, existem três caminhos: Tesouro Selic, CDBs de bancos grandes e, com parcimônia, CDBs de bancos menores.
A análise parte da mesma natureza dos investimentos feitos no Master: emissões bancárias que pagam um percentual do CDI e que podem servir tanto para buscar ganhos maiores quanto para manter acesso relativamente rápido aos recursos – no caso de quem tomou uma decisão ruim, diga-se de passagem. Vamos entender.
Tesouro Selic: o básico bem feito
Quem acha que CDB é tudo igual teve uma experiência amarga ao aplicar dinheiro no Master. Se os recursos tinham como objetivo o acesso rápido — como no caso de uma reserva de emergência — ou se o perfil do investidor sempre foi mais conservador, o Tesouro Selic surge agora como a alternativa mais adequada.
Reservas de curto prazo existem para cumprir uma função muito específica: estar disponíveis quando necessário. Qualquer estratégia que coloque essa função em segundo plano tende a cobrar seu preço mais cedo ou mais tarde, como muitos investidores aprenderam da pior forma.
O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e oferece uma rentabilidade alinhada ao cenário macroeconômico, sem exigir apostas sobre a saúde financeira de um banco específico. Trata-se do menor risco de crédito possível — o risco soberano — e ainda conta com liquidez diária, o que permite ao investidor colocar as mãos no dinheiro sem surpresas desagradáveis no caminho.
Esse investimento não promete ganhos extraordinários, até porque não foi criado para isso. Mas cumpre exatamente o papel que se espera: dar previsibilidade a um dinheiro que precisa ficar longe da volatilidade e dos imprevistos.
CDBs de “bancões”: menos emoção, mais previsibilidade
Quem quer dar um passo adicional na escala de risco pode optar agora por um CDB de um grande banco. Esses papéis funcionam como uma alternativa intermediária: têm um degrau a mais de risco em relação aos títulos públicos, já que aqui o investidor assume o risco de crédito do banco emissor, mas ainda privilegiam estabilidade e baixa volatilidade.
Normalmente, esses CDBs oferecem rentabilidades mais modestas, próximas de 100% do CDI ou ligeiramente acima. Comprar um CDB é financiar um banco, e, nesse caso, investidor está financiando instituições de balanços mais robustos, maior capacidade de absorver choques e histórico de atuação mais consolidado. A escolha reduz significativamente a probabilidade de eventos extremos, ainda que não os elimine por completo.
Para recursos que podem precisar ser resgatados em prazos relativamente curtos, essa troca faz sentido. O objetivo, nesse caso, não é obter grandes lucros, mas manter o dinheiro em um local seguro, com remuneração razoável e sem sobressaltos.
CDBs de bancos menores: retorno maior, risco maior e mais paciência
Os CDBs que começam a oferecer retornos mais elevados, superando 105% do CDI, são tentadores — e também mais arriscados. Eles continuam sendo uma alternativa viável para quem está saindo dos CDBs do Master. Só que, para fugir de uma nova experiência frustrante, você precisa saber para onde esse dinheiro está indo.
Na busca por maior rentabilidade, o ganho potencial vem acompanhado de riscos reais e, muitas vezes, de menor liquidez. Para o investidor comum, é difícil rastrear o histórico e avaliar a qualidade financeira de instituições de menor porte. Mas isso não impede você de fazer o dever de casa básico: uma boa pesquisa de quem é o emissor da dívida e um pouco de desconfiança de remunerações excessivamente altas.
Bancos menores não têm à disposição o mesmo dinheiro dos grandes bancos e precisam oferecer taxas mais generosas para se financiar. Isso não significa que sejam escolhas ruins, mas deixa claro que o investidor está assumindo uma aposta para prazos mais longos. O dinheiro aplicado nesse tipo de CDB deve ser aquele que pode permanecer investido até o vencimento, sem necessidade de resgate antecipado.
Mesmo com a proteção do FGC, o processo de recuperação do capital pode levar tempo caso algo dê errado, o que torna esse tipo de investimento inadequado para recursos com destino definido ou uso próximo. A lógica aqui se aproxima mais de um investimento de médio a longo prazo do que de uma simples aplicação de caixa.
Para quem entende esses riscos, diversifica e evita concentrar valores elevados em uma única instituição, esses CDBs podem cumprir seu papel na carteira. Mas a principal lição permanece clara: retorno alto só faz sentido quando o investidor está disposto a pagar o preço da espera e da incerteza.
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Autor: Juliana Machado