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Compra de stablecoins no exterior recua 80% após novas regras do BC

As compras de stablecoins no exterior caíram de US$ 2,54 bilhões em junho para US$ 572 milhões em julho, segundo as estatísticas do setor externo do Banco Central, divulgadas na quinta-feira (27). Isso representa uma redução de quase 80% no período.

Motivo da queda? Em coletiva de imprensa, o chefe do Departamento de Estatísticas do órgão, Fernando Rocha, disse o seguinte:

“Essa redução das transações reflete um momento de reorganização do mercado de ativos virtuais num contexto de intensificação da regulação e da supervisão de conduta do Banco Central sobre esse setor, em especial as exigências de governança e de procedimentos para prevenção das operações de de lavagem de dinheiro”.

Em julho, dando sequência à regulação do setor iniciada no fim do ano passado, o BC incorporou as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (exchanges e outras firmas que trabalham com cripto) ao arcabouço prudencial vigente.

Na prática, passou a enquadrar essas firmas em um regime regulatório mais próximo ao de corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários, com regras de governança, gestão de riscos e capital. As novas exigências prudenciais começam a valer em 2027.

Parte do setor tem visto a regulamentação com bons olhos, pois ela cria mais segurança jurídica para o mercado. Outros, no entanto, consideram as regras pesadas, especialmente em questões envolvendo stablecoins e as exigências de capital. Algumas firmas, inclusive, decidiram fechar as portas ou deixar o Brasil.

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US$ 15 bi em stablecoins na gringa

Apesar do recuo das compras de stablecoins em julho, nos sete primeiros meses deste ano elas somaram US$ 15,2 bilhões. Isso é o dobro dos US$ 7,6 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

E aqui vale uma explicação contábil. O BC acompanha a aquisição líquida desses ativos por residentes no Brasil. Na prática, são principalmente firmas que compram stablecoins no exterior para distribuí-las no mercado brasileiro. Nas estatísticas, essas operações aparecem na categoria “criptoativos com passivo correspondente”.

É diferente do enquadramento de ativos como bitcoin (BTC) e ethereum (ETH), que não têm um emissor responsável por garantir seu valor. Outro exemplo de ativo com passivo correspondente são as CBDCs, moedas digitais emitidas por bancos centrais, como o yuan digital, da China. No entanto, não há volume relevante de aquisição de CBDCs por brasileiros no exterior.

Volume alto nas exchanges locais

Apesar do recuo das compras no exterior, o volume de negociação de stablecoins em julho nas corretoras locais bateu recorde: foram R$ 21,39 bilhões em USDT e R$ 10 bilhões em USDC, somando cerca de R$ 31 bilhões, segundo dados da plataforma Índice Biscoint. Foi o maior volume já registrado desde janeiro de 2024, quando começou o monitoramento.

Agora em agosto, vale dizer, o ritmo diminuiu. Faltando quatro dias para o fim do mês, o total negociado das duas principais stablecoins de dólar estava em cerca de R$ 19 bilhões.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.

Bitcoin (BTC):  +0,20%, US$ 79.706,24

Ethereum (ETH): +0,16%, US$ 2.505,66

BNB (BNB): -0,01%, US$ 706,67

XRP (XRP): -0,20%, US$ 1,42

Solana (SOL): +2,08%, US$ 106,21

Outros destaques do mercado cripto

Visa mais próxima de stablecoins e IA. A Visa quer estreitar ainda mais sua relação com as stablecoins e IA. A gigante de pagamentos fechou uma parceria com a Dunamu, dona da exchange sul-coreana Upbit, para explorar pagamentos com stablecoins, transferências internacionais e serviços monetários movidos por inteligência artificial. As firmas também querem estudar o chamado comércio por agentes, em que uma IA pode procurar um produto ou serviço e fazer o pagamento em nome do usuário.

Bitcoin a US$ 1 milhão? É só o bitcoin começar a subir que os players do setor voltam a fazer previsões de preço para o futuro da cripto. O fundador da Binance, Changpeng Zhao (conhecido como CZ), disse que vê o BTC chegando a US$ 1 milhão – e que isso pode acontecer bem mais rápido do que se imagina. A cripto está na faixa dos US$ 79 mil hoje. Se a previsão se concretizar, seria uma alta de 1.158%. Detalhe: não é a primeira vez que CZ faz esse tipo de previsão. Em 2025, ele já dizia que o bitcoin poderia chegar a US$ 500 mil ou US$ 1 milhão neste ciclo.

Blockchain e reciclagem. Saiu o resultado do Youth Challenge Blockchain, uma iniciativa do UNICEF para jovens de 18 a 24 anos que querem usar blockchain para criar impacto social. O projeto vencedor foi o Raízes do Futuro, da Bahia. Qual a ideia? Conectar coleta e reciclagem de resíduos à geração de renda para famílias e a um fundo comunitário que financia ações de saúde e educação infantil. Tudo com rastreabilidade via tecnologia cripto.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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