Dividendos da Petrobras (PETR4) em 2026: o que o investidor pode esperar do balanço do 1T26 hoje
A Petrobras (PETR4) divulga o balanço do primeiro trimestre de 2026 na noite desta segunda-feira (11), com o mercado atento à sua política de dividendos, mas com baixa convicção de que a companhia abrirá pagamentos extraordinários, mesmo dentro de uma conjuntura positiva.
A perspectiva é de um resultado sólido, sustentado pelo ambiente externo favorável, que mantém o preço do petróleo em níveis elevados, somado ao crescimento de produção no pré-sal, fatores que amplificam sua receita.
O pagamento de dividendos está num contexto de mudança de orientação da firma, que passou a focar em investimentos do que em remuneração ao acionista. A alta do petróleo, no entanto, oferece uma gordura adicional que permitiria elevar os proventos. É nisso que o mercado vai ficar de olho.
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“A expectativa é de distribuição relevante, próxima a R$ 1,10 por ação, mas em linha com um payout (distribuição de lucros) mais normalizado, distante dos níveis extraordinários observados em anos anteriores”, observa Régis Chinchila, analista de Research da Terra Investimentos.
A firma deve seguir sua política de distribuir 45% do Fluxo de Caixa Livre (FCF) aos acionistas, diferente de percentuais acima de 60%, como em 2022. “Isso reforça a transição da tese de investimento. O papel passa a depender mais da consistência operacional do que de pagamentos excepcionalmente elevados”, completa o analista da Terra.
Dividendos x investimentos
A nova política de investimentos da companhia tem sido bem recebida pelo mercado. A maior parte dos recursos estão sendo investidos na área de Exploração e Produção, segmento de maior rentabilidade, mesmo com a compressão de caixa.
E no caso mais polêmico, dos investimentos em refino, como os R$ 12 bilhões anunciados para a ampliação da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, a leitura é que o cenário geopolítico também traz uma visão positiva. “Nesse contexto de guerra e de estrangulamento do refino no mundo todo, o mercado passa a não ver tão negativamente”, comenta o CEO da Finacap, Luiz Fernando Araújo.
| Petrobras (PETR4) | Projeções 1T26 | |||
| Fonte: BTG Pactual e XP Research | Relatórios de abril/maio de 2026 | |||
| Indicador | Unidade | BTG Pactual | XP Research |
| Lucro líquido | US$ bi | 5,3 | 6,4 |
| Var. t/t | % | +83% | +118,5% |
| Var. a/a | % | −12% | — |
| Receita líquida | US$ bi | — | 25,2 |
| Var. t/t | % | — | +6,9% |
| Var. a/a | % | — | +19,8% |
| EBITDA ajustado | US$ bi | — | 12,6 |
| Var. t/t | % | — | +15,6% |
| FCF / FCFE | US$ bi | 4,8 * | 2,5 ** |
| Dividendos ordinários | US$ bi | 2,1 | 2,4 |
| Dividend yield trimestral | % | 1,5% | 1,7% |
| * BTG: metodologia Petrobras ** XP: FCFE (fluxo de caixa livre para o acionista) | |||
Quanto a Petrobras deve pagar de dividendos
O BTG estima dividendos de US$ 2,1 bilhões no 1T26, o que representaria um retorno de 1,5% no trimestre e de 7,4% a 9% na base anual. “Esse valor vem de acordo com seu aumento de produção e do preço do petróleo”, observa Araújo.
A XP estima dividendos ordinários de US$ 2,4 bilhões, equivalentes a um dividend yield (rendimento em proventos) trimestral de 1,7%. O Santander é mais conservador e prevê um yield de 5,3% em 2026.
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Na análise de sensibilidade do BTG, com o Brent a US$ 80/barril, o dividend yield estimado para 2026 seria de 8,6%. Subiria para 10,2% ao preço de US$ 100 e para 11,8% com o petróleo a US$ 120. Como a guerra do Irã eclodiu no final de fevereiro, o impacto total do novo preço do petróleo sobre a receita da PETR4 será sentido com maior força no balanço do 2T26.
Defasagem da gasolina e diesel no mercado interno
A XP afirma que o Brent chegou a superar US$ 100 por barril em março, elevando a média trimestral da companhia para US$ 78/barril, contra US$ 63 no 4T25. Parte desse efeito positivo, porém, teria sido compensada pela valorização do real e pela queda de margens de diesel e gasolina no mercado interno.
Neste sentido, o governo, principal acionista, vem dando uma mão à Petrobras. Medidas de compensação como corte de PIS/Cofins e alterações na cobrança do ICMS estadual ajudam a reduzir o impacto do custo da gasolina no bolso do consumidor brasileiro.
No passado, a Petrobras tinha mais dificuldade para absorver esse tipo de pressão porque dependia fortemente da importação de derivados. “Em 2015, por exemplo, a Petrobras precisou arcar com esse custo de importação. Isso gerou um prejuízo enorme, superior a R$ 60 bilhões”, relembra o CEO da Finacap.
O histórico ainda faz preço e por isso o mercado também vai olhar com atenção a rentabilidade da área de refino, transporte e comercialização da Petrobras, segmento mais sensível à defasagem entre os preços domésticos e as cotações internacionais dos combustíveis.
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Como a estatal não consegue suprir integralmente a demanda nacional, parte da gasolina e do diesel consumidos no país precisa ser importada. Quando o preço interno fica artificialmente abaixo do mercado externo – uma defasagem estimada entre 15% e 40% -, essa diferença pressiona as margens do refino e pode distorcer a qualidade operacional (Ebitda) reportado pela companhia.
Diferente do passado, a produção do pré-sal auxilia neste bom momento da companhia. A Petrobras divulgou há pouco dias relatório de produção mostrando produção de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia, uma alta de 3,7% na comparação trimestral e 16,1% em relação há um ano.
Além disso, hoje a Petrobras depende menos do mercado interno. “Quase um terço do faturamento vem da exportação do petróleo”, diz o CEO da Finacap.
No ano, a ação da companhia valoriza na casa dos 50%.
O que dizem BTG, XP e Santander sobre PETR4
O BTG Pactual estima que a Petrobras registre lucro líquido de US$ 5,26 bilhões no 1T26, alta de 83% em relação ao quarto trimestre de 2025, mas queda de 12% frente ao mesmo período do ano anterior.
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O banco projeta ainda Ebitda ajustado (indicador de lucro operacional) de US$ 13 bilhões, num avanço de 15% na comparação trimestral e de 26% em base anual. Já o fluxo de caixa livre, pela metodologia da estatal, deve alcançar US$ 4,8 bilhões, sustentado pela alta do Brent, produção recorde e exportações robustas.
O banco elevou o preço-alvo da PBR de US$ 21 para US$ 25 por ADR (American Depositary Receipt), recibo negociado na Bolsa da Nova York que representa ações da firma. O banco mantém recomendação de compra.
Já o Santander manteve recomendação neutra para a Petrobras e definiu preço-alvo de US$ 13 para o ADR negociado em Nova York, e de R$ 35 para PETR3 até o final de 2026.
A instituição não fez projeção trimestral e, para o ano, espera um lucro líquido de US$ 15,1 bilhões em 2026, abaixo dos US$ 20,6 bilhões apurados em 2025, enquanto o EBITDA projetado é de US$ 43,1 bilhões. Um volume praticamente estável em relação aos US$ 43,2 bilhões do ano anterior.
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A XP trabalha com preço-alvo de R$ 47 para PETR4, abaixo da cotação de R$ 49,08 no momento da publicação do relatório em 30 de abril. Para o trimestre, o banco estima um lucro líquido de US$ 6,4 bilhões (+118% frente ao 4T25), Ebitda ajustado de US$ 12,6 bilhões (+15,6% no t/t) e receita líquida de US$ 25,2 bilhões (+6,9% no t/t e 19,8% no a/a).
A avaliação é que o resultado do 1T26 deve confirmar a Petrobras como uma geradora de caixa consistente. “O balanço tende a ser positivo, mas o comportamento das ações dependerá principalmente das sinalizações futuras e da percepção de risco político”, afirma Chinchila da Terra Investimentos.
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Autor: Leo Guimarães