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Dólar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos: viajar agora ou esperar? Veja se vale a pena comprar

Com o dólar abaixo de R$ 5, ainda que com oscilações, cresce a dúvida entre brasileiros: é o momento de comprar a moeda e planejar uma viagem internacional ou melhor esperar? Para especialistas, a decisão passa menos por “acertar o timing” e mais por entender o cenário global e adotar uma estratégia.

Nesse contexto, aproveitar o momento exige ir além da cotação diária. Álvaro Frasson afirma que o dólar não deve ser analisado apenas pela “foto”, mas pelo “filme” completo.

Segundo ele, esse movimento teve início meses atrás, com a reprecificação das firmas de tecnologia nos Estados Unidos diante do avanço da inteligência artificial. O processo levou investidores a buscar ativos com menor risco de substituição, como commodities, beneficiando países exportadores, como o Brasil.

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Ao mesmo tempo, conflitos geopolítico fora da América Latina reforçaram esse movimento. “Qual é o país onde eu consigo colocar meu dinheiro que tenha boa exposição a commodity e esteja longe dos conflitos? Brasil”, explica.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, concorda e explica que o enfraquecimento do dólar tem um caráter amplo.

“Não é uma questão pontual, e sim conjuntural […] o mercado percebeu que precisava diversificar, saindo dos Estados Unidos e buscando países emergentes”, afirma.

E aqui surge o Brasil com sua combinação de fatores que implicariam em levar a moeda estadunidense a níveis que a Bolsa não via desde abril de 2024: juros elevados, Bolsa barata em dólares, economia resiliente e distância dos principais conflitos. O resultado foi uma entrada forte de capital estrangeiro (R$ 62 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026) na B3, acrescenta Sung.

Já o economista Sérgio Samuel dos Santos, especialista em fundos do Sistema Ailos, adiciona o problema interno dos EUA como catalisador da queda global do dólar. As incertezas da cotação estão ligadas ao crescimento, inflação e política fiscal do país norte-americano.

Por quanto tempo o dólar pode ficar nesse patamar

Apesar do alívio recente (a moeda chegou a ficar em R$ 4,95 na terça-feira, 21), a sustentação do dólar abaixo de R$ 5 não é consenso.

“Até o terceiro trimestre, é possível o câmbio estar entre R$ 5 e R$ 5,10”, afirma Sung.

Mas ele pondera que esse patamar pode não ser duradouro. Seus modelos indicam um câmbio estrutural entre R$ 4,90 e R$ 5, e a projeção para o fim do ano é de R$ 5,40, com aumento de volatilidade, especialmente por fatores eleitorais e fiscais. Frasson, do BTG, também destaca a influência do petróleo. Como o Brasil se beneficia de preços mais altos da commodity, uma eventual queda (por exemplo, com o fim de conflitos) poderia pressionar o real. Ainda assim, ele vê fatores mais duradouros sustentando a moeda brasileira, como o fluxo para commodities e o afastamento geopolítico.

Já Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest, defende que “no curto prazo, esse patamar pode durar enquanto persistirem três condições: Fed cauteloso, dólar global mais fraco e Selic ainda alta”. Por outro lado, ele alerta que variáveis como eleições, inflação externa e risco fiscal tornam difícil sustentar o dólar abaixo de R$ 5 por muito tempo.

O espaço de valorização do real

Existe, mas com limites. Sung admite que o dólar pode até cair pontualmente abaixo de R$ 5, mas considera difícil uma valorização sustentada do real nesse nível. Já Sérgio Samuel aponta que, no médio prazo, o fim do ciclo de juros altos no Brasil tende a reduzir o diferencial de taxas, diminuindo a entrada de capital estrangeiro. Frasson, por sua vez, traça dois cenários:

  • Uma combinação de petróleo ainda elevado e cortes de juros mais cautelosos poderia levar o câmbio a níveis como R$ 4,80 ou R$ 4,60;
  • Já o oposto, queda do petróleo e cortes agressivos da Selic, poderia gerar forte desvalorização.

Vale a pena comprar dólar agora?

Apesar das divergências sobre o câmbio, há um consenso de não tentar acertar o melhor momento.

O estrategista do BTG, Álvaro Frasson, orienta que com “câmbio é sempre bom fazer paulatinamente […] a melhor estratégia é sempre o preço médio.”

Sung, da Suno, segue a mesma linha e recomenda para ir “comprando aos poucos […] você vai construindo um bom preço médio”.

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Para os mais arrojados, Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, vai além e vê o momento como uma “janela de oportunidade”,  e defende que “não se sabe quando será o fundo do dólar. Uma compra pouco a pouco faz mais sentido.”

Câmbio mais baixo favorece viagens? Nem sempre

Embora o dólar mais barato ajude, ele é apenas uma parte do custo total da viagem. Henrique Soares, planejador monetário CFP, alerta que “o câmbio é apenas uma das variáveis […] um câmbio melhor pode ser parcialmente anulado por passagens mais caras”. Daiane Alves, educadora financeira da Neon, reforça que “o custo das passagens aéreas continua pressionado, principalmente pelo aumento do combustível“.

Além disso, outros custos frequentemente ignorados podem pesar no orçamento, como o Imposto sobre Operações Financeira (IOF) e taxas de cartão; o seguro viagem; a hospedagem e impostos locais; e alimentação e transporte.
Ou seja, olhar apenas para o câmbio pode dar uma falsa sensação de “viagem barata”.

Por isso, caso exista a dúvida se agora é o momento ideal para viajar, a resposta dependerá menos do dólar e mais do planejamento monetário. Para quem tem datas definidas ou pouca flexibilidade, antecipar parte dos curtos pode ser estratégico. Já quem pode esperar tem mais margem para acompanhar preços e buscar oportunidades.

“Mais do que tentar acertar o momento perfeito, faz sentido avaliar se o custo total da viagem está dentro do orçamento”, enfatiza Soares.

Em geral, especialistas recomendam evitar a concentração de decisões. Em um cenário volátil, a disciplina tende a valer mais do que a tentativa de prever o mercado. A estratégia mais consistente, nesse caso, é fazer compras graduais de dólar, se planejar com antecedência e considerar o custo total, e não apenas o câmbio.

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Autor: Isabela Ortiz

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