Vale investir nas criptomoedas do futebol durante a Copa do Mundo?
A Copa do Mundo começou na quinta-feira (11), com o México vencendo a África do Sul por 2 a 0. Enquanto a bola rola no campo, no mercado de criptomoedas muita gente se pergunta se o evento esportivo pode dar um novo fôlego aos fan tokens.
Esses ativos digitais são ligados a times e organizações esportivas. Diferentemente de criptomoedas tradicionais, como bitcoin (BTC), ethereum (ETH) e companhia, eles funcionam de forma semelhante a programas de sócio-torcedor.
Ou seja, quem compra ganha alguns benefícios, como participar de decisões da equipe, ter acesso a promoções exclusivas e experiências diferenciadas.
Entre 2021 e 2022, os fan tokens atingiram seu auge, chegando a um valor de mercado de cerca de US$ 500 milhões, segundo dados da plataforma Rocket Fan. De lá para cá, no entanto, a coisa esfriou bastante: hoje, eles valem cerca de US$ 136 milhões.
Para efeito de comparação, o bitcoin tem valor de mercado de aproximadamente US$ 1,2 trilhão, o ethereum de US$ 200 bilhões e as stablecoins, somadas, de quase US$ 320 bilhões.
A Copa pode impulsionar os fan tokens?
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a resposta é sim. Grandes eventos esportivos costumam aumentar a atenção sobre esses ativos e podem gerar movimentos positivos de curto prazo.
Isso não significa, porém, que eles sejam vistos como investimentos atraentes.
“Não vemos fan tokens como uma tese de investimento estruturalmente interessante neste momento, mesmo em um período de Copa do Mundo”, diz Francis Wagner, head de criptoativos da Hurst Capital.
Ele fala que, embora seja natural que grandes eventos esportivos aumentem a atenção sobre esse tipo de ativo, entende que a dinâmica desses tokens costuma ser mais especulativa do que fundamentalista.
Matheus Gutierrez, analista de criptomoedas da Levante, vai na mesma linha. Ele afirma que o comportamento desses tokens é muito semelhante ao das memecoins, mas com gatilhos ligados ao esporte.
“Eles podem ter momentos de forte valorização em eventos esportivos relevantes, mas carregam riscos elevados e fundamentos mais frágeis que outras criptomoedas”.
Os riscos
Entre os principais riscos estão a volatilidade, a baixa liquidez e a dependência de narrativas esportivas. Além disso, esses ativos podem sofrer quedas acentuadas após eventos importantes ou eliminações, especialmente quando o interesse dos torcedores diminui.
Também pesam fatores como a concentração em poucas plataformas, a ausência de fundamentos monetários tradicionais e o fato de que, por serem ativos relativamente pequenos, movimentos de compra e venda podem provocar oscilações expressivas nos preços.
Mais ferramenta de marketing do que investimento
No geral, segundo os especialistas, os fan tokens tendem a continuar existindo no futuro como ferramentas de marketing, fidelização e relacionamento entre entidades esportivas e suas bases de torcedores, e não como uma forma de investimento.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): +1,22%, US$ 63.608,19
Ethereum (ETH): +1,09%, US$ 1.674,63
BNB (BNB): +0,89%, US$ 604,56
XRP (XRP): +2,12%, US$ 1,14
Solana (SOL): +2,01%, US$ 66,77
Outros destaques do mercado cripto
Um bitcoin para cada gol do Brasil. E falando em Copa, olha essa. A OranjeBTC, maior tesouraria de bitcoin do Brasil, prometeu comprar um BTC para cada gol marcado pela seleção brasileira durante o torneio. A iniciativa acontece em um momento em que a firma vê o valor de sua tesouraria ser pressionado pela recente queda da cripto. Ainda assim, a firma segue aumentando sua posição: na semana passada, comprou mais 41 BTC e agora acumula 3.803 bitcoins.
Seleção brasileira com 9% em apostas cripto. Mais uma sobre a Copa. Já existem vários mercados sobre a competição no Polymarket, plataforma que permite apostar em eventos futuros usando criptomoedas. O principal deles – e isso impressiona – já movimentou mais de US$ 2 bilhões em volume. A aposta é simples: quem será o campeão? Nesta sexta-feira (12), a Espanha liderava com 17% de probabilidade implícita, seguida pela França, com 16%. O Brasil aparecia logo atrás, com 9%.
Novo PL cripto. Agora chega de Copa e vamos para Brasília. Um novo projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados para disciplinar os processos de autorização das prestadoras de serviços de ativos virtuais – nome oficial dado às firmas que atuam com criptomoedas. Na prática, a proposta busca transformar em lei regras publicadas pelo Banco Central no ano passado. O texto também reforça exigências relacionadas a capital mínimo, governança e gestão de riscos das firmas do setor.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins
