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Masterclass Estratégias para Viver de Renda: reinvestir dividendos é como o juro composto da renda fixa

A melhor estratégia para construir uma carteira de renda não passa por tentar acertar o melhor momento para ganhar com uma ação, um fundo imobiliário ou um título de renda fixa. A fórmula para obter a tão sonhada renda passiva é mais trivial – mas exige disciplina: investir regularmente todos os meses, ou sempre que possível, e aproveitar tanto os efeitos dos juros compostos quanto dos reinvestimentos de dividendos.

Essa foi uma das principais lições da masterclass Estratégias para Viver de Renda, organizada pelo InvestNews em parceria com o Nubank, que foi ao ar nesta terça-feira (26).

O evento contou com a participação de um time de especialistas formado por Louise Barsi, cofundadora do AGF e referência na metodologia do megainvestidor Luiz Barsi Filho; Marília Fontes, cofundadora da Nord e autora de “Renda Fixa NÃO é fixa” e “Renda Fixa é a Mãe da Bolsa”; Patrícia Whitaker, gerente geral de Investimentos no Nubank, com passagem por HSBC, Redpoint e XP; e Eduardo Mira, o Professor Mira, investidor profissional e sócio do Clube do FII e do Grana Capital.

“Não adianta você tentar especular, muito provavelmente [o ganho] vai durar pouco”, afirmou Louise Barsi. “Sua principal preocupação tem que ser aplicar recursos no longo prazo, nem que seja um pouquinho todos os meses.”

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O pequeno investidor precisa focar em ter sobra no orçamento e investir esse recurso religiosamente todo mês. “A maior chance que o pequeno investidor tem para alcançar a independência financeira será investir sempre. Essa vai ser sempre a melhor estratégia”, reforçou o professor Mira.

“As pessoas têm a ilusão do controle, e aí acham que conseguem acertar os melhores momentos para ganhar com um ativo, mas, matematicamente, é provado que, se você investir regularmente, funciona muito melhor”, disse o professor.

Reinvestir dividendos é o caminho na renda variável

Além dos recursos da renda ativa, como salários e eventuais pagamentos por bônus na carreira, o “pulo do gato” da carteira de renda de renda variável é reinvestir os dividendos. Isso vale tanto para ações quanto para fundos imobiliários (FII).

A fundadora da AGF (Ações Garantem o Futuro) citou o índice de dividendos da B3, o IDIV, para ilustrar o efeito desse reinvestimento ao longo do tempo. Nos últimos dez anos, o índice de referência gerou um ganho de 420%.

O retorno considera tanto a variação dos papéis quanto o rendimento com os proventos. “São, portanto, dez anos de reinvestimentos de dividendos constantes. O IDIV gerou quase 18% ao ano no período.”

A mesma lógica vale para os FIIs. Conforme o professor Mira, reinvestir os dividendos permite, basicamente, obter o mesmo efeito dos juros compostos, ou seja, dos juros sobre juros da renda fixa.

“A estratégia é reinvestir no momento em que o dividendo cai na conta. Você vai ver que o retorno é muito maior do que somar o retorno da cota com os dividendos.”

Nas contas de Mira, o investidor vai poder desfrutar da renda passiva quando o patrimônio na renda variável passar a render com dividendos 30% a mais do que ele deseja receber.

“Uma conta básica seria a pessoa viver com dois terços e continuar a reinvestir um terço. Se os dividendos já forem suficientes para pagar as contas, o seu custo de vida fixo, aí você atingiu a independência financeira.”

As firmas BEST

Para quem vai começar a montar uma carteira de renda variável, Louise Barsi recomendou a preferência por firmas pagadoras de dividendos em setores já maduros.

“Nós temos [na AGF] um nome para essa estratégia específica para esse filtro, que são as ações do BEST: basicamente são bancos, energia, seguro, saneamento e telecom.”

São companhias consolidadas, que atuam em mercados mais maduros e que conseguem corrigir a inflação em seus contratos com clientes ao longo do tempo.

O mercado chama esse conjunto – exceto bancos e seguros – de “utilities“, ou seja, firmas de utilidades públicas, como concessionárias públicas e outros grupos de infraestrutura.

Taxas altas e volatilidade elevada

Além de ações e FIIs, as estratégias de renda passiva contemplam ainda a classe de investimentos mais popular do Brasil: a renda fixa.

Com os juros em patamares historicamente elevados, acima de dois dígitos, o momento é favorável para “travar” taxas dos títulos públicos e de crédito privado no longo prazo. Mas o investidor precisar ter consciência dos riscos.

“As taxas estão muito boas historicamente e são um excelente investimento, mas o investidor precisa ter essa consciência de que os papéis longos são também um ativo de risco”, afirmou Marília Fontes, da Nord Investimentos. Quem comprar um título IPCA+ e levar até vencimento vai ter realmente o juro real contratado que é muito alto, com o acréscimo da inflação.

Se o investidor tiver que resgatar o recurso no meio do caminho, porém, os planos podem não sair como o esperadp. “Se você comprar um IPCA+ com vencimento em 10 anos e tiver de sair em um ano, pode ter prejuízo se as taxas continuarem subindo por causa da marcação a mercado.”

A perda pode ocorrer porque o papel é revendido ao preço que o mercado pede naquele momento. Esse valor pode oscilar de acordo com fatores como inflação, juros e eventos geopolíticos.

Se a taxa na marcação a mercado estiver acima da contratada, o investidor verá o saldo em reais encolher. Caso o dono do título leve o papel até o vencimento, no entanto, vai receber exatamente o que contratou.

Quem consegue manter os recursos no longo prazo pode se beneficiar de uma janela historicamente relevante. “Quando você tem longos ciclos de queda do juro, como houve, por exemplo, de 2016 a 2019, os títulos IPCA+ longos tiveram ganhos como os da bolsa”, disse Marília Fontes.

Naquele momento, houve retornos de até 55% em um ano. O momento atual é visto justamente como o início de um ciclo de queda de juros, ainda que a Guerra do Irã e o seu impacto sobre a inflação tenham reduzido o ritmo e a extensão das reduções esperadas.

Longo prazo e curto prazo não se misturam

Uma carteira de renda passiva pode ser simples, mas precisa ter diversificação.

“Não precisa ter 50 ou 100 ativos”, ponderou Patrícia Whitaker, Gerente Geral de Investimentos do Nubank. “Em uma carteira clássica com fundo imobiliário, fundo de agro, ETF ou ações que paguem dividendos, além de títulos públicos, você tem uma diversificação, e é uma carteira simples, que você consegue montar com poucos ativos e ter proteção.”

A especialista explicou ainda que o investidor precisa separar os objetivos das aplicações. A reserva de emergência, ou seja, o dinheiro que pode ser usado em casos de urgência, precisa ser alocada em ativos seguros e que possam ser resgatados com facilidade.

“Nessa categoria entram Tesouro Selic, uma renda fixa 100% CDI e qualquer ativo seguro, que pode ser resgatado a qualquer momento e não vai sofrer a variação do mercado secundário, da marcação ao mercado.”

Já a carteira de renda passiva exige uma construção de patrimônio. “Aqui já existe um apetite para o risco maior. Posso deixar aplicado por mais longo prazo, então tudo bem eu ter uma diversificação maior na minha carteira.”

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Autor: Sérgio Tauhata

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