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A nova fronteira da IA é a assessoria para investir. E OpenAI e Anthropic decidiram acelerar a corrida

Quem já não perguntou para o ChatGPT, o Claude ou o Gemini se aquela ação ou aquele título de renda fixa era uma boa opção de investimento? Não é preciso recorrer a nenhum modelo mais avançado para saber que a IA já faz parte da vida de muitos investidores.

Mas, a depender das duas firmas que lideram a corrida pelos modelos mais avançados de IA – ao menos no Ocidente –, esse comportamento vai se tornar ainda mais comum no mercado monetário.

Em questão de cinco dias, OpenAI e Anthropic lançaram novas funcionalidades voltadas para quem investe.

Por enquanto, são soluções voltadas aos profissionais da área. Mas os lançamentos quase simultâneos mostram que foi dada a largada pela liderança no segmento de IAs de serviços monetários e investimentos.

O ChatGPT for Financial Services, lançado na última quinta-feira (10), é voltado aos bancos de investimento e equipes de pesquisa de renda variável.

Esse modelo de IA de investimentos promete substituir tarefas feitas por analistas juniores, como pesquisas de dados de firmas, modelagem financeira e montagem de apresentações comerciais.

O novo GPT roda sobre o recém-anunciado modelo GPT-6 Astra e foi desenvolvido com colaboração de quem mais tem a ganhar com a novidade: bancos de investimento como Morgan Stanley e Evercore.

Traz dados embutidos dados de várias plataformas de informações corporativas e de mercado, como Crunchbase e LSEG News, da bolsa de Londres.

A Anthropic não perdeu tempo. A rival da OpenAi lançou nesta segunda-feira (14) o Claude for Financial Advisors (CFA).

O produto pretende atender especificamente assessores monetários, ou seja, tem um foco mais centrado em quem atende investidores pessoas físicas ou famílias.

O CFA é uma versão do Claude que se conecta a plataformas de análise de investimento e gestão de patrimônio de firmas como BlackRock, Charles Schwab, Addepar, Envestnet, iCapital, Orion, Wealthbox, Wealth.com e Zocks.

Segundo a firma, as possibilidades são enormes, porque a IA pode até revisar portfólios e trazer insights sobre diversificação da carteira. Além disso, o “bot” pode organizar reuniões com clientes, resumir o conteúdo e expandir os assuntos discutidos a partir de fontes externas.

A Anthropic já vem construindo uma base específica desde maio de 2026, quando lançou dez agentes pré-configurados para o setor monetário. São ferramentas que se conectam a aplicativos para fechamento contábil e oferecem integração com a plataforma Microsoft 365 (Excel, Word, PowerPoint, Outlook).

“Uma das maiores tendências que estamos vendo no mercado é a de assessores querendo terceirizar [tarefas operacionais]”, disse à Bloomberg Jaime Magyera, chefe da BlackRock para os negócios de assessoria de patrimônio e aposentadorias nos Estados Unidos.

Uso crescente no mercado

OpenAI e Anthropic buscam recuperar o protagonismo e o controle da narrativa de um mercado que já alcançou relativa abrangência.

Seis em cada dez brasileiros que investem já usam ferramentas de IA sempre ou com frequência para pesquisas sobre ativos, de acordo com o estudo “State of AI for Wealth in 2026”, da BridgeWise, com 2,1 mil entrevistados em 19 países.

A IA facilita a vida do investidor de muitas maneiras, como organizar informações que estão espalhadas em diferentes fontes, montar gráficos, séries históricas, fazer cáculos e, por que não, recomendar produtos.

Mas existem limitações relevantes. A principal está no fato de que os modelos podem até entregar sugestões de carteiras tecnicamente corretas, mas funcionam mais como agregador de opiniões já publicadas. Ou seja, podem pegar informações desatualizadas. E errar feio.

Os “bots” não entregam uma análise original e não contam, se há, por exemplo, um viés de otimismo nas análises de mercado consultadas – e se vai reproduzir essa abordagem. É, portanto, um generalista.

Quem busca avaliações personalizadas e recomendações feitas sob medida ainda precisa do elemento humano especializado, como consultores e assessores de investimentos.

A própria legislação no Brasil, como as circulares publicadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em janeiro, estabelece que a prestação de consultoria com sistemas automatizados ou algoritmos não elimina a responsabilidade do consultor pelas orientações dadas.

Uma IA que fala financês

Além das gigantes da IA, a própria indústria financeira têm feitos seus próprios experimentos e construído seu ecossistema de agentes de IAs.

Os bancos brasileiros gastaram mais de R$ 800 milhões em tecnologia em 2025 só para o desenvolvimento de novas ferramentas de IA. Trata-se de um crescimento de 50% comparado a 2024, conforme dados da Febraban. E, neste ano, a cifra vai superar a casa de R$ 1 bilhão.

A gestora Leblon Equities é um exemplo bem documentado no mercado. A casa tem usado ferramentas de IA para aumentar a capacidade analítica e a eficiência das pesquisas, além de reduzir o tempo de tarefas operacionais.

E o progresso tem sido relatado com detalhes pelo sócio-fundador e executivo-chefe de investimentos (CIO), Pedro Chermont, em seu perfil no Linkedin. “A parte braçal da análise de firmas virou software na Leblon.”

O gestor tem sido muito vocal ao contar sobre o uso da IA para multiplicar o poder de análise de firmas, mas sem prescindir do que é humano: a capacidade de tomada de decisões.

“Os robôs monitoram as firmas que cobrimos, baixam o que sai, e a IA extrai o que importa e arquiva por companhia, com data e origem. São mais de cem documentos por dia, virando notas organizadas.”

Chermont cita ainda usos específicos no dia a dia. “Quando pergunto ‘o que a gestão disse sobre capex no último call?’, a resposta vem com o trecho exato e o documento de origem.”

Organizar é a palavra-chave

“Estamos atravessando um ambiente em que a complexidade das carteiras cresceu muito rápido, o investidor distribui recursos entre diferentes instituições, moedas e geografias, enquanto juros, inflação e riscos geopolíticos mudam velozmente”, afirma o sócio da Revert, Flavio Terni.

“O uso mais transformador da IA não está em tentar prever o próximo movimento dos ativos mas em organizar essa complexidade.”

A Revert foi criada, justamente, como uma fornecedora de infraestrutura de IA para consultores e consultorias de investimentos.

Conforme Terni, o maior risco do uso de modelos de IA por conta própria é acreditar que são extremamente precisos sempre. “Os modelos aprenderam com o passado e, por isso, podem falhar quando há uma mudança de regime econômico ou de correlação entre ativos.”

Para ilustrar um cenário que traduz a situação citada por Terni, basta lembrar que o momento atual tem sido pródigo em comportamentos de preços atípicos de ativos. Têm ocorrido, por exemplo, altas simultâneas do ouro e dos juros americanos, quando historicamente, as cotações do metal e as taxas de longo prazo nos EUA andam em sentidos opostos.

O sócio da Revert ressalta que, em termos de gestão patrimonial, a IA  funciona como uma camada de análise, e não para substituir o ser humano no julgamento e na tomada de decisão.

É a mesma conduta defendida por Anthropic e OpenAi com seus novos modelos para investimentos.

“Você não vai receber recomendações de investimento do Claude. Nós reservamos esse julgamento para os especialistas”, disse Jonathan Pelosi, chefe de Serviços monetários da Anthropic, à Bloomberg.

— Com informações da Bloomberg.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Sérgio Tauhata

Dinheiro Portal

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