Eleição brasileira movimenta R$ 780 milhões em apostas com stablecoins
US$ 151,8 milhões (cerca de R$ 780 milhões). Esse é o volume movimentado nos mercados sobre a eleição presidencial brasileira na Polymarket, plataforma baseada em blockchain que permite negociar apostas sobre eventos futuros usando cripto.
As operações são feitas em dólares digitais: atualmente, a Polymarket usa o pUSD, token lastreado 1:1 em USDC, a segunda maior stablecoin pareada ao dólar do mercado, emitida pela Circle.
São cinco mercados no total. O maior deles, que pergunta quem vai vencer a eleição no Brasil, concentra quase a totalidade do volume: US$ 150 milhões (R$ 771 milhões). Nele, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 51,6% de probabilidade, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 45%.
Na plataforma, os usuários compram tokens de “sim” ou “não” para determinados cenários. Se o resultado se concretizar, os contratos vencedores recebem US$ 1, enquanto os perdedores ficam sem valor.
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Proibida no Brasil
Em abril, o Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão responsável por definir as diretrizes das políticas monetária, de crédito e cambial do país, proibiu os mercados de negociação de derivativos ligados a eleições, eventos esportivos, jogos online, entre outros. A Polymarket foi uma das afetadas.
Os brasileiros conseguem acessar a plataforma ou porque moram no exterior ou porque usam redes privadas virtuais (VPNs, na sigla em inglês), que podem fazer a conexão parecer que vem de outro país.
Riscos
Mercados preditivos, vale sempre lembrar, envolvem riscos que vão além da volatilidade típica das criptomoedas. No caso da Polymarket, por exemplo, a operação ainda está em uma zona cinzenta do ponto de vista regulatório.
A liquidez também varia bastante entre os mercados, o que pode dificultar a saída de uma posição sem perdas, e também existem questionamentos sobre uso de informação privilegiada em apostas.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -0,99%, US$ 77.077,25
Ethereum (ETH): -1,08%, US$ 2.485,45
BNB (BNB): -0,46%, US$ 719,60
XRP (XRP): +0,31%, US$ 1,40
Solana (SOL): -0,81%, US$ 100,90
Outros destaques do mercado cripto
Mais uma stablecoin de real. O mercado de stablecoins atreladas ao real ganhou uma nova integrante: a BRLe, da Brasil Bitcoin. O token, baseado na blockchain Polygon (casa da cripto POL), tem paridade de 1 para 1 com o real. Hoje, vale lembrar, o país tem quase 15 stablecoins ligadas à moeda brasileira. Juntas, elas somam um valor de mercado de cerca de R$ 700 milhões. Ainda é pouco quando comparado às stablecoins de dólar, mas é um começo.
Tokenização brazuca em alta. A tokenização – processo de transformar ativos do mercado tradicional em tokens na blockchain – continua avançando no Brasil. Dados da plataforma RWA Monitor mostram que os ativos acompanhados captaram R$ 9,48 milhões na parcial da semana de 8 a 14 de setembro, um avanço de 70,8% em relação aos R$ 5,55 milhões da semana anterior.
Lei cripto dos EUA. É hoje, minha gente: o Senado dos EUA deve votar o avanço do Clarity Act, projeto de lei que cria um marco regulatório para os criptoativos no país. O mercado espera há bastante tempo pelo avanço da proposta, que deve estabelecer regras para o setor e esclarecer o tratamento de diferentes ativos e arranjos com criptos – incluindo quais podem ser classificados como valores mobiliários ou commodities.
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Autor: Lucas Gabriel Marins
