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A vida de empresário de Rafael Nadal após a aposentadoria das quadras

Quem já assistiu à lenda do tênis Rafael Nadal em quadra conhece seus rituais. Antes de cada saque, ele seguia uma sequência meticulosa de gestos, ajustando a roupa e o cabelo. Hoje, não precisa mais de todas essas rotinas em nenhuma área da vida.

“As pessoas que me viam jogar provavelmente achavam que eu era supersticioso”, diz Nadal, de 40 anos. “Mas a verdade é que todos esses rituais existiam apenas dentro da quadra.”

Desde que se aposentou, em 2024, ele não precisa mais manter o nível de concentração extrema que marcou sua carreira, durante a qual conquistou 22 títulos de Grand Slam de simples — a segunda maior marca da história do tênis masculino. Agora, seus objetivos físicos são mais flexíveis, e ele se dedica a outros projetos, como sua academia e escola de tênis, frequentada por seu filho.

Ainda assim, Nadal sempre será lembrado pelo que fez nas quadras. Em maio, a Netflix lançou “Rafa”, documentário em quatro episódios dirigido por Zach Heinzerling sobre sua trajetória. A série acompanha sua carreira extraordinária enquanto ele convive com uma condição degenerativa no pé. Também mostra que, apesar da fama mundial e das campanhas publicitárias, Nadal sempre manteve um estilo de vida relativamente caseiro.

Nadal vive em Mallorca, na Espanha, com a esposa e os dois filhos. Nesta entrevista, fala sobre seu café da manhã com peixe, os exercícios sem dor e sua paixão pelos clássicos do cinema.

Que horas você acorda nas manhãs de segunda-feira?

Depende das crianças, para ser sincero. Tenho dois filhos. Em média, por volta das 6h45. Descemos e tomamos café da manhã. Essa é a principal rotina. Normalmente como torradas com anchovas.

Com anchovas? Há quanto tempo faz isso?

Desde a época em que jogava tênis. No início, eu não era muito fã de café da manhã. Mas, mais tarde, trabalhando com nutricionistas, aprendi que precisava consumir proteína e carboidratos.

Você toma café?

Não. Quer dizer, adoro o cheiro do café, mas não bebo.

Consome algum tipo de cafeína?

Bebo Coca-Cola.

Os exercícios ainda fazem parte da sua rotina matinal?

Nos dias em que não preciso trabalhar muito cedo, levo meu filho para a escola. Ele estuda na minha academia. As aulas começam às 8h30. Depois disso vou para a academia e treino normalmente das 8h30 às 10h. Em seguida vou para o escritório.

O documentário mostra o desgaste físico acumulado ao longo dos anos, incluindo seu problema no pé. Como você cuida disso atualmente enquanto se exercita?

Estou muito melhor. Passei por um período bastante difícil durante seis, sete ou oito meses após a aposentadoria. A boa notícia é que, no fim da carreira, encontrei um tratamento que ajudou a controlar um pouco a dor no pé. Mas a dor voltou muito, muito rapidamente.

Agora, com esse tratamento e sem exigir meu corpo ao limite, consigo viver de forma muito positiva.

Normalmente tento me exercitar pelo menos três vezes por semana. É completamente diferente perceber como o humor melhora quando você vive sem tanta dor. Você fica mais feliz. Quando sente dor todos os dias, é muito difícil conviver com isso.

Como seus treinos mudaram atualmente? No que você está focado?

Gosto de me ver em boa forma, mas sem um objetivo específico. Durante quase 30 anos como profissional, eu treinava todos os dias perseguindo metas concretas.

Você ainda joga tênis de forma casual?

Não neste momento. Mas vou voltar. Sofri uma lesão na mão e precisei fazer uma cirurgia em dezembro passado. Durante alguns meses não pude jogar de jeito nenhum. Quero participar de algumas exibições no futuro.

Como foi revisitar momentos da sua carreira para o documentário? Algumas cenas parecem até dolorosas de assistir.

Talvez as pessoas vejam dessa forma, mas para mim é exatamente o contrário. Hoje, quando penso na minha carreira, não penso nas dores.

Graças ao tênis, vivi experiências incríveis, conheci o mundo, culturas diferentes, cresci como pessoa e também tive muitos momentos emocionantes e grandes conquistas. Eu era feliz jogando tênis.

Como foi ouvir alguns de seus maiores rivais, como Roger Federer e Novak Djokovic, falando sobre você?

Falamos muito uns sobre os outros durante todos esses anos, mas agora é de uma maneira diferente.

Tivemos rivalidades extraordinárias em termos de intensidade, de longevidade e de disputa pelos títulos mais importantes do esporte. Mas, no fim das contas, acredito que fui um rival saudável. É algo de que devemos nos orgulhar.

Você tem algum ritual de cuidados com a pele ou aparência?

Sou um pouco mais à moda antiga. Acordo e vou direto para o banho. Mas, claro, quando fico exposto ao sol, passo protetor solar.

Quais são seus hobbies atualmente?

Passar tempo com a família é o mais importante. Também adoro jogar golfe. Gosto de futebol. Amo o mar. Gosto de pescar e de praticamente todas as atividades ligadas ao oceano. E sempre gostei de cinema.

Quais são seus filmes favoritos?

Sou um pouco nostálgico. Gosto dos grandes clássicos. Sempre acompanhei muito cinema. Quando era mais jovem — lembra dos DVDs? — eu comprava todos aqueles filmes antigos: “Entre Dois Amores”, “Dança com Lobos”, “Lawrence da Arábia” e “E o Vento Levou”.

“E o Vento Levou”?

Isso mesmo. E também “Casablanca”. Eu comprava tudo.

Qual foi a última compra da qual você realmente gostou?

Algo que comprei há muito tempo e de que me orgulho é minha casa. Não fui o responsável pelo projeto, mas participei muito do processo.

Construir uma casa é sempre um período difícil. Mas, quando fica pronta, ela passa a ser a sua vida.

Esta entrevista foi editada e condensada para maior clareza.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Karla Mamona

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