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Empresas fazem candidatos a vagas de emprego passar por testes para provar que são reais

Há uma nova fronteira nas entrevistas de emprego, e ela é mais ou menos assim: tire o fundo virtual do Zoom e movimente a câmera para mostrar o ambiente ao redor. Agora, você poderia, por favor, passar a mão na frente do rosto?

A popularização das respostas auxiliadas por inteligência artificial — sem contar o risco de contratar candidatos que podem estar mentindo sobre onde moram ou até mesmo trabalhando para a Coreia do Norte — está levando as firmas a reforçar seus métodos de seleção. Elas querem garantir que as pessoas contratadas realmente saibam do que estão falando e sejam quem dizem ser.

Heather Wilcox, que já trabalhou como engenheira de qualidade, está atualmente procurando emprego. Ela conta que já participou de entrevistas conduzidas por inteligência artificial nas quais um software monitora para onde seus olhos estão olhando, para verificar se ela não está consultando um roteiro gerado por IA.

Ela também já ouviu de entrevistadores que os fundos virtuais nas chamadas de vídeo são proibidos. Mas, como já foi responsável por contratações, ela entende o motivo.

“Há muita troca de identidade e trapaça acontecendo”, afirma. “A IA tornou as contratações muito difíceis porque todos os currículos estão perfeitos. Todo mundo tem a resposta certa.”

Embora muitas firmas queiram avaliar a habilidade dos candidatos em usar inteligência artificial — e possam até incentivar seu uso — há determinadas perguntas que ainda esperam que os candidatos respondam sem ajuda. É o caso, por exemplo, de como eles raciocinam para resolver determinado problema, detalhes sobre experiências profissionais anteriores ou como lidaram com uma situação difícil em um emprego anterior.

Uma pesquisa de setembro com 3 mil gestores, realizada pela Checkr, plataforma de verificação, mostrou que 59% dos gestores suspeitavam que candidatos haviam usado ferramentas de IA para se apresentar de forma enganosa durante o processo de contratação.

“Essa é uma realidade para toda firma que contrata para trabalho remoto”, afirma Benjamin Sesser, gerente-geral da BrightHire, firma da Zoom que desenvolve softwares para realizar, gravar e analisar entrevistas de emprego remotas. “É muito problemático.”

A BrightHire adicionou, no início deste ano, uma ferramenta de detecção de trapaças ao seu produto de entrevistas com IA. O recurso monitora determinados sinais do navegador.

“Ela monitora: você está trocando de abas? O que está fazendo no seu computador?”, explica Sesser.

Quando candidatos participam de entrevistas com a Somos, firma de telecomunicações e segurança, eles são orientados a retirar o fundo virtual do Zoom e movimentar a câmera para mostrar o ambiente ao redor.

O objetivo é identificar sinais de que eles não estão onde afirmam estar ou de que há outra pessoa — ou outro computador — no ambiente fornecendo respostas.

Alguns candidatos encerram a chamada assim que ouvem o pedido.

“Estávamos recebendo muitos candidatos fraudulentos”, afirma Elissa Barrett, diretora de recursos humanos da Somos, firma sediada em Nova Jersey, mas que adota um modelo de trabalho remoto desde o início.

Recentemente, a Somos começou a verificar os endereços de IP dos candidatos. A firma vinha identificando pessoas que afirmavam estar na Flórida, por exemplo, mas que na realidade moravam no Brasil.

A firma também passou a pedir que os candidatos movimentem a mão na frente do rosto. Um bot que se passa por uma pessoa usando um rosto gerado por inteligência artificial normalmente não consegue realizar esse desafio.

“Quando alguma coisa não parece certa, eles seguram a mão ao lado do rosto”, afirma Barrett.

Mike Hauschild é recrutador da Quantum, firma que contrata profissionais para mais de 200 startups financiadas por investidores de venture capital. Segundo ele, os candidatos são incentivados a usar IA em tarefas como trabalhos feitos em casa ou exercícios de programação, mas há outras perguntas que precisam responder sozinhos.

Um dos clientes da firma exige que os candidatos mantenham as mãos levantadas enquanto a pergunta da entrevista é apresentada, para provar que não há alguém digitando respostas em tempo real.

“Eles apresentam isso como: vamos fazer um pequeno exercício prático na tela”, afirma. “É estranho.”

Eva Spexard, responsável pelas operações de IA da Passion.io, uma startup de 30 funcionários que adota o trabalho remoto desde o início, afirma que a firma pede aos candidatos que compartilhem a tela durante determinadas partes da entrevista.

A companhia também passou a usar respostas escritas para algumas perguntas, com os candidatos respondendo em tempo real em um documento compartilhado do Google.

“Basicamente, você consegue ver se eles estão digitando ou simplesmente copiando e colando”, afirma.

Segundo Spexard, os testes feitos em casa ficaram tão repletos de conteúdo gerado por IA que estão se tornando obsoletos. Agora, os exercícios realizados ao vivo são a alternativa preferida.

Houve casos demais em que ficou claro que um chatbot havia sido utilizado. Entre os sinais estavam “respostas copiadas e coladas que ainda continham a frase do Claude: ‘Devo deixar isso mais conciso?’”, conta Spexard.

Na Nominal, firma que desenvolve software para equipes de engenharia de hardware e tem cerca de 220 funcionários trabalhando presencialmente, os candidatos só são contratados depois de participar de uma entrevista presencial.

Os testes de programação para engenheiros também são realizados no local.

“Podemos controlar completamente a possibilidade de trapaça por meio da entrevista presencial”, afirma Bryce Strauss, cofundador da Nominal. “Temos um notebook que fornecemos a eles.”

Nos últimos anos, Strauss diz ter percebido uma diferença cada vez maior na capacidade das pessoas de raciocinar para resolver problemas.

Ele suspeita que alguns profissionais estejam dependendo tanto da IA no trabalho cotidiano que isso esteja afetando sua capacidade de pensar por conta própria.

Quando a IA é usada para responder a uma pergunta, um sinal revelador é que a resposta acaba ficando mecânica e muito menos interessante.

“Digressões, começos interrompidos e conexões estranhas que você não esperava fazer no meio de um raciocínio tendem a ser eliminados quando a IA está envolvida”, afirma.

“A maneira de se destacar neste momento é ser fundamentalmente humano.”

Katherine Bindley pode ser contatada pelo e-mail katie.bindley@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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