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GPA fecha acordo com credores e corta pela metade dívida de R$ 4,6 bilhões

O GPA, dono das redes Pão de Açúcar e Extra, conseguiu o apoio da maioria dos credores para seu plano de recuperação extrajudicial. A companhia informou na noite desta terça-feira (5) que fechou uma nova versão do plano com credores que representam 57,49% dos créditos sujeitos à renegociação.

A dívida incluída no plano soma R$ 4,568 bilhões. Com o acordo, o GPA espera reduzir o valor total desse passivo em mais de 50% ao longo do tempo. A companhia também prevê alongar o prazo médio de vencimento da dívida para 6,4 anos e reduzir o custo médio para CDI mais 0,5% ao ano.

Na prática, a recuperação extrajudicial dá ao GPA uma folga importante de caixa. O plano deve reduzir em mais de R$ 4 bilhões os desembolsos que a companhia teria de fazer nos próximos dois anos. Esse é o principal efeito imediato da renegociação: tirar pressão do caixa no curto prazo e evitar que vencimentos concentrados comprometam a continuidade do negócio.

A companhia havia apresentado a primeira versão do plano em março, em meio a uma situação financeira pressionada. O acordo com os credores foi obtido em 56 dias, abaixo do prazo de 90 dias previsto na legislação para que a firma reúna apoio suficiente ao plano.

A recuperação extrajudicial é um mecanismo diferente da recuperação judicial tradicional. Nela, a firma negocia diretamente com uma parte relevante dos credores e depois leva o plano à Justiça para homologação. O objetivo é reorganizar dívidas financeiras sem afetar a operação do dia a dia.

No caso do GPA, a companhia reforçou que fornecedores, clientes e parceiros não fazem parte da recuperação extrajudicial e não estarão sujeitos ao plano. Segundo a firma, as lojas seguem funcionando normalmente e as obrigações com esses públicos estão em dia.

Como fica a dívida

O plano prevê a reestruturação dos créditos sujeitos em diferentes instrumentos. Uma parte será convertida em debêntures conversíveis, no valor de até R$ 1,1 bilhão. Esses papéis poderão ser transformados em ações do GPA em quatro janelas: no primeiro semestre de 2027, 2029, 2030 e 2031.

A conversão será opcional para os credores titulares das debêntures. O preço das novas ações será calculado com base na média ponderada da cotação das ações ordinárias do GPA nos 90 pregões anteriores ao início de cada janela de conversão, com desconto de 20%.

Esse desenho tem dois efeitos. Para a companhia, permite reduzir parte da dívida financeira ao transformar passivo em capital. Para os atuais acionistas, pode haver diluição futura, caso os credores decidam converter as debêntures em ações.

O plano também prevê um novo financiamento de até R$ 200 milhões para o GPA. Esses recursos poderão ser colocados por credores sujeitos ao plano que queiram aportar dinheiro novo na companhia.

O que muda para o GPA

O acordo não resolve todos os desafios do GPA, mas muda a fotografia financeira da firma. A varejista ganha prazo, reduz custo da dívida e diminui a pressão de pagamentos no curto prazo. Isso abre espaço para a administração concentrar esforços na recuperação operacional.

Nos últimos anos, o GPA passou por uma reestruturação profunda. A companhia se desfez de ativos, saiu do formato de hipermercados, reduziu sua estrutura e ficou mais concentrada no Pão de Açúcar, bandeira de maior renda. Ao mesmo tempo, a firma enfrentou queda de rentabilidade, perda de relevância comercial e aumento da pressão financeira.

A renegociação da dívida era uma etapa central para tentar estabilizar esse quadro. Sem o acordo, a concentração de vencimentos poderia consumir caixa e limitar ainda mais a capacidade da firma de investir na operação, renegociar com fornecedores, ajustar lojas e recuperar vendas.

Com a recuperação extrajudicial, o GPA ganha tempo. Mas o plano monetário é apenas uma parte da virada. A companhia ainda precisará mostrar melhora na operação, especialmente em vendas, margem e geração de caixa. A redução da dívida alivia o balanço, mas não substitui a necessidade de recuperar competitividade no varejo alimentar.

O plano foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração do GPA e será protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo para homologação. Até a decisão judicial, a companhia seguirá o rito formal da recuperação extrajudicial.

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Autor: Raquel Brandão

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